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Com onda de calor recorde, incêndios florestais devastam o sul da Europa

Cientistas apontam que temperaturas extremas seriam "praticamente impossíveís" sem mudanças climáticas e já deixaram 4.700 mortos no continente neste ano

Incêndio florestal avança nos Pirineus franceses, próximo à fronteira com a Espanha, forçando a evacuação de mais de 10 mil pessoas (AFP)

Incêndio florestal avança nos Pirineus franceses, próximo à fronteira com a Espanha, forçando a evacuação de mais de 10 mil pessoas (AFP)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 6 de julho de 2026 às 12h16.

Última atualização em 6 de julho de 2026 às 12h16.

"Barril de pólvora":foi assim que o ministro do Interior de Portugal descreveu a situação crítica que a Europa enfrenta em pleno verão.

O calor recorde alimenta os incêndios florestais que avançam em Portugal, Espanha, França e Grécia e já somam uma área de 20 mil hectares destruídos.

Nesta segunda-feira, 6, o fogo se alastrou e forçou milhares de pessoas a deixar suas casas às pressas, incluindo mais de 10 mil evacuados apenas na região dos Pirineus franceses.

Diante do risco à segurança, autoridades proibiram a presença de público em uma etapa da Volta da França, mais tradicional competição de ciclismo do mundo.

As chamas se alastram rápido e seguem duas ondas de calor prematuras, em maio e junho, que quebraram recordes de temperatura em toda a Europa Ocidental.

Desde o início do ano já deixaram 4.700 mortos no continente e a previsão é de novo aumento nesta semana, com termômetros chegando a 40°C em algumas regiões e picos de 43°C na Espanha.

Cientistas do World Weather Attribution afirma que as temperaturas extremas registradas em junho seriam "virtualmente impossíveis" sem a crise climática.

Incêndio na França quase triplica de tamanho

Nas remotas encostas dos Pirineus franceses, perto da fronteira com a Espanha, 700 bombeiros lutam para conter um incêndio florestal fora de controle que já devastou 5 mil hectares. Segundo autoridades locais, o fogo quase triplicou de tamanho desde domingo, 5.

"Esta manhã, as condições estão se deteriorando novamente", disse o ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, nesta segunda-feira, de acordo com informações do The Guardian.

Segundo o ministro, o fogo já atinge cinco departamentos franceses, e a área queimada no país nesta temporada é o dobro da registrada no mesmo período do ano passado.

"Chegou a 300 metros das casas. Ficamos chocados com a rapidez com que se alastrou, foi assustador, beirando o pânico", contou Patrice, morador da aldeia de Trévillach, à Agence France-Presse.

Com o avanço das chamas, o prefeito regional Pierre Regnault de la Mothe determinou que espectadores não se aproximem do percurso nem da área de chegada da terceira etapa da Volta da França, que corta os Pirineus entre Espanha e França. A circulação na região ficou restrita a ciclistas e veículos essenciais à prova.

Espanha, Portugal e Grécia também em perigo

Do lado espanhol da fronteira, o fogo já destruiu 2.200 hectares, dos quais 97% dentro da área natural protegida de Les Gavarres.

O incêndio tem perímetro de 40 km, segundo o chefe de operações do corpo de bombeiros catalão, Eduard Martinez. As equipes classificaram o evento climático como estável no fim de domingo, com expectativa de controle total ao longo da semana.

Mais ao sul, na província de Castellón, outro incêndio no Parque Nacional da Serra de Espadán levou à evacuação de mais de 500 pessoas.

Em Portugal, mais de 1.200 bombeiros, apoiados por quase 400 veículos e 15 aeronaves, seguem combatendo um incêndio que começou na última quinta-feira, 2, na região de Vouzela e já consumiu 13 mil hectares.

Espanha e Itália enviaram reforços aéreos e terrestres, e as autoridades informaram nesta segunda-feira que 80% do fogo já está sob controle.

Na Grécia, país que havia sido poupado da onda de calor do mês passado, o fogo destruiu duas fábricas em Salónica, incluindo uma usina de reciclagem, o que levou bombeiros a emitir alertas de evacuação para três bairros e recomendar que moradores permaneçam em casa por conta da fumaça tóxica.

Outro foco de incêndio atinge a floresta de Mandra, na região de Atenas, mobilizando 210 bombeiros, voluntários e 29 aeronaves. Também foram atingidas a ilha croata de Hvar e a localidade de Tale, na Albânia, destruindo vinhedos, matagais e áreas florestais.

Calor recorde por trás das chamas

As chamas se alastram rápido e seguem duas ondas de calor prematuras, em maio e junho, que quebraram recordes de temperatura em toda a Europa Ocidental.

O cenário já havia se manifestado de forma simbólica dias antes, quando um painel sobre os efeitos do calor foi cancelado durante a Semana do Clima de Londres, em meio a relatos de impactos em serviços e transporte no evento que discutia justamente a crise climática.

"As mudanças climáticas já estão aqui, estamos vivendo as consequências e ainda estamos apenas no começo de julho", afirmou o chefe dos bombeiros dos Pirineus Orientais, Eric Belgioino.

"Esta temporada será longa para os bombeiros que combatem os incêndios. Vocês precisam nos ajudar", acrescentou.

O retrato se repete pelas cidades europeias: pessoas se jogam em rios e lagos em busca de alívio imediato, o asfalto deforma sob o peso das altas temperaturas, e serviços públicos entram em colapso.

Em estudo publicado na semana passada, o World Weather Attribution classificou o episódio como o mais severo já registrado na Europa para o mês e o atribuiu diretamente à queima de combustíveis fósseis.

O alerta ecoa outra preocupação que já ronda o calendário esportivo no hemisfério Norte: o risco de incêndios florestais e má qualidade do ar também assolam a Copa do Mundo de 2026, marcada pela exigência de protocolos específicos de calor. 

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