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Clínica de longevidade mira R$ 20 milhões e prepara expansão para Miami

Criada em São Paulo, a Longevitar integra nutrição, endocrinologia, saúde mental e medicina regenerativa em um modelo voltado à prevenção e ao envelhecimento saudável

Longevitar: clínica reúne médicos, nutricionistas e especialistas em um modelo focado em prevenção e qualidade de vida (Divulgação)

Longevitar: clínica reúne médicos, nutricionistas e especialistas em um modelo focado em prevenção e qualidade de vida (Divulgação)

Bianca Camatta
Bianca Camatta

Freelancer em Negócios

Publicado em 29 de maio de 2026 às 11h42.

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Com integração entre tratamentos de nutrição, endocrinologia e saúde mental, a Longevitar foi criada com foco na medicina preventiva. “Nosso objetivo é trazer a longevidade com qualidade de vida por meio de medicamentos e tecnologias aprovadas”, afirma Pedro Grzywacz, fundador da Longevitar.

A clínica começou a operar em soft opening em outubro de 2025, em São Paulo (SP), e projeta faturar R$ 20 milhões em 2026. Até agora, os sócios já investiram R$ 12 milhões no negócio e têm outros R$ 8 milhões previstos para expansão da estrutura e incorporação de novas tecnologias.

O próximo passo já está no planejamento. A empresa negocia a abertura de uma unidade em Miami em 2027 e também prepara uma frente educacional voltada à formação médica em medicina regenerativa e longevidade.

Como surgiu a Longevitar

A origem da empresa está na experiência pessoal de Pedro Grzywacz com protocolos de saúde e longevidade. O interesse surgiu após ler um livro sobre mudanças de hábitos e envelhecimento saudável.

Mais tarde, após enfrentar problemas ortopédicos no ombro e na coluna, ele buscou tratamentos regenerativos fora do Brasil. A experiência reforçou a convicção de que existia espaço para um modelo de clínica focado em prevenção, qualidade de vida e envelhecimento saudável.

Grzywacz já tinha experiência em negócios. Ele é cofundador e CEO da BM Partners, uma boutique de assessoria financeira focada em fusões e aquisições, crédito estruturado e consultoria.

Mas para concretizar a ideia, que seria baseada em conceitos científicos, convidou o médico nutrologista Gabriel Azevedo para virar seu sócio. Foi ele quem introduziu o conceito de medicina 3.0, que busca antecipar riscos e agir antes das doenças de fato acontecerem.

“A medicina 2.0, que a maioria das pessoas conhece hoje, é muito boa para tratar doenças. Porém, ela espera o paciente adoecer para depois tomar uma conduta”, diz Azevedo.

Para atuar nessa linha, a clínica divide seu modelo em três níveis.

O primeiro envolve atividade física, alimentação, sono, saúde mental e hábitos de vida. “Melhoramos o estilo de vida, com exercício físico e alimentação. Isso já pode adicionar alguns anos de vida a um paciente”, afirma.

O segundo reúne exames preventivos e exames de precisão, como análises genéticas, metabólicas e avaliações de risco para doenças específicas, como cânceres, Alzheimer ou Parkinson. O médico explica que detectar a doença precocemente costuma ser a melhor maneira de tratá-la.

O chamado nível 3 reúne terapias regenerativas e tecnologias avançadas. Entre elas estão procedimentos com derivados do próprio organismo do paciente e aplicações de medicina regenerativa.

A clínica também mantém uma frente de estética regenerativa, área que, segundo os sócios, complementa a proposta de longevidade. A avaliação é que qualidade de vida não envolve apenas indicadores de saúde, mas também a forma como a pessoa se enxerga ao envelhecer.

“Não adianta eu estar com 80 anos e me olhar no espelho e me ver uma pessoa muito mais velha. Se eu quero estar com 80 anos com funções de 50, eu tenho que me olhar no espelho também e me sentir com 50”, afirma Grzywacz.

O desafio de mudar a mentalidade dos pacientes

Embora a demanda por longevidade esteja crescendo, os sócios apontam que a principal barreira continua sendo comportamental.

Segundo Azevedo, muitos pacientes chegam em busca de uma solução rápida para um problema específico, quando a proposta da clínica envolve mudanças amplas de hábitos.

“Aprendemos que se tenho uma doença, eu procuro um médico, ele me entrega uma cápsula e resolve o problema. Quando a gente fala de saúde e prevenção, isso não funciona”, afirma.

Por isso, um dos conceitos centrais da clínica é o chamado “preparo do solo”, expressão usada internamente para descrever a necessidade de corrigir fatores como inflamação, alimentação, sono e condicionamento físico antes de qualquer intervenção mais sofisticada.

“Uma terapia regenerativa só faz sentido quando o paciente está pronto para recebê-la”, diz o médico.

Crescimento baseado em autoridade e conteúdo

Ao contrário de muitas clínicas de estética e performance, a Longevitar evita campanhas agressivas nas redes sociais. A estratégia de crescimento está concentrada em conteúdo, palestras, eventos e construção de autoridade médica.

Segundo Grzywacz, o foco está principalmente no público de alta renda, que possui disponibilidade financeira e tempo para aderir a programas de acompanhamento de longo prazo.

“O nosso objetivo tem sido boca a boca, comunidade científica, eventos, palestras e mídia especializada”, afirma.

A empresa também pretende ampliar sua atuação no ensino médico. A expectativa é lançar uma pós-graduação em longevidade e medicina regenerativa em 2027, aproveitando a experiência acadêmica de Azevedo, que já atua como professor e participa de projetos de pesquisa na área.

Expansão para Miami já está em negociação

O plano de expansão internacional já começou a acontecer, com foco inicial em Miami e na América Latina. Segundo Pedro, a negociação para Miami já envolve investidores locais da área da saúde e pode resultar na abertura da primeira unidade fora do país em 2027.

Antes disso, a empresa pretende concluir a implementação de toda a estrutura planejada para a operação brasileira e finalizar os investimentos adicionais previstos. Com a concretização do negócio, a empresa espera apostar em novas unidades nacionalmente, também em 2027.

“A ideia é abrir outras unidades no Brasil, mas sempre com um sócio-operador”, diz o fundador.

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