Ciência

Cientistas encontram 'cinzas' de explosão estelar antiga perto da Terra

Estudo identificou ferro radioativo de explosões estelares em gelo da Antártida com até 80 mil anos

Supernova: descoberta sugere que o Sistema Solar atravessa nuvem de detritos cósmicos (Getty Images)

Supernova: descoberta sugere que o Sistema Solar atravessa nuvem de detritos cósmicos (Getty Images)

Publicado em 17 de maio de 2026 às 11h23.

A Terra pode estar 'encontrando' os restos de uma antiga explosão estelar. Cientistas encontraram no gelo da Antártida sinais de ferro-60, um isótopo radioativo raro formado durante supernovas. O achado reforça a hipótese de que o Sistema Solar cruza atualmente uma nuvem de material deixado por uma estrela destruída há milhões de anos.

O estudo foi conduzido por pesquisadores do Helmholtz-Zentrum Dresden-Rossendorf, na Alemanha, e publicado na revista científica Physical Review Letters. As análises utilizaram amostras de gelo antártico formadas entre 40 mil e 80 mil anos atrás.

Segundo os cientistas, o ferro-60 funciona como uma espécie de “assinatura cósmica”, já que esse material é produzido no interior de estrelas massivas e lançado no espaço durante explosões de supernovas.

Como o gelo preservou 'cinzas' de supernova

Os pesquisadores explicam que o gelo da Antártida funciona como um arquivo natural da história do planeta e do espaço ao redor da Terra. Ao analisar amostras profundas retiradas do continente antártico, a equipe encontrou traços de ferro-60 preservados em diferentes camadas do gelo.

Segundo o físico Dominik Koll, um dos autores do estudo, a descoberta reforça a hipótese de que a chamada Nuvem Interestelar Local — região de gás e poeira que envolve atualmente o Sistema Solar — contém resíduos de antigas supernovas.

Os cientistas acreditam que a Terra atravessa essa nuvem interestelar há dezenas de milhares de anos.

Sistema Solar pode estar perto de nuvem cósmica

De acordo com os pesquisadores, o Sistema Solar provavelmente entrou na Nuvem Interestelar Local há milhares de anos e deverá sair dela no futuro. As análises indicam que a quantidade de ferro-60 encontrada no gelo entre 40 mil e 80 mil anos atrás era menor do que a detectada atualmente.

Segundo a equipe, isso pode indicar mudanças na densidade da nuvem interestelar ou diferenças na quantidade de material radioativo presente na região atravessada pelo Sistema Solar ao longo do tempo.

Os cientistas afirmam que as variações observadas aconteceram em períodos relativamente curtos para escalas astronômicas.

O estudo também ajudou os pesquisadores a descartar hipóteses anteriores de que o ferro-60 encontrado na Terra seria apenas resquício disperso de explosões muito antigas.

Segundo a equipe, o comportamento do material radioativo encontrado nas amostras indica uma relação mais direta com a nuvem interestelar que envolve atualmente a região ao redor do Sol.

Para realizar a pesquisa, os cientistas transportaram cerca de 300 quilos de gelo da Antártida para laboratórios na Alemanha. Após processos químicos complexos, restaram apenas pequenas quantidades de poeira contendo os raros átomos de ferro-60 analisados no estudo.

Pistas sobre região galáctica

Diante disso, os pesquisadores afirmam que a descoberta abre novas possibilidades para compreender a origem e a composição da região do espaço atravessada pelo Sistema Solar.

Além disso, os resultados também ajudam a reconstruir a história de explosões estelares próximas da Terra e a evolução da chamada vizinhança galáctica.

A equipe agora pretende investigar amostras de gelo ainda mais antigas para analisar períodos anteriores à entrada do Sistema Solar na Nuvem Interestelar Local.

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