Açúcar: exposição reduzida no início da vida foi associada a menor probabilidade de desenvolver demência (Freepik)
Redatora
Publicado em 30 de julho de 2026 às 13h50.
Consumir menos açúcar durante a gestação e nos primeiros anos de vida pode estar associado a um menor risco de desenvolver demência décadas depois. A conclusão é de um estudo publicado na revista científica Neurology, que analisou dados de mais de 64 mil pessoas no Reino Unido.
Segundo os pesquisadores, a exposição reduzida ao açúcar no início da vida também foi associada a indicadores de melhor saúde cerebral, como maior volume de massa cinzenta e menos sinais de danos ao tecido cerebral em exames de imagem.
Para investigar os efeitos do açúcar ao longo da vida, os cientistas analisaram informações de 64.737 participantes e aproveitaram um contexto histórico específico: o racionamento de açúcar imposto no Reino Unido durante e após a Segunda Guerra Mundial.
O racionamento terminou em setembro de 1953. Assim, os pesquisadores compararam pessoas que passaram pela restrição de açúcar ainda na gestação e nos primeiros anos de vida com aquelas que nasceram após o fim da medida.
Para isso, os participantes foram divididos em três grupos: pessoas expostas ao racionamento antes do nascimento e durante o primeiro ano de vida; antes do nascimento e até os dois anos de idade; e indivíduos nascidos após o fim do racionamento.
Quando os participantes atingiram idade média de 55 anos, os pesquisadores analisaram registros médicos para identificar diagnósticos de demência.
Entre as 15.025 pessoas que viveram o racionamento antes do nascimento e durante o primeiro ano de vida, 388 desenvolveram demência. No grupo de 15.256 participantes expostos à restrição até os dois anos de idade, foram registrados 456 casos.
Já entre as 23.774 pessoas nascidas após o fim do racionamento, 504 receberam diagnóstico da doença.
Após ajustar fatores que também influenciam o risco de demência, como hipertensão e diabetes, os pesquisadores observaram que quem teve menor exposição ao açúcar antes do nascimento e até o primeiro ano de vida apresentou 21% menos risco de desenvolver demência. Entre aqueles que permaneceram sob restrição até os dois anos de idade, a redução do risco chegou a 23%.
Uma parte dos participantes também realizou exames de imagem cerebral. Segundo os pesquisadores, aqueles que consumiram menos açúcar no início da vida apresentaram maior volume de massa cinzenta e menores sinais de danos ao tecido cerebral quando comparados aos demais participantes.
Embora os resultados indiquem uma associação entre menor consumo de açúcar e menor risco de demência, o estudo reforça que não demonstra uma relação direta de causa e efeito.
Para Jiazhen Zheng, um dos autores do estudo, os resultados destacam a importância da alimentação nos primeiros anos de vida para a saúde cerebral ao longo das décadas.
Segundo ele, reduzir o consumo de açúcares adicionados durante a gravidez e a infância pode ser uma estratégia benéfica para famílias e comunidades. No entanto, os pesquisadores destacam que novos estudos ainda são necessários para compreender como a exposição precoce ao açúcar influencia o risco de demência e orientar futuras políticas de saúde pública.