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Com R$ 23 bi para investir em IA, Brasil tem orçamento da Índia, mas sem uma nação de engenheiros

Longe da corrida bilionária entre EUA e China, dinheiro público do Brasil em IA fica na mesma faixa que a Índia, país que transformou pouco em uma das maiores comunidades de desenvolvedores do mundo

Narendra Modi em evento de Inteligência Artificial: país investe menos que o Brasil, mas lidera na exportação de talentos técnicos (Getty Images)

Narendra Modi em evento de Inteligência Artificial: país investe menos que o Brasil, mas lidera na exportação de talentos técnicos (Getty Images)

André Lopes
André Lopes

Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 9 de setembro de 2026 às 11h46.

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Em 2024, o Brasil lançou o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), com investimento público previsto de R$ 23 bilhões ao longo de quatro anos, cerca de US$ 4,3 bilhões ao câmbio atual.

Para entender o tamanho desse número, a comparação mais honesta é com outro plano de governo: a Índia aprovou, em 2024, um orçamento nacional de IA de apenas US$ 1,25 bilhão, menos de um terço do valor brasileiro.

Ainda assim, o país já é hoje uma das maiores forças de desenvolvimento de software do mundo, com exportação de talento técnico que antecede em décadas qualquer plano estatal de IA.

Fora dessa comparação direta, o resto do mundo opera em outra escala, mas numa régua diferente: os quatro maiores gigantes de tecnologia americanos devem gastar US$ 695 bilhões só em capex próprio de infraestrutura de IA neste ano, dinheiro de empresa privada construindo ativo para si mesma, não orçamento de governo.

A China soma cerca de US$ 295 bilhões em investimento estatal para data centers nos próximos cinco anos, segundo a Reuters. Esse, sim, é um número público, ainda que mais estreito em escopo que o PBIA, focado quase só em infraestrutura física.

Emirados Árabes (fundo soberano MGX, US$ 100 bi) e França (€109 bi anunciados numa cúpula) somam, principalmente, capital privado e estrangeiro em busca de retorno.

A vantagem indiana

Há, porém, um caso que desmonta a ideia de que "quem gasta mais, ganha": a Índia já reúne 57,5 milhões de desenvolvedores cadastrados no GitHub, a maior comunidade do mundo na plataforma — mais de oito vezes o tamanho da comunidade brasileira, hoje em 6,89 milhões.

É fruto de décadas de exportação de talento técnico para empresas globais, que antecedem em muito qualquer plano estatal de IA. O Brasil, aliás, também cresce rápido nesse quesito, a projeção é chegar a 19,6 milhões de desenvolvedores até 2030, o que colocaria o país em terceiro lugar no ranking global, atrás apenas da própria Índia e dos Estados Unidos.

Uma segunda comparação, essa mais generosa com o Brasil: o orçamento anual do CNPq, principal agência de fomento à pesquisa científica do país, girou em torno de R$ 3 bilhões em 2024.

Os R$ 23 bilhões do PBIA em quatro anos representam, portanto, um salto real de prioridade orçamentária para ciência e tecnologia, mesmo que ainda pareça pequeno ao lado dos gigantes globais.

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