Ciência

Como o cabelo cresce? Nova descoberta desafia teoria aceita há décadas

Imagens 3D revelam que movimentos celulares puxam o fio para cima e podem abrir caminho para novos tratamentos contra a queda de cabelo

Cabelo: estudo identificou um novo mecanismo celular envolvido no crescimento dos fios (Freepik)

Cabelo: estudo identificou um novo mecanismo celular envolvido no crescimento dos fios (Freepik)

Publicado em 9 de julho de 2026 às 05h21.

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Pesquisadores descobriram um mecanismo até então desconhecido que ajuda a explicar como o cabelo cresce. O estudo mostrou que os fios não são impulsionados apenas pela divisão das células na base do folículo, como se acreditava há décadas. Em vez disso, um movimento coordenado de células atua como um "motor" microscópico que puxa o cabelo para cima durante seu crescimento.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Queen Mary University of London em parceria com a L'Oréal Research & Innovation e publicada na revista Nature Communications.

Segundo os autores, a descoberta amplia o entendimento sobre a biologia do folículo capilar e pode orientar o desenvolvimento de novas terapias para queda de cabelo, além de aplicações na engenharia de tecidos e na medicina regenerativa.

Como o cabelo realmente cresce

Até agora, o modelo mais aceito dizia que o crescimento do cabelo acontecia porque as células localizadas no bulbo capilar se dividiam continuamente, empurrando os fios para fora do couro cabeludo. Os novos resultados, porém, indicam que essa explicação está incompleta.

Utilizando microscopia 3D em tempo real, os pesquisadores acompanharam folículos capilares humanos vivos e observaram que células da bainha radicular externa, camada que envolve o fio em formação, se movimentam para baixo em um padrão coordenado e em espiral. Esse movimento gera uma força mecânica capaz de puxar o fio para cima, funcionando como um pequeno motor biológico dentro do folículo.

Segundo a pesquisadora Inês Sequeira, uma das autoras do estudo, o crescimento do cabelo depende tanto da formação de novas células quanto das forças produzidas por esse movimento coordenado.

Experimentos colocaram a teoria tradicional à prova

Para confirmar a hipótese, os cientistas realizaram uma série de experimentos com folículos capilares humanos cultivados em laboratório.

Primeiro, bloquearam a divisão celular. Caso o crescimento dependesse apenas desse mecanismo, os fios deveriam praticamente parar de crescer. Isso, porém, não aconteceu. Os folículos continuaram produzindo cabelo em ritmo semelhante ao observado antes do bloqueio.

Depois, os pesquisadores interromperam a atividade da actina, proteína responsável por permitir o movimento e a geração de força pelas células. Nesse cenário, o crescimento capilar caiu mais de 80%, indicando que a movimentação celular exerce um papel essencial no desenvolvimento dos fios.

Com isso, simulações computacionais confirmaram que as forças geradas por essas células são suficientes para explicar o crescimento observado.

O que a descoberta pode mudar nos tratamentos contra queda de cabelo

Os pesquisadores afirmam que a descoberta pode transformar a forma como cientistas estudam a queda de cabelo. Hoje, grande parte das pesquisas busca estimular a divisão celular no interior do folículo capilar.

Os novos resultados indicam que preservar ou restaurar o movimento coordenado das células também poderá se tornar um alvo para futuras terapias.

A técnica utilizada no estudo também poderá ajudar pesquisadores a testar novos medicamentos, permitindo observar em tempo real como folículos humanos respondem a diferentes tratamentos experimentais.

Descoberta pode beneficiar outras áreas da medicina

Além das pesquisas sobre crescimento capilar, o trabalho reforça a importância das forças mecânicas no funcionamento dos tecidos do corpo.

Segundo os autores, compreender como as células se movimentam e geram força pode contribuir para o desenvolvimento de novas estratégias em áreas como engenharia de tecidos, regeneração celular e medicina regenerativa.

Embora os experimentos tenham sido realizados com folículos capilares humanos mantidos em laboratório, os pesquisadores afirmam que os resultados oferecem uma nova perspectiva sobre um processo biológico estudado há décadas e abrem caminho para futuras pesquisas sobre o crescimento dos fios e os mecanismos envolvidos na queda de cabelo.

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