Ciência

Missão da Nasa para salvar telescópio espacial fracassa após falha de espaçonave

Veículo desenvolvido para elevar a órbita do Swift perdeu o controle logo após o lançamento, encerrando uma tentativa inédita de prolongar a vida útil do observatório

Nasa: telescópio espacial de 22 anos deve cair na Terra após falha da operação de resgate (Imagem gerada por IA/EXAME)

Nasa: telescópio espacial de 22 anos deve cair na Terra após falha da operação de resgate (Imagem gerada por IA/EXAME)

Publicado em 21 de agosto de 2026 às 11h06.

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Uma tentativa inédita da Nasa de prolongar a vida útil do Observatório Neil Gehrels Swift terminou em fracasso. A agência espacial anunciou na última quarta-feira, 19, o encerramento da missão de resgate após a espaçonave LINK, desenvolvida pela empresa Katalyst Space, perder o controle pouco depois do lançamento e não conseguir realizar a manobra necessária para elevar a órbita do telescópio.

Sem esse impulso, o Swift deverá reentrar na atmosfera da Terra ainda neste ano, encerrando uma missão que já dura mais de duas décadas.

O que deu errado na missão

A missão foi criada em tempo recorde depois que a Nasa identificou, em 2025, que o aumento da atividade solar havia expandido a atmosfera terrestre. Esse fenômeno elevou o arrasto atmosférico sobre o Swift, fazendo sua órbita diminuir mais rapidamente do que o previsto.

Para evitar a perda do observatório, a agência contratou a startup Katalyst Space, que desenvolveu a espaçonave LINK em cerca de oito meses. O objetivo era realizar uma aproximação inédita, acoplar-se ao telescópio e impulsioná-lo para uma órbita mais alta.

No entanto, logo após o lançamento, em 3 de julho, parte das rodas de reação — equipamentos responsáveis pelo controle da orientação da nave — apresentou falhas. A LINK passou a girar descontroladamente e, apesar de semanas de tentativas para recuperar o controle usando propulsores, a equipe concluiu que não seria possível realizar o encontro com o Swift.

Em comunicado, o diretor da Divisão de Astrofísica da Nasa, Shawn Domagal-Goldman, afirmou que a agência sabia desde o início que se tratava de uma missão de alto risco, desenvolvida em um cronograma extremamente curto devido à rápida deterioração da órbita do telescópio.

Observatório superou em 10 vezes sua vida útil prevista

O Observatório Neil Gehrels Swift foi lançado em 2004 para estudar explosões de raios gama, alguns dos fenômenos mais energéticos do Universo.

Projetado para operar por apenas dois anos, o telescópio permaneceu ativo por mais de 22 anos, tornando-se uma das principais ferramentas da chamada astronomia de domínio temporal, área dedicada ao monitoramento de eventos cósmicos que surgem e desaparecem rapidamente.

Ao longo de sua operação, o Swift participou de descobertas importantes envolvendo explosões estelares, buracos negros e outros fenômenos de alta energia.

Recentemente, por exemplo, o observatório ajudou pesquisadores a estudar um buraco negro supermassivo errante que chamou atenção da comunidade científica ao destruir uma estrela durante sua passagem.

Missão serviria de teste para futuros resgates

Além de salvar o Swift, a missão tinha outro objetivo estratégico: demonstrar que seria possível realizar operações comerciais para prolongar a vida útil de satélites e telescópios científicos antigos.

Segundo a Nasa, a tecnologia poderia abrir caminho para futuras missões semelhantes envolvendo outros equipamentos em órbita, incluindo o Telescópio Espacial Hubble, caso ele enfrente problemas semelhantes no futuro.

Apesar do fracasso da operação, a agência informou que continuará estudando formas de responder rapidamente a eventos astronômicos utilizando a frota atual de observatórios espaciais enquanto avalia novas alternativas para futuras missões de extensão de vida útil.

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