Ciência

Buraco negro errante 'devora' estrela e brilha como 10 bilhões de sóis

Observatório Swift detectou um objeto supermassivo destruindo uma estrela a mais de 30 mil anos-luz do centro de sua galáxia

Buraco negro: objeto errante foi flagrado destruindo uma estrela longe do centro de sua galáxia (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Buraco negro: objeto errante foi flagrado destruindo uma estrela longe do centro de sua galáxia (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Publicado em 1 de agosto de 2026 às 10h23.

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Astrônomos identificaram um buraco negro supermassivo errante após despedaçar uma estrela em um raro evento de ruptura de maré. A explosão de luz foi tão intensa que, durante alguns meses, brilhou mais do que toda a galáxia onde ocorreu, alcançando um brilho equivalente ao de 10 bilhões de sóis.

A descoberta foi feita com observações do Observatório Neil Gehrels Swift, da Nasa, e descrita em um estudo publicado na revista The Astrophysical Journal Letters.

O objeto chamou a atenção devido estar localizado a mais de 30 mil anos-luz do centro de sua galáxia, uma posição incomum para um buraco negro supermassivo.

Como os cientistas encontraram o buraco negro

Quase todas as galáxias conhecidas abrigam um buraco negro supermassivo em seu centro. Por isso, os astrônomos normalmente procuram eventos de ruptura de maré — quando uma estrela é destruída pela gravidade extrema de um buraco negro — nas regiões centrais das galáxias.

Neste caso, porém, o objeto foi encontrado a mais de 30 mil anos-luz do núcleo da galáxia hospedeira, localizada a cerca de 750 milhões de anos-luz da Terra. Segundo os pesquisadores, nenhum evento desse tipo havia sido confirmado a uma distância tão grande do centro galáctico.

Clarão brilhou mais do que toda a galáxia

A descoberta começou em novembro de 2025, quando o levantamento celeste realizado pelo Zwicky Transient Facility (ZTF) detectou um clarão incomum.

Um algoritmo de inteligência artificial identificou automaticamente que a explosão de luz tinha características compatíveis com um evento de ruptura de maré, apesar da localização inesperada.

Nos meses seguintes, o brilho aumentou continuamente. Em seu pico, a emissão de luz ultravioleta superou temporariamente a luminosidade de toda a galáxia onde o fenômeno ocorreu, alcançando intensidade equivalente à de aproximadamente 10 bilhões de sóis.

Swift confirmou que uma estrela foi destruída

Após a detecção inicial, diversos observatórios passaram a monitorar o objeto. O telescópio SOAR, no Chile, analisou seu espectro e encontrou sinais compatíveis com uma ruptura de maré. Em seguida, o satélite Swift, da Nasa, realizou observações em comprimentos de onda que não podem ser registrados por telescópios terrestres.

O instrumento ultravioleta e óptico do Swift mediu uma temperatura de aproximadamente 30 mil °C para a emissão produzida pela estrela destruída, reforçando a interpretação de que o fenômeno foi causado por um buraco negro supermassivo.

Os pesquisadores estimam que esse buraco negro tenha cerca de 1 milhão de vezes a massa do Sol.

Como um buraco negro foi parar tão longe?

A posição incomum do objeto levantou novas questões sobre sua origem. Uma das hipóteses é que ele pertença a uma pequena galáxia que esteja em processo de fusão com a galáxia maior observada atualmente. Nesse cenário, a estrela destruída faria parte desse sistema menor.

Outra possibilidade é que sucessivas fusões entre galáxias tenham provocado uma interação gravitacional entre diferentes buracos negros supermassivos, lançando o menor deles para a periferia da galáxia.

Descoberta pode revelar novos buracos negros errantes

Os cientistas acreditam que o método utilizado nesta pesquisa poderá ajudar a encontrar outros buracos negros supermassivos que vagam longe dos centros galácticos e permanecem invisíveis até destruírem uma estrela.

Nos próximos anos, levantamentos realizados pelo Observatório Vera C. Rubin e pelo futuro Telescópio Espacial Nancy Grace Roman deverão ampliar significativamente a busca por esses objetos.

A expectativa é que a combinação dessas observações permita identificar muitos outros buracos negros errantes e ajude a compreender com que frequência eles surgem durante a evolução e a fusão de galáxias.

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