Relógios de luxo de diferentes marcas e segmentos, categoria que registrou crescimento médio de 29,7% nas vendas por loja nos Estados Unidos nos primeiros cinco meses de 2026, segundo o Luxury Watch Barometer (Divulgação)
Jonalista colaborador
Publicado em 24 de junho de 2026 às 10h01.
As vendas de relógios nos Estados Unidos cresceram 29,7% nos cinco primeiros meses de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados do Luxury Watch Barometer, plataforma que agrega informações diretamente dos sistemas de ponto de venda de milhares de varejistas americanos.
O crescimento não só se manteve como acelerou ao longo dos meses: 28,9% no primeiro trimestre, 26,3% em abril e 32,1% em maio.
A desaceleração de abril tem uma explicação direta. O mês foi comparado a abril de 2025, quando os consumidores correram às lojas logo após o anúncio das tarifas de Trump, criando uma base de comparação artificialmente alta. Com esse efeito diluído, maio voltou a mostrar o ritmo real do mercado.
O segmento Luxury, que reúne marcas como Breitling, Cartier, IWC, Omega e Tudor, registrou a alta mais expressiva: 32,8% nas vendas médias por loja.
O segmento Prestige, dominado pela Patek Philippe, cresceu 27,8% no mesmo indicador, mesmo com o volume de unidades vendidas por loja subindo apenas 3,9%. A diferença se explica pelo ticket médio: os consumidores pagaram mais de US$ 59 mil por relógio em 2026, contra US$ 50.220 em maio do ano passado, um salto de quase 18%.
Os dados do Luxury Watch Barometer não incluem Audemars Piguet, Rolex e Richard Mille.
Um dado do lado da oferta reforça a leitura positiva do mercado. Segundo a Federação da Indústria Relojoeira Suíça, as exportações suíças para os Estados Unidos caíram 18,5% entre janeiro e maio de 2026.
Num primeiro momento, o número parece contraditório com o crescimento das vendas. A explicação é que o estoque que já estava em território americano está sendo absorvido pelos consumidores mais rápido do que está sendo reabastecido, o que tende a pressionar preços e criar escassez em algumas referências ao longo do segundo semestre.
O apetite do consumidor americano por relógios de luxo tem sido sustentado, em parte, pelo desempenho das bolsas de valores, com recordes puxados sobretudo pelo setor de tecnologia ligado à inteligência artificial. Com o patrimônio financeiro das famílias de alta renda em expansão, os gastos com bens de luxo tendem a acompanhar.