João Neto, fundador da Solvefy: “Não abandonamos o setor em que atuávamos, mas reorganizamos o modelo de negócios para resolver uma dor real do mercado.” (Solvefy/Divulgação)
Exame Brand Solutions
Publicado em 30 de julho de 2026 às 13h50.
Última atualização em 30 de julho de 2026 às 14h33.
João Neto começou a empreender em 2006, em um quarto de apartamento, com dois estagiários e a meta de faturar R$ 25 mil por mês. O primeiro negócio vendia serviços de telefonia diretamente a empresas.
Dois anos depois, o catarinense decidiu mudar o modelo. Em vez de continuar disputando o cliente final com outras pequenas operadoras, passou a fornecer a infraestrutura necessária para que elas próprias prestassem o serviço.
A virada levou a empresa do varejo para o atacado e abriu caminho para uma operação de escala nacional. Duas décadas depois, a companhia criada por Neto acumula mais de R$ 1 bilhão em faturamento ao longo de sua trajetória e disputa o mercado de comunicação corporativa com grupos globais como a Twilio, a Sinch e a Infobip.
A transformação acompanhou a expansão de um mercado global. Segundo a Juniper Research, as plataformas de comunicação como serviço, conhecidas pela sigla CPaaS, movimentaram US$ 30 bilhões em 2025. A projeção é que a receita do setor cresça 13% em 2026 e supere US$ 34 bilhões.
Ao longo desse período, a telefonia deixou de ser o centro do negócio. A companhia expandiu sua atuação para canais como SMS, WhatsApp, RCS e e-mail e, em 2026, consolidou essa operação sob a marca Solvefy, uma plataforma omnichannel voltada à comunicação entre empresas e consumidores.
“Uma campanha pode alcançar tecnicamente milhões de pessoas e, ainda assim, não produzir nenhum resultado caso o conteúdo não seja relevante ou a abordagem não desperte interesse. Por isso, todo o trabalho da Solvefy é orientado por impacto”, afirma João Neto, fundador da Solvefy.
Quando Neto iniciou a empresa, uma ligação de telefone fixo para celular podia custar mais de R$ 2. Com a tecnologia de voz sobre protocolo de internet, conhecida como VoIP, o preço do mesmo contato caía para cerca de R$ 0,70 ou R$ 0,80.
A redução de custos criava uma oportunidade, mas havia obstáculos. A internet era cara e pouco disponível, as centrais telefônicas analógicas exigiam adaptações e poucas empresas conseguiam realizar a terminação das chamadas, processo que conecta uma ligação à rede de destino.
Naquele período, mais de 2.500 companhias ofereciam serviços semelhantes no país. Neto percebeu que as dificuldades enfrentadas por sua empresa também atingiam boa parte dessas operadoras. A solução foi deixar de competir diretamente com elas e transformá-las em clientes.
“Não abandonamos o setor em que atuávamos, mas reorganizamos o modelo de negócios para resolver uma dor real do mercado”, diz Neto.
A empresa passou a se conectar diretamente com grandes operadoras e a completar as chamadas de outras companhias do setor. Com isso, reduziu a necessidade de visitar clientes, instalar equipamentos e manter estruturas físicas em diferentes localidades. As negociações, integrações e operações podiam ser realizadas remotamente.
O novo formato aumentou o volume processado por contrato e reduziu o custo de aquisição de clientes. Em 2008, a companhia também passou a oferecer a tecnologia no modelo white label, no qual outras operadoras utilizam a estrutura com suas próprias marcas.
A segunda virada de chave veio em 2011, quando a empresa entrou no mercado de SMS corporativo. O canal começava a ser usado em promoções, cupons de desconto e campanhas para recuperar carrinhos abandonados. Depois de alguns anos, a receita do SMS superou a de voz.
A transformação acompanhou uma mudança no comportamento dos consumidores. Com o avanço das chamadas comerciais, atender números desconhecidos tornou-se menos comum. O SMS permitia iniciar o contato sem exigir uma resposta imediata.
Nos anos seguintes, a companhia ampliou sua oferta para outros canais digitais, incluindo WhatsApp, RCS e e-mail, até consolidar essas operações na marca Solvefy.
A plataforma permite organizar diferentes canais em uma mesma jornada. Se o consumidor não responde a uma mensagem, a empresa pode tentar outro meio de contato. Caso receba várias comunicações sem demonstrar interesse, a sequência pode ser interrompida para evitar a saturação.
Para Neto, porém, reunir canais não é suficiente. É preciso avaliar como o consumidor reage aos contatos e identificar o que impede uma campanha de gerar resultados.
Por isso, além de métricas como entrega, abertura e clique, a Solvefy acompanha indicadores ligados ao negócio, entre eles vendas, retenção, faturamento, margem e satisfação. Quando as mensagens não geram o resultado esperado, a análise pode incluir o texto, a abordagem, o público e a sequência dos contatos.
“Um dos valores que carregamos é a empatia resolutiva: não basta compreender a dificuldade do cliente; é necessário assumir uma postura ativa para ajudá-lo a resolvê-la. No fim, comunicar melhor só faz sentido quando isso gera resultados para quem está do outro lado”, diz o fundador.