Tecnologia

79% dos ataques de ransomware já começam por uma identidade roubada, diz Sophos

Pela 1ª vez em quatro anos, as falhas de software deixam de ser a principal porta de entrada, e o roubo de credenciais assume a liderança, aponta relatório com 17 países

Ransomware: identidades comprometidas se tornam a principal porta de entrada para ataques digitais (Imagem gerada por IA/Exame)

Ransomware: identidades comprometidas se tornam a principal porta de entrada para ataques digitais (Imagem gerada por IA/Exame)

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 15 de julho de 2026 às 08h01.

Quatro em cada cinco ataques de ransomware (sequestros digitais de dados) já começam com uma identidade comprometida, como um login ou uma senha roubada, segundo o sétimo relatório anual State of Ransomware, da empresa de cibersegurança Sophos.

A empresa aponta que 79% das invasões partem hoje de credenciais válidas obtidas por criminosos, uma virada no método dos ataques.

Pela primeira vez em quatro anos, as vulnerabilidades de software exploradas deixam de ser a causa raiz mais comum das invasões.

No lugar estão os e-mails maliciosos, responsáveis por 26% dos casos, e o phishing (as mensagens fraudulentas que enganam o usuário), com 24%.

A identidade vira a nova porta de entrada

A mudança mostra que os invasores passaram a enxergar a identidade como peça central para entregar o ransomware. Entre as organizações atingidas, dois terços (67%) confirmaram que o incidente foi também o ataque de identidade mais grave que já sofreram.

Um dado chama a atenção sobre os limites das defesas atuais. A autenticação multifator (MFA, na sigla em inglês), considerada uma das principais barreiras contra invasões, estava implementada, em alguma medida, em 97% dos incidentes em que credenciais comprometidas foram a causa principal.

Para a Sophos, isso mostra que a MFA, sozinha, não basta — e que falhas em sua cobertura ampliam a exposição.

O papel crescente da inteligência artificial

O relatório associa a evolução dos ataques ao uso incipiente de inteligência artificial (IA) pelos criminosos.

"À medida que observamos os criminosos de ransomware experimentarem o uso de inteligência artificial, essa tecnologia tem o potencial de acelerar sua capacidade de roubar ativos valiosos", afirma Ross McKerchar, diretor de segurança da informação (CISO) da Sophos.

Segundo o executivo, a disseminação de modelos abertos de IA sem mecanismos robustos de proteção tende a ampliar a vantagem dos invasores na identificação de falhas.

A recomendação é que as empresas não dependam apenas da correção de sistemas, mas reduzam sua superfície de exposição e reforcem a proteção dos dispositivos.

Quanto custa e como as empresas reagem

O impacto financeiro segue alto. O custo médio de recuperação após um ataque subiu e chegou a US$ 1,7 milhão por incidente. Entre os países analisados, o Reino Unido registrou a maior demanda mediana de resgate, com US$ 2,5 milhões.

Há, porém, sinais de que as organizações reagem melhor. Mais da metade (55%) consegue se recuperar de um ataque em até uma semana, e 16% retomam as operações em menos de um dia.

A demanda mediana de resgate caiu 65% nos últimos dois anos, e a proporção de empresas que pagaram para recuperar dados recuou para 48%, a segunda menor taxa já registrada.

Empresas menores são as mais vulneráveis

O tamanho da organização faz diferença na capacidade de defesa. Apenas 34% das pequenas empresas, com 100 a 250 funcionários, conseguiram interromper os ataques antes da fase de criptografia ou extorsão — índice bem inferior aos 46% das companhias com 3.001 a 5.000 funcionários.

No geral, 56% das organizações atingidas tiveram os dados criptografados, alta que reverteu uma tendência de queda de dois anos.

O levantamento foi conduzido pela consultoria Vanson Bourne, a pedido da Sophos, no primeiro trimestre de 2026, com 2.158 tomadores de decisão de TI e cibersegurança em 17 países, incluindo o Brasil.

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