Envelhecimento cerebral: pesquisadores compararam a idade cronológica dos participantes com estimativas obtidas por ressonância magnética (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)
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Publicado em 30 de setembro de 2026 às 17h07.
Última atualização em 30 de setembro de 2026 às 17h12.
A doença de Alzheimer e o comprometimento cognitivo leve apresentam as associações mais fortes com sinais de envelhecimento cerebral acelerado, segundo um amplo estudo de neuroimagem, liderado por pesquisadores da Universidade de Aeronáutica e Astronáutica de Nanjing, na China, e publicado na revista científica PLOS Medicine.
Para as análises, a pesquisa comparou exames de ressonância magnética de 45.900 pessoas do grupo de controle com dados de outras 2.698 com diferentes condições neurológicas e psiquiátricas ou dependência de álcool e tabaco.
Além das duas condições neurodegenerativas, esquizofrenia, transtorno bipolar, depressão e dependências apresentaram associações com um cérebro aparentemente mais velho. Já TDAH e transtorno do espectro autista (TEA) não mostraram diferenças gerais significativas em relação ao grupo de controle.
Para fazer a comparação, os pesquisadores utilizaram uma medida que estima quanto a aparência do cérebro se distancia do esperado para a idade cronológica de uma pessoa.
A análise parte de exames de imagem para calcular uma idade cerebral estimada. Quando o resultado fica acima da idade real, há indicação de que as características estruturais do cérebro se assemelham às encontradas em pessoas mais velhas.
A equipe aplicou o método a nove condições ou diferenças: TDAH, autismo, dependência de álcool, dependência de tabaco, Alzheimer, comprometimento cognitivo leve, esquizofrenia, transtorno bipolar e transtorno depressivo maior.O objetivo não era apenas verificar a existência de diferenças, mas descobrir se cada condição apresentava um padrão próprio.
Ao analisar áreas específicas, os pesquisadores encontraram diferenças na distribuição dos sinais. O córtex pré-frontal apareceu entre as regiões com alterações em diversos transtornos.
Nas condições psiquiátricas, os valores mais elevados se concentraram nos lobos frontal e temporal. Nos casos de demência, o padrão envolveu principalmente os córtices frontal e occipital. As dependências apresentaram outra distribuição, com alterações na rede de modo padrão, na rede de saliência, no putâmen e no tálamo.
Essas diferenças indicam que um cérebro aparentemente mais envelhecido não apresenta necessariamente as mesmas características em todas as condições analisadas.
A equipe avançou para uma análise da expressão gênica relacionada às regiões cerebrais identificadas. Foram encontradas diferenças na transcrição de genes associadas a condições específicas.
Para os autores, os resultados sugerem que os padrões observados nos exames podem estar relacionados a processos biológicos distintos.
A descoberta abre caminho para investigar por que diferentes transtornos apresentam distribuições específicas das alterações associadas à idade cerebral. Os pesquisadores consideram que essas informações poderão, futuramente, contribuir para a busca por biomarcadores e para a compreensão das vias biológicas envolvidas nessas condições.
Os resultados não significam que Alzheimer, transtornos psiquiátricos ou dependências causem diretamente o envelhecimento acelerado do cérebro. O pesquisadores destacam que o estudo é correlacional e identifica associações entre as condições analisadas e diferenças na idade cerebral estimada.
Outra limitação é que alguns transtornos podem ocorrer simultaneamente. Essa sobreposição é particularmente frequente entre condições psiquiátricas e dependências, o que dificulta determinar separadamente a contribuição de cada uma.
Por isso, os achados ainda precisam ser aprofundados antes que essa medida possa ser utilizada como um marcador para condições cerebrais específicas. Mesmo assim, a descoberta oferece novas pistas para investigar os mecanismos biológicos envolvidos em cada condição.