Ciência

Ozempic, Mounjaro e Wegovy: estudo aponta risco raro de perda súbita de visão

Pesquisa identificou de três a quatro casos adicionais de uma condição ocular a cada 10 mil pacientes tratados durante 18 meses

Semaglutida: estudo investigou associação de medicamentos GLP-1 com condição rara que afeta o nervo óptico (Freepik)

Semaglutida: estudo investigou associação de medicamentos GLP-1 com condição rara que afeta o nervo óptico (Freepik)

Publicado em 17 de outubro de 2026 às 07h00.

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Medicamentos utilizados no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, como Ozempic, Wegovy, Mounjaro e Zepbound, foram associados a um pequeno aumento no risco de uma doença ocular capaz de provocar perda súbita e potencialmente permanente da visão.

A conclusão é de um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Rutgers, nos Estados Unidos, e publicado na revista científica Annals of Internal Medicine.

A análise identificou aproximadamente três a quatro casos adicionais de neuropatia óptica isquêmica a cada 10 mil pacientes tratados com medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1 durante 18 meses.

Apesar do resultado, os pesquisadores ressaltam que a condição é rara e que os dados não comprovam uma relação direta de causa e efeito entre o uso dos medicamentos e a perda de visão.

O que o estudo descobriu?

Os pesquisadores analisaram registros de um amplo banco de dados de adultos americanos com diabetes tipo 2, com idades entre 18 e 65 anos. A investigação acompanhou pacientes que haviam iniciado recentemente tratamentos para controlar a doença, incluindo medicamentos que atuam sobre o receptor de GLP-1.

Entre os princípios ativos avaliados estão a semaglutida, presente no Ozempic e no Wegovy, e a tirzepatida, utilizada no Mounjaro e no Zepbound. Os resultados apontaram uma associação entre o uso desses tratamentos e um aumento discreto na ocorrência de neuropatia óptica isquêmica.

Em comunicado da Universidade Rutgers, Chintan Dave, principal autor do estudo, destacou que a elevação do risco foi pequena, mas merece atenção devido à possibilidade de danos permanentes à visão.

O pesquisador também ressaltou a importância do acompanhamento da segurança desses medicamentos, sobretudo diante da expansão de seu uso.

O que é neuropatia óptica isquêmica?

A neuropatia óptica isquêmica ocorre quando há uma redução do fluxo sanguíneo responsável por irrigar o nervo óptico. Essa estrutura transmite as informações visuais dos olhos ao cérebro. Quando o fornecimento de sangue é insuficiente, o nervo pode sofrer danos que comprometem a visão.

A forma anterior não arterítica representa mais de 80% dos casos da doença, segundo os dados apresentados pelos pesquisadores. O quadro pode provocar perda visual repentina, geralmente em um dos olhos, sem necessariamente causar cegueira completa.

Entre os sintomas estão visão embaçada, escurecimento repentino e áreas ausentes no campo visual.

A perda de visão costuma ser permanente. Aproximadamente um terço dos pacientes apresenta alguma recuperação, principalmente nos primeiros seis meses, mas podem permanecer limitações visuais.

Quem apresentou maior risco?

No estudo, os casos de neuropatia óptica isquêmica foram mais frequentes entre homens e participantes de 50 a 65 anos. Segundo Dave, esse padrão reforça a importância de reconhecer rapidamente alterações na visão, sobretudo entre pessoas que já apresentam fatores de risco para a condição.

Os resultados, porém, não significam que todos os usuários desses medicamentos tenham a mesma probabilidade de desenvolver o problema.

O risco individual também pode ser influenciado por condições de saúde preexistentes e outros fatores que não foram completamente esclarecidos pela pesquisa.

Ozempic e Mounjaro causam perda de visão?

O estudo não demonstrou que os medicamentos provoquem diretamente a doença ocular. Por se tratar de uma análise de dados de pacientes, os resultados mostram uma associação estatística, mas não permitem estabelecer que o tratamento tenha sido a causa dos episódios.

Os próprios pesquisadores reconhecem que diferenças nas condições clínicas dos participantes podem ter influenciado os resultados. Com isso, novas investigações serão necessárias para esclarecer os mecanismos envolvidos e determinar se existe uma relação causal.

Por enquanto, a orientação destacada pelos autores é procurar avaliação oftalmológica imediata diante de qualquer perda súbita de visão. O estudo não estabelece que pacientes devam interromper o tratamento por conta própria. Mudanças no uso desses medicamentos devem ser discutidas com o profissional responsável pela prescrição.

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