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A fabricante de cuecas que abriu capital em Paris

A Le Slip Français, fundada em 2011, defende a fabricação local como resposta a gigantes como Shein e Temu

Meias produzidas na fábrica da Le Slip Français, na França, com o logo característico da marca (Divulgação)

Meias produzidas na fábrica da Le Slip Français, na França, com o logo característico da marca (Divulgação)

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 14 de julho de 2026 às 11h58.

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A Le Slip Français estreou nesta semana na bolsa de valores de Paris, na Euronext Growth Paris. A empresa francesa de roupas íntimas aposta que consumidores estão dispostos a pagar mais por peças fabricadas localmente, mesmo em um mercado pressionado por marcas de fast fashion como Shein e Temu.

A companhia foi fundada em 2011 pelo empresário Guillaume Gibault com o objetivo de provar que a fabricação têxtil na França ainda era viável. Desde então, ampliou o catálogo além das cuecas masculinas, passando a produzir roupas íntimas femininas, camisetas, meias e moda praia.

Quinze anos de aposta

Em entrevista à CNBC, Gibault comentou o momento da empresa. "Foi uma aposta há quinze anos, provar que era possível fabricar roupas na França", disse o CEO. "Hoje, a empresa está prestes a abrir capital, então é uma grande fonte de alegria e orgulho para nós."

O IPO chega depois de um ano que Gibault descreveu como forte para os negócios. A Le Slip Français registrou receita de 21 milhões de euros em 2025, equivalente a cerca de R$ 122,6 milhões, e lucro líquido de 700 mil euros (R$ 4,09 milhões). Segundo o CEO, esses números deram à companhia confiança para seguir com a listagem pública.

As ações começaram a ser negociadas a 14,80 euros, o equivalente a R$ 86,42, e chegaram a cair abaixo desse valor logo na abertura, antes de fechar as últimas negociações do dia a 15 euros, ou R$ 87,60.

Concorrência com os gigantes asiáticos

O mercado de moda enfrenta pressão crescente de plataformas de fast fashion com preços extremamente baixos. Gibault reconheceu que competir com Shein e Temu é um desafio, mas argumentou que a incerteza no comércio global tem incentivado marcas a aproximar a produção têxtil de seus mercados consumidores.

Com base no preço de abertura de 14,80 euros, a Le Slip Français buscava uma capitalização de mercado próxima de 19 milhões de euros, o que equivale a aproximadamente R$ 110,96 milhões. A Shein, por comparação, deve abrir capital em setembro ou outubro, com uma avaliação estimada entre US$ 40 bilhões e US$ 50 bilhões, segundo a Reuters.

"Todos sabemos que em toda crise existe uma oportunidade", afirmou o CEO. "Há um momento favorável agora para relocalizar a produção têxtil na França."

Produção própria e preços em queda

Em vez de terceirizar a fabricação, a companhia investiu em uma fábrica própria nos arredores de Paris, que atualmente produz cerca de 4.500 peças de roupa íntima por dia. A automação ajudou a reduzir os custos de manufatura, permitindo que a empresa baixasse o preço de varejo das cuecas de cerca de 40 euros (R$ 233,60) para aproximadamente 20 euros (R$ 116,80), mantendo a lucratividade, segundo Gibault.

A Le Slip Français também planeja expandir sua atuação além da própria marca, passando a fabricar roupas para outras empresas interessadas em produção francesa, estratégia que a companhia descreve como "Made in France as a service".

Planos para os próximos anos

A meta da empresa é dobrar a receita até 2030, combinando o crescimento da participação de mercado no segmento de cuecas masculinas com a expansão do negócio de manufatura para terceiros. Gibault afirmou que a companhia detém hoje cerca de 4% do mercado francês de cuecas masculinas, apesar de ser reconhecida por aproximadamente 60% da população do país, o que indica espaço para crescer. Ele acrescentou que a empresa pretende reduzir ainda mais os preços ao longo do tempo, à medida que ganhar eficiência na manufatura.

Questionado sobre os desafios de empreender na França, Gibault disse que a atividade empresarial "sempre foi muito difícil", mas defendeu que líderes de negócios precisam continuar assumindo riscos, independentemente do cenário político. "Não esperamos nenhuma ajuda. Apenas trabalhamos", afirmou, acrescentando que regras estáveis importam mais do que subsídios governamentais. "O tempo da política não é o tempo do empreendedorismo."

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