Ciência

A Terra pode estar perdendo mensagens alienígenas — e a 'culpa' é das estrelas

Pesquisa aponta que plasma turbulento e ventos estelares podem mascarar transmissões antes que elas sejam detectadas

Sinais alienígenas: nova hipótese propõe uma explicação para o aparente 'silêncio do universo' (Imagem gerada por IA/EXAME)

Sinais alienígenas: nova hipótese propõe uma explicação para o aparente 'silêncio do universo' (Imagem gerada por IA/EXAME)

Publicado em 20 de junho de 2026 às 08h12.

Sinais de possíveis civilizações extraterrestres podem já ter chegado à Terra sem serem identificados. Um estudo do Instituto SETI sugere que a atividade de estrelas distantes pode distorcer transmissões de rádio antes mesmo que elas escapem de seus sistemas planetários, tornando sua detecção muito mais difícil.

A pesquisa foi publicada no periódico The Astrophysical Journal e analisa como o ambiente ao redor de estrelas pode alterar sinais tecnológicos, conhecidos como tecnoassinaturas. Segundo os autores, o problema pode não estar na ausência de transmissões extraterrestres, mas na forma como esses sinais chegam até a Terra.

Como as estrelas podem esconder sinais alienígenas

Grande parte dos programas de busca por inteligência extraterrestre procura sinais de rádio extremamente estreitos. Esse tipo de transmissão é considerado um possível indicativo de tecnologia avançada porque dificilmente seria produzido por fenômenos naturais do Universo.

No entanto, o novo estudo sugere que essas transmissões podem sofrer alterações antes mesmo de deixarem o sistema estelar onde foram geradas. Os pesquisadores apontam que ventos estelares, plasma turbulento e ejeções de massa coronal podem espalhar a energia do sinal por uma faixa mais ampla de frequências.

Quando isso acontece, o pico estreito procurado pelos radiotelescópios se torna mais fraco e mais difícil de identificar. Segundo a equipe, um sinal pode existir e ainda assim ficar abaixo dos limites de detecção utilizados em muitas buscas atuais.

Como foi feito o estudo

Para entender a intensidade desse efeito, os pesquisadores utilizaram transmissões de rádio de espaçonaves que operam dentro do Sistema Solar. Esses sinais serviram como referência para medir de que forma o plasma influencia ondas de rádio de banda estreita.

Com base nessas observações, os cientistas criaram modelos capazes de estimar o impacto do fenômeno em diferentes tipos de estrelas. A análise permitiu calcular quanto uma transmissão poderia ser ampliada antes de escapar de seu sistema de origem.

Segundo os autores, isso fornece uma ferramenta prática para avaliar quais ambientes estelares podem dificultar a detecção de possíveis tecnoassinaturas.

Estrelas anãs M podem representar um desafio maior

O estudo destaca especialmente as estrelas anãs M. Esses astros representam cerca de 75% das estrelas da Via Láctea e são conhecidos por apresentarem intensa atividade magnética e frequentes tempestades estelares.

De acordo com os pesquisadores, esse ambiente pode ampliar significativamente o espalhamento dos sinais de rádio. Isso significa que eventuais transmissões originadas em planetas que orbitam anãs M podem chegar à Terra muito diferentes da forma como foram emitidas.

Como consequência, estratégias tradicionais de busca podem não ser suficientes para identificá-las.

O que muda para a busca por vida extraterrestre

Os autores defendem que futuros programas SETI devem ampliar os critérios utilizados para procurar sinais artificiais. Em vez de focar apenas em transmissões extremamente estreitas, os sistemas de busca também poderiam considerar sinais mais largos e dispersos.

Segundo os pesquisadores, compreender como a atividade estelar modifica as ondas de rádio permite desenvolver estratégias mais próximas das condições reais enfrentadas pelos sinais durante sua viagem pelo espaço.

Além disso, o estudo acrescenta uma nova variável ao chamado paradoxo de Fermi, que questiona por que ainda não encontramos evidências claras de civilizações extraterrestres apesar da enorme quantidade de estrelas e planetas existentes na galáxia.

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