Amazônia: armadilhas instaladas do solo à copa das árvores ajudam cientistas a mapear a biodiversidade de insetos da floresta (Larissa Queiroz/BioInsecta)
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Publicado em 9 de agosto de 2026 às 07h58.
Uma área de apenas 10 mil hectares da Amazônia central pode abrigar cerca de 40 mil espécies de insetos, muitas delas ainda desconhecidas pela ciência. A estimativa faz parte do maior levantamento já realizado sobre a biodiversidade de insetos na floresta amazônica, que reúne centenas de pesquisadores brasileiros para catalogar espécies desde o solo até a copa das árvores.
Os dados preliminares do projeto indicam que esse único local pode concentrar quase 0,7% das cerca de 6 milhões de espécies de insetos estimadas em todo o planeta. Segundo os pesquisadores, esse número pode crescer rapidamente à medida que outras regiões da Amazônia forem estudadas.
Os primeiros resultados foram apresentados durante o encontro anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Niterói, e divulgados pela revista Nature. A iniciativa é liderada por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e da Universidade de São Paulo (USP).
O estudo utiliza uma estratégia inédita para amostrar insetos em diferentes alturas da floresta.
Os pesquisadores instalaram três conjuntos de armadilhas em uma área de 10 mil hectares da Amazônia central. Cada conjunto possui cinco armadilhas posicionadas em diferentes níveis, desde o solo até aproximadamente 30 metros de altura, permitindo coletar espécies que vivem em diferentes camadas da floresta.
Os insetos capturados caem em recipientes com etanol, que preserva o DNA para análises posteriores. Além das armadilhas permanentes, a equipe realizou uma grande campanha de coleta utilizando cerca de 50 métodos diferentes, incluindo armadilhas luminosas para insetos noturnos e iscas com carne em decomposição para atrair moscas e besouros necrófagos.
Ao todo, os pesquisadores já reuniram aproximadamente 5,5 milhões de espécimes.
Dos milhões de insetos coletados, cerca de 600 mil terão parte do DNA sequenciada. O projeto utiliza o chamado código de barras de DNA, técnica que identifica espécies a partir de pequenos trechos do material genético e acelera o trabalho de catalogação da biodiversidade.
Os dados genéticos serão analisados em conjunto com as características físicas dos animais por uma rede formada por quase 400 taxonomistas.
Quando uma espécie ainda não descrita for confirmada, os cientistas serão responsáveis por fazer sua descrição científica e atribuir um nome oficial.
Entre os grupos mais abundantes encontrados estão as moscas-das-galhas (família Cecidomyiidae).
Segundo os pesquisadores, aproximadamente 6.900 espécies dessa família foram descritas em todo o mundo ao longo dos últimos 250 anos. No entanto, apenas o material coletado em uma das armadilhas do projeto já reúne cerca de 10 mil espécies, evidenciando o quanto a diversidade da Amazônia ainda é pouco conhecida.
Os exemplares encontrados variam desde pequenas vespas parasitoides com menos de um milímetro de comprimento até grandes grilos predadores com mais de 10 centímetros.