Perseverance: rover da Nasa superou a distância percorrida pelo Opportunity (MARK GARLICK/SCIENCE PHOTO LIBRARY/Getty Images)
Redatora
Publicado em 13 de outubro de 2026 às 18h36.
O rover Perseverance, da Nasa, ultrapassou 45 quilômetros percorridos em Marte e bateu o recorde de distância acumulada por um veículo em outro planeta. A marca foi alcançada no último domingo, 11, pouco mais de cinco anos após o pouso na Cratera Jezero, em fevereiro de 2021.
O Perseverance superou o recorde do Opportunity, que operou no planeta entre 2004 e 2018. A nova marca foi confirmada na segunda-feira, 12, pelo Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), centro da Nasa responsável pela operação do rover.
Antes do lançamento, a agência havia certificado o Perseverance para percorrer 20 quilômetros. Com o desempenho registrado desde 2021, a equipe trabalha agora para ampliar essa distância para 100 quilômetros.
A equipe esperava que o Perseverance atingisse o recorde ainda em agosto. O trajeto, porém, mudou depois que o rover encontrou um conjunto de rochas claras que chamou a atenção dos pesquisadores. O veículo permaneceu cerca de dois meses estudando o material antes de retomar o deslocamento.
As rochas estão em uma região conhecida como Lac de Charmes, fora da Cratera Jezero, onde o Perseverance investiga materiais com aproximadamente 4 bilhões de anos.
Segundo cientistas da missão destacados pelo The New York Times, essas rochas podem preservar informações sobre os primeiros 500 milhões de anos da história do Sistema Solar.
Grande parte da crosta marciana é composta por basalto, uma rocha vulcânica de granulação fina e tonalidade escura. Por isso, materiais de coloração mais clara despertaram o interesse da equipe.
As análises indicaram que algumas dessas rochas são gabros, materiais vulcânicos de granulação mais grossa e composição semelhante à do basalto.
Esse tipo de rocha provavelmente se formou em maiores profundidades. Nessas condições, o magma esfria mais lentamente, permitindo o desenvolvimento de cristais maiores.
De acordo com pesquisadores da missão, as rochas também apresentam evidências de derretimento e choques intensos. Essas características são compatíveis com materiais muito antigos da crosta de Marte.
Uma das hipóteses é que os blocos tenham sido afetados por três impactos distintos de meteoritos ao longo da história do planeta. O primeiro teria derretido parte da crosta e produzido o gabro. Outro impacto teria provocado novos derretimentos e marcas de choque. Um terceiro poderia ter lançado os blocos até a localização atual, nos arredores de Jezero.Segundo o NYT, o Perseverance tentou perfurar uma dessas rochas para coletar uma amostra, mas o material era duro demais.
O rover iniciou sua missão na Cratera Jezero, uma depressão com cerca de 48 quilômetros de largura que abrigou um lago no passado. A região foi escolhida pela Nasa por apresentar condições favoráveis à preservação de informações sobre antigos ambientes marcianos e possíveis vestígios de vida passada.
Depois de explorar o fundo da cratera, o Perseverance chegou, em abril de 2022, ao delta formado por um antigo rio. Desde então, o veículo subiu as encostas de Jezero, deixou a cratera e passou a investigar terrenos mais antigos nos arredores.
O rover também utiliza um sistema de navegação autônoma para percorrer a superfície marciana. A tecnologia permite escolher rotas e contornar obstáculos sem depender de instruções detalhadas enviadas da Terra para cada movimento.
Essa capacidade representa um avanço em relação aos primeiros veículos enviados ao planeta. O Sojourner, primeiro rover da Nasa em Marte, percorreu apenas 103 metros durante sua missão, em 1997.
Os mais de 45 quilômetros registrados podem representar apenas parte da trajetória do Perseverance em Marte. Antes do lançamento, a Nasa havia certificado o veículo para percorrer 20 quilômetros. O desempenho desde 2021 levou a equipe a trabalhar na ampliação dessa certificação para 100 quilômetros.
A agência ainda não definiu qual será o destino do rover após a conclusão das análises na região de Lac de Charmes. Também permanece indefinido o futuro das amostras de rochas armazenadas pelo Perseverance.
O Mars Sample Return, projeto desenvolvido com a Agência Espacial Europeia (ESA) para transportar o material à Terra, foi cancelado após enfrentar aumento de custos e dificuldades técnicas. A Nasa avalia alternativas para recuperar as amostras, incluindo possíveis parcerias comerciais, mas ainda não anunciou um novo plano.