Ciência

Elevador espacial: como cientistas querem ligar a Terra ao espaço por um cabo de 106 mil km

Consórcio internacional aponta o grafeno policristalino como material promissor para construir o cabo que transportaria pessoas e cargas para fora do planeta

Elevador de 106 mil km pode ligar a Terra ao espaço (Redes sociais/Reprodução)

Elevador de 106 mil km pode ligar a Terra ao espaço (Redes sociais/Reprodução)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 3 de setembro de 2026 às 15h50.

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Um projeto de elevador espacial capaz de conectar a superfície da Terra ao espaço pode estar mais próximo de sair do papel. Segundo o New York Post, avanços na produção de novos materiais podem ajudar a superar um dos principais obstáculos enfrentados pela proposta, estudada por pesquisadores há décadas.

O conceito prevê a construção de uma estrutura com cerca de 106 mil quilômetros de extensão. Por meio dela, veículos poderiam transportar pessoas, cargas e equipamentos para além da atmosfera terrestre sem depender exclusivamente de lançamentos convencionais de foguetes.

Até agora, a inexistência de um material simultaneamente leve e resistente para formar o cabo de sustentação impediu que a ideia avançasse. O Consórcio Internacional de Elevadores Espaciais (ISEC, na sigla em inglês), porém, acredita ter identificado uma alternativa.

Em reportagem publicada nesta segunda-feira, 31, o jornal americano afirma que o consórcio encontrou seu “candidato mais promissor até o momento” para a fabricação do cabo: o grafeno policristalino, material bidimensional que já possui aplicações na indústria eletrônica.

“O grafeno é basicamente um cristal único e intacto de átomos de grafite de lápis comum, considerado há muito tempo um candidato ideal para esse tipo de projeto”, diz um trecho da matéria. “O policristalino se refere a um processo de fragmentação que torna a molécula mais escalável.”

De acordo com os pesquisadores, o material é “incrivelmente resistente” e também vem sendo estudado para a produção de coletes à prova de balas. Um experimento citado pelo jornal aponta que uma única camada seria capaz de deter um disparo de calibre .38.

A proposta do ISEC é reunir milhares dessas estruturas para formar um extenso cabo de amarração. Apesar das dimensões, ele seria praticamente invisível para quem estivesse na superfície.

“Cada fio de amarração seria, na verdade, uma única molécula — com a espessura de um átomo, 1,5 metro de largura e 100 mil quilômetros de comprimento — estendendo-se de um ‘porto terrestre’ na superfície, que terá que ser no Equador, até um espaçoporto de ‘âncora no ápice’ bem além da órbita geoestacionária”, diz o New York Post.

 

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Segundo o consórcio, a estrutura funcionaria como uma infraestrutura permanente de transporte espacial, com potencial para reduzir custos operacionais e facilitar missões para destinos mais distantes.

“Os elevadores espaciais modernos serão revolucionários, pois, ao explorarem seu potencial, permitirão o acesso ao cinturão geoestacionário, à Lua, a Marte e além. Esses elevadores espaciais são infraestruturas de transporte permanentes, compostas por um cabo que conecta a superfície da Terra a um contrapeso (âncora no ápice) no espaço. Eles proporcionarão um método de alto rendimento para o transporte de cargas para o espaço a baixo custo operacional, bem como o lançamento de naves para o espaço interplanetário sem a necessidade de combustível de foguete.”

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