Ciência

Insetos sentem dor? Estudo com grilos traz novas evidências

Cientistas observaram que grilos passaram a limpar e proteger antenas lesionadas após exposição ao calor

Grilo: pesquisadores observaram comportamento associado à autoproteção após lesão (Getty Images)

Grilo: pesquisadores observaram comportamento associado à autoproteção após lesão (Getty Images)

Publicado em 19 de maio de 2026 às 10h55.

Grilos submetidos a estímulos térmicos passaram a limpar e proteger repetidamente antenas lesionadas, comportamento que cientistas associam à experiência de dor em animais. A descoberta foi publicada na revista científica Proceedings of the Royal Society e reacendeu discussões sobre consciência em insetos.

O estudo foi conduzido por pesquisadores da University of Sydney, que analisaram dezenas de grilos divididos em três grupos experimentais.

Em um dos testes, os insetos receberam o toque de uma sonda aquecida a 65 °C em uma das antenas. Outro grupo foi exposto à mesma sonda em temperatura ambiente, enquanto o terceiro não passou por nenhum estímulo térmico.

Segundo os cientistas, apenas os grilos expostos ao calor passaram a limpar e proteger de forma persistente a região atingida. O entomologista Thomas White afirmou ao The Guardian que os insetos direcionavam atenção especificamente à antena lesionada, comportamento considerado diferente de uma simples agitação.

Cientistas discutem possibilidade de dor em insetos

Segundo os autores, a reação observada se encaixa no conceito de “autoproteção flexível”, apontado por pesquisadores como um possível sinal de experiência dolorosa em animais.

Diferentemente de um reflexo imediato, esse tipo de comportamento envolve respostas prolongadas e direcionadas para proteger uma área lesionada.

O debate sobre consciência em insetos vem crescendo nos últimos anos. Estudos anteriores já apontaram comportamentos complexos em espécies como abelhas e zangões.

Debate pode influenciar discussões sobre bem-estar animal

A pesquisa também reforça discussões mais amplas sobre consciência animal e proteção de espécies invertebradas. Em 2024, a New York Declaration on Animal Consciousness afirmou existir uma “possibilidade realista” de experiências conscientes em diversos invertebrados, incluindo insetos.

Especialistas acreditam que estudos desse tipo podem influenciar debates futuros sobre bem-estar animal, sobretudo diante do crescimento da criação de insetos para alimentação humana, produção de ração e pesquisas científicas.

Apesar das novas evidências, cientistas afirmam que a possibilidade de insetos sentirem dor ainda divide a comunidade científica. Segundo especialistas, compreender experiências conscientes em espécies muito diferentes dos humanos continua sendo um dos maiores desafios da biologia e da neurociência animal.

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