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A expansão da inteligência artificial aumenta a pressão sobre redes elétricas e coloca a infraestrutura de energia no centro da próxima corrida tecnológica (Napat_Polchoke/Getty Images)
Redatora
Publicado em 9 de julho de 2026 às 05h03.
Durante os últimos anos, a disputa pela liderança da inteligência artificial foi marcada por uma palavra: chips. Empresas competiram por processadores cada vez mais potentes para treinar modelos de IA, enquanto a escassez desses componentes se tornou um dos principais obstáculos para o setor.
Agora, porém, um novo desafio começa a ganhar protagonismo: garantir eletricidade suficiente para alimentar toda essa infraestrutura.
O aumento acelerado da demanda por inteligência artificial está pressionando data centers, concessionárias de energia e governos.
Em algumas regiões, a capacidade das redes elétricas já passou a ser vista como um fator tão importante quanto a disponibilidade de hardware.
Treinar um modelo de inteligência artificial exige milhares de processadores trabalhando simultaneamente durante semanas ou até meses.
Depois de concluído o treinamento, o consumo continua elevado: cada pergunta feita por milhões de usuários depende de servidores funcionando ininterruptamente.
À medida que empresas lançam modelos maiores e mais sofisticados, cresce também a necessidade de eletricidade para manter essa operação.
O desafio já não envolve apenas comprar mais equipamentos, mas garantir que eles possam funcionar de forma contínua.
A expansão da inteligência artificial impulsionou uma corrida pela construção de novos data centers ao redor do mundo. Essas instalações concentram milhares de servidores e demandam fornecimento constante de energia, além de sistemas de refrigeração capazes de dissipar o calor gerado pelos equipamentos.
Em alguns mercados, empresas têm enfrentado dificuldades para conectar novas unidades à rede elétrica. Em determinados casos, projetos aguardam meses, ou até anos, para obter autorização ou capacidade suficiente de fornecimento.
Durante muito tempo, a principal preocupação das empresas era conseguir processadores de alto desempenho.
Hoje, especialistas apontam que, mesmo com chips disponíveis, novos projetos podem ficar limitados pela infraestrutura energética.
Isso acontece porque ampliar uma rede elétrica é um processo complexo. Construção de subestações, expansão das linhas de transmissão e aumento da capacidade de geração exigem investimentos elevados e prazos que normalmente são muito maiores do que o ritmo de evolução da inteligência artificial.
Outro desafio é atender essa demanda sem ampliar significativamente as emissões de carbono. Grandes empresas de tecnologia vêm anunciando contratos para aquisição de energia renovável, investimentos em usinas solares, eólicas e até pesquisas envolvendo pequenos reatores nucleares para abastecer futuros data centers.
Além da disponibilidade, cresce a preocupação com a origem dessa eletricidade, já que a sustentabilidade passou a fazer parte da estratégia das gigantes do setor.
A competição entre empresas de inteligência artificial continuará sendo impulsionada por modelos mais rápidos e capazes.
No entanto, especialistas avaliam que o sucesso das próximas gerações dependerá cada vez menos apenas da evolução dos algoritmos e dos chips.
Sem uma infraestrutura energética capaz de acompanhar esse crescimento, mesmo os sistemas mais avançados poderão enfrentar limitações.
Em outras palavras, a próxima corrida da inteligência artificial talvez não aconteça apenas dentro dos laboratórios de tecnologia, mas também nas redes elétricas que sustentam toda essa transformação.