Lã de ovelha: queratina extraída do material ajudou na regeneração óssea em animais (Freepik)
Redatora
Publicado em 16 de agosto de 2026 às 16h58.
A lã de ovelha, um material frequentemente descartado pela indústria agropecuária, pode ganhar uma nova aplicação na medicina regenerativa. Pesquisadores do King's College London desenvolveram membranas produzidas a partir da queratina, proteína presente na lã, que estimularam a regeneração de tecido ósseo em experimentos com animais.
Nos testes, o material favoreceu a formação de um osso mais organizado e com estrutura mais próxima da observada em tecidos saudáveis quando comparado às membranas de colágeno, atualmente utilizadas como referência em procedimentos de regeneração óssea.
De acordo com o comunicado divulgado pela instituição, os pesquisadores extraíram a queratina da lã de ovelha e a transformaram em membranas capazes de servir como suporte para o crescimento de novo tecido ósseo.
Inicialmente, o material foi avaliado em laboratório com células ósseas humanas. As células aderiram às membranas e apresentaram sinais associados à formação de osso.
Na etapa seguinte, as membranas foram implantadas em ratos com defeitos no crânio que normalmente não cicatrizariam de forma espontânea. Ao longo do período de acompanhamento, os cientistas avaliaram a capacidade do biomaterial de favorecer o reparo da região lesionada.
O colágeno é amplamente utilizado em aplicações regenerativas, já atua como uma estrutura temporária que protege a área lesionada enquanto o novo tecido se forma.
Segundo os pesquisadores, porém, esse material apresenta limitações, como menor resistência mecânica e degradação relativamente rápida, fatores que podem restringir seu uso em determinadas situações.
Nos experimentos, as membranas de colágeno produziram um volume maior de osso. Já as membranas de queratina deram origem a um tecido com fibras mais organizadas e estruturalmente mais semelhante ao osso saudável.
Além disso, o biomaterial derivado da lã permaneceu estável durante o processo de cicatrização e integrou-se ao tecido ao redor da lesão.
Além do potencial para aplicações médicas, os pesquisadores destacam que a lã representa uma matéria-prima renovável e abundante, frequentemente tratada como resíduo pela agropecuária.
Segundo a equipe, os resultados demonstram, pela primeira vez, que um biomaterial obtido da lã de ovelha foi testado com sucesso em um modelo animal vivo para reparar tecido ósseo.