Missão Voyager: atualização no sistema elétrico pode manter as espaçonaves em operação por mais alguns anos (Agence France-Presse/AFP)
Redatora
Publicado em 18 de agosto de 2026 às 12h06.
A Nasa implementou uma nova estratégia para prolongar a vida útil da Voyager 2, uma das duas sondas que exploram o espaço interestelar desde o fim da década de 1970. A atualização reorganizou parte dos sistemas elétricos da espaçonave para reduzir o consumo de energia, permitindo que ela continue operando três instrumentos científicos até a década de 2030. A agência também pretende aplicar a mesma solução na Voyager 1 nos próximos meses.
Segundo comunicado divulgado pela Nasa, a mudança faz parte de um projeto de engenharia apelidado de "Big Bang", desenvolvido por engenheiros do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL). A iniciativa busca compensar a perda gradual de energia das sondas, que já estão em operação há quase 50 anos.
As sondas Voyager 1 e Voyager 2 são alimentadas por geradores termoelétricos de radioisótopos (RTGs), equipamentos que transformam o calor produzido pelo decaimento natural do plutônio em eletricidade.
À medida que o plutônio se desgasta, a geração de energia diminui. Segundo a Nasa, cada sonda perde cerca de 4 watts por ano, reduzindo gradualmente a energia disponível para alimentar equipamentos científicos e sistemas de bordo.
Desde 2024, essa limitação obrigou a missão a desligar dois instrumentos científicos em cada espaçonave. Antes disso, outros equipamentos já haviam sido desativados porque eram utilizados apenas durante a exploração dos planetas gigantes do Sistema Solar.
Sem novas medidas para economizar energia, a Voyager 2 precisaria desligar mais um instrumento científico até o fim de 2026.O projeto "Big Bang" consistiu em desligar simultaneamente alguns dispositivos elétricos e substituí-los por alternativas que consomem menos energia, mantendo ao mesmo tempo a temperatura necessária para o funcionamento seguro da espaçonave.
A agência estima que a economia obtida será suficiente para manter os três instrumentos científicos ainda ativos na Voyager 2 funcionando por pelo menos mais um ano. A mesma estratégia deverá ser aplicada à Voyager 1, que atualmente está mais distante da Terra do que sua sonda gêmea.
Segundo informações do The New York Times, a proposta do projeto "Big Bang" surgiu com o engenheiro David Woerner e passou por cerca de nove meses de análises antes de ser adotada pela equipe da missão.
A implementação ocorreu em três etapas para reduzir riscos. Primeiro, a Voyager 2 operou na nova configuração durante 40 minutos. Depois, permaneceu seis horas nesse modo para confirmar que as temperaturas dos sistemas permaneciam dentro do previsto. Somente após esses testes a mudança foi tornada permanente.
A gerente do projeto Voyager, Suzanne Dodd, afirmou ao jornal que a adoção gradual da nova configuração buscava minimizar a possibilidade de falhas durante uma operação considerada delicada.
A reconfiguração economizou cerca de 10 watts de energia, quantidade que poderá prolongar a operação científica da Voyager 2 em aproximadamente dois anos, até cerca de 2031.As duas sondas são as únicas espaçonaves em funcionamento no espaço interestelar, região localizada além da heliosfera, a bolha de partículas carregadas produzida pelo Sol. A Voyager 1 entrou nessa região em 2012, enquanto a Voyager 2 fez a travessia em 2018.
Mesmo após quase cinco décadas de missão, os instrumentos que permanecem ativos continuam coletando dados sobre partículas, plasma e campos magnéticos em um ambiente que nenhuma outra espaçonave consegue explorar atualmente.
Por isso, prolongar a vida útil das Voyager é considerado estratégico para a comunidade científica. Como nenhuma outra missão deverá alcançar o espaço interestelar nas próximas décadas, as sondas continuam fornecendo observações inéditas sobre uma área do Universo que permanece inacessível para qualquer outra espaçonave.