Câncer de ovário: composto à base de cobre apresentou alta atividade contra células tumorais em testes laboratoriais (Freepik)
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Publicado em 8 de julho de 2026 às 09h03.
Um composto experimental à base de cobre apresentou atividade até 36 vezes maior que a cisplatina, um dos principais quimioterápicos usados no tratamento do câncer de ovário, em testes realizados com células humanas em laboratório. O resultado abre caminho para o desenvolvimento de uma nova classe de compostos metálicos com potencial para combater um dos cânceres ginecológicos mais difíceis de diagnosticar.
O estudo foi conduzido por pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP, em parceria com cientistas de outras instituições brasileiras, e publicado na revista ACS Omega. A pesquisa avaliou cinco novos compostos à base de cobre para investigar seu potencial como agentes antitumorais contra células de câncer de ovário, mama e pulmão.
Os pesquisadores sintetizaram cinco complexos de cobre associados a moléculas orgânicas, conhecidas como ligantes, para avaliar sua atividade antitumoral em laboratório.
Entre eles, um composto se destacou pela ação contra células de câncer de ovário humano. Nos experimentos, ele alterou a morfologia das células tumorais, reduziu sua capacidade de formar colônias e induziu a morte celular, com efeitos que variaram conforme a concentração utilizada.
Além disso, o complexo foi capaz de interagir com o DNA sem provocar sua ruptura. Segundo os pesquisadores, essa interação altera a estrutura do material genético e dificulta processos essenciais para a sobrevivência e multiplicação das células cancerígenas.
O DNA é um dos principais alvos dos medicamentos à base de metais uma vez que desempenha papel central no funcionamento das células. Segundo Alexandre Bizzotto de Carvalho, autor correspondente da pesquisa, compostos metálicos apresentam características químicas que favorecem essa interação.
Enquanto a cisplatina atua formando ligações diretas com o DNA e impedindo a replicação celular, o novo composto apresentou um mecanismo diferente. Os pesquisadores observaram uma interação multimodal, envolvendo intercalação entre as bases do DNA, interações eletrostáticas e reconhecimento de regiões específicas da dupla hélice.
Segundo Carvalho, esse comportamento sugere uma forma mais complexa de atuação, capaz de modular diferentes processos biológicos envolvidos na sobrevivência das células tumorais.
O desenvolvimento de medicamentos à base de cobre busca superar algumas limitações dos tratamentos tradicionais com compostos de platina, como os efeitos colaterais e a resistência que alguns tumores desenvolvem ao longo do tratamento.
Para a equipe, um dos principais resultados da pesquisa foi demonstrar que sistemas baseados em cobre (II) e derivados de benzofenona podem representar uma plataforma promissora para o desenvolvimento de novos agentes antitumorais.
Segundo os autores, compreender mecanismos alternativos de interação com biomoléculas poderá contribuir para o desenvolvimento de futuras terapias mais seletivas e eficazes contra diferentes tipos de câncer.
Apesar dos resultados promissores, o composto mais potente também apresentou elevada toxicidade para células não cancerosas, indicando que ainda existe um importante desafio de seletividade antes que ele possa ser considerado um candidato a medicamento.