Ciência

Adiamento da Chang’e-7 abre espaço para EUA chegarem antes ao polo sul da Lua

Missão chinesa ficou para 2027, enquanto a Blue Origin tenta reorganizar o cronograma do Blue Moon Mark 1 após a explosão do foguete New Glenn.

China adia Chang’e-7 para 2027 e pode perder liderança na corrida ao polo sul lunar (Paul Hennesy/Anadolu via Getty Images)

China adia Chang’e-7 para 2027 e pode perder liderança na corrida ao polo sul lunar (Paul Hennesy/Anadolu via Getty Images)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 30 de agosto de 2026 às 10h21.

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O adiamento da missão chinesa Chang’e-7 para 2027 abriu espaço para que os Estados Unidos tentem chegar antes da China à região da cratera Shackleton, próxima ao polo sul da Lua. A missão robótica chinesa teve seu lançamento suspenso poucas horas antes da decolagem prevista para o último domingo, 23, e não terá uma nova tentativa neste ano.

A Chang’e-7, desenvolvida pela Casc, corporação espacial estatal da China, e o Blue Moon Mark 1, módulo de pouso da americana Blue Origin em missão para a Nasa, têm como destino áreas próximas à cratera Shackleton. A localização está entre as regiões consideradas nos planos de exploração do polo sul lunar.

Inicialmente, a missão americana tinha lançamento previsto para o segundo semestre de 2026. O cronograma mudou após a explosão do foguete New Glenn, em 28 de maio, na plataforma 36A da Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, na Flórida. A Blue Origin passou a reconstruir a infraestrutura em solo e a realizar modificações para evitar a repetição do acidente.

Com o trabalho necessário após a explosão, o voo inaugural do Blue Moon Mark 1 passou a ser previsto, no mínimo, para o primeiro trimestre de 2027. A alteração havia colocado a Chang’e-7 em posição de alcançar a região antes da missão americana, até que o lançamento chinês também fosse retirado do calendário de 2026.

O adiamento ocorreu durante a passagem do tufão Narra pela região do centro espacial de Wenchang, localizado na ilha de Hainan. A comunicação oficial chinesa, porém, não detalhou a causa específica da decisão. Segundo o comunicado, após uma avaliação, a missão não atendia aos requisitos necessários para o lançamento dentro da janela prevista para este ano.

Não há confirmação de que o tufão tenha sido o único motivo. Também não foram divulgadas informações que permitam atribuir o adiamento a problemas no lançador ou na carga útil da Chang’e-7, composta por um orbitador, um módulo de pouso, um rover, veículo de exploração de superfície, e um equipamento capaz de realizar saltos pelo terreno lunar.

Nova janela coloca missões dos EUA e da China em 2027

O Instituto Nacional de Pesquisa Astronômica da Tailândia (Narit), parceiro internacional da missão, informou que não existem outras janelas disponíveis para o lançamento da Chang’e-7 em 2026. Com isso, tanto a missão chinesa quanto o Blue Moon Mark 1 passaram a ter 2027 como referência para suas próximas tentativas de chegar ao polo sul lunar.

A definição da janela chinesa também depende das condições de iluminação no local planejado para a alunissagem. A Chang’e-7 pretende pousar em uma área que recebe luz solar por mais de cem dias consecutivos, condição considerada no planejamento das operações do módulo de pouso e dos equipamentos de superfície.

Antes da descida, o orbitador deverá realizar meses de sensoriamento da região para fornecer dados destinados à manobra de pouso. Em 2026, o período de maior iluminação do local ocorreria em novembro. Uma condição semelhante voltará a ocorrer em novembro de 2027, segundo as informações disponíveis sobre o planejamento da missão.

Esse calendário permite que uma nova tentativa chinesa aconteça em período próximo ao inicialmente planejado, mas no próximo ano. O cronograma também cria uma janela para que a Blue Origin tente realizar antes a missão do Blue Moon Mark 1 na região de Shackleton.

China e Estados Unidos planejam usar missões robóticas ao polo sul da Lua para obter dados destinados à definição de futuras bases lunares, que poderão receber astronautas em etapas posteriores dos respectivos programas espaciais. A localização dessas estruturas dependerá dos resultados obtidos pelas primeiras missões enviadas à região.

A Nasa já indicou que pretende estabelecer perímetros relacionados às operações de algumas de suas próximas missões robóticas na Lua. Nesse cenário, os dados coletados nas proximidades do polo sul terão participação no planejamento das áreas destinadas às futuras operações de superfície.

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