Ciência

Base espacial do RN volta a lançar foguete em missão de microgravidade

Operação Potiguar 2 usará foguete VS-30 para testar sistema de recuperação e ampliar pesquisas brasileiras no espaço

Operação Potiguar 2: lançamento do foguete VS-30 integra missão para testar plataforma destinada a pesquisas em microgravidade (Divulgação/FAB)

Operação Potiguar 2: lançamento do foguete VS-30 integra missão para testar plataforma destinada a pesquisas em microgravidade (Divulgação/FAB)

Publicado em 9 de setembro de 2026 às 11h52.

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O Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Parnamirim, no Rio Grande do Norte, dará continuidade à Operação Potiguar com uma nova etapa de testes. A Operação Potiguar 2 está prevista para ocorrer até 19 de setembro.

Segundo a Agência Espacial Brasileira (AEB), a atividade terá como principal ação o lançamento da Plataforma Suborbital de Microgravidade (PSM-R) pelo veículo de sondagem VS-30 V16.

O objetivo é testar, em condições reais de voo, o sistema de recuperação da plataforma. Os dados obtidos serão utilizados para avaliar o sistema e desenvolver futuras atividades de pesquisa em ambiente de microgravidade.

Foguete levará plataforma para ambiente de microgravidade

A PSM-R reúne sistemas destinados ao funcionamento da plataforma durante o voo e à sua recuperação. Entre os componentes estão o sistema de recuperação por paraquedas, módulos de experimentos, módulo de serviço e controle e módulo de gás frio.

Também fazem parte da estrutura anéis de balanceamento e um sistema chamado ioiô. Ainda segundo a AEB, o mecanismo auxilia no controle da velocidade de rotação antes da separação da carga útil.

A Operação Potiguar 2 é a segunda fase da atividade. A primeira, realizada em 2024, foi voltada à verificação de procedimentos e sistemas associados ao lançamento.

Agora, a missão avança para o teste em voo do sistema de recuperação da PSM-R. A intenção é verificar o funcionamento do conjunto responsável por permitir que a plataforma seja recuperada após o lançamento.

VS-30 alcança cerca de 100 quilômetros de altitude

O VS-30 é um veículo de sondagem suborbital de um estágio, movido a propelente sólido. Desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), ele é destinado ao transporte de cargas úteis para altitudes superiores a 100 quilômetros.

O foguete é lançado por trilho e possui estabilização aerodinâmica e por rotação. Durante parte do voo, as condições de microgravidade permitem a realização de experimentos científicos e tecnológicos.

Segundo os parâmetros de referência da missão divulgados pela AEB, o VS-30 V16 tem cerca de 9 metros de comprimento e 600 milímetros de diâmetro máximo. A massa total é de aproximadamente 1.600 quilos.

A carga útil tem massa estimada em 401 quilos. As simulações indicam apogeu de aproximadamente 100 quilômetros e alcance de cerca de 90 quilômetros.

Sistema de recuperação será avaliado durante o voo

O foco da Operação Potiguar 2 está no comportamento do sistema de recuperação da PSM-R. A qualificação permitirá verificar se os componentes responsáveis pela recuperação funcionam conforme previsto em condições reais de operação.

A missão envolve atividades antes do lançamento, durante o voo e após o retorno da carga útil. As equipes acompanham os sistemas por meio de recursos de telemetria e rastreamento e analisam os dados obtidos.

O teste integra a retomada dos lançamentos de veículos de sondagem e busca ampliar a capacidade brasileira de desenvolver pesquisas científicas e tecnologias estratégicas.

O veículo utilizado na missão é subordinado ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), da Força Aérea Brasileira. O CLBI participa de atividades de lançamento, rastreamento e acompanhamento de veículos espaciais.

Microgravidade permite estudar materiais e organismos

A microgravidade permite realizar experimentos em condições diferentes das encontradas na superfície terrestre. Esse ambiente pode ser utilizado em pesquisas de materiais, fluidos, combustão e biologia, entre outras áreas.

O Programa Microgravidade da AEB seleciona experimentos científicos e tecnológicos para serem realizados em voos suborbitais e orbitais. A PSM-R está relacionada ao programa e foi desenvolvida para transportar experimentos que dependem desse ambiente.

Segundo a AEB, a recuperação da plataforma também permite retirar equipamentos e experimentos da trajetória de voo para posterior análise. Os resultados podem contribuir para futuras pesquisas e aplicações tecnológicas.

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