Casual

O efeito Jonathan Anderson chega aos resultados da LVMH

Divisão que reúne Louis Vuitton, Dior e outras grifes voltou a crescer no segundo trimestre, encerrando quase dois anos de resultados negativos

Desfile da coleção outono-inverno 2026-2027 da Dior, com saias em camadas de tule e tricôs texturizados na passarela montada sobre o espelho d'água do Jardin des Tuileries, em Paris (Divulgação)

Desfile da coleção outono-inverno 2026-2027 da Dior, com saias em camadas de tule e tricôs texturizados na passarela montada sobre o espelho d'água do Jardin des Tuileries, em Paris (Divulgação)

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 28 de julho de 2026 às 16h11.

Última atualização em 28 de julho de 2026 às 16h14.

Tudo sobreLuxo
Saiba mais

A LVMH divulgou nesta segunda-feira, 27, os resultados do segundo trimestre de 2026, com a divisão de moda e artigos de couro voltando a crescer depois de sete trimestres seguidos de queda. As vendas do segmento, que reúne marcas como Louis Vuitton, Dior, Celine, Fendi e Loro Piana, subiram 1%, somando R$ 51,56 bilhões (€8,89 bilhões). O número ficou um pouco abaixo do que o mercado esperava, mas marcou uma virada depois de um período longo de retração, que incluía uma queda de 2% no trimestre anterior.

Em comunicado, o presidente e CEO Bernard Arnault citou o desempenho das novas lojas da Louis Vuitton em Pequim e Seul, a força das linhas mais consolidadas da Tiffany e da Bvlgari e o momento das coleções mais recentes da Christian Dior como fatores que sustentaram a recuperação do trimestre.

Dior colhe os primeiros efeitos da nova fase criativa

Jonathan Anderson, diretor criativo da Dior, em retrato assinado para a marca

Jonathan Anderson, diretor criativo da Dior, em retrato assinado para a marca (Divulgação)

A Dior vive um momento de transição desde 2025, quando Jonathan Anderson assumiu a direção criativa de todas as linhas da marca, incluindo o masculino, o feminino e a alta-costura. As primeiras peças assinadas por ele chegaram às lojas ao longo do ano passado, e é só agora, com um catálogo mais completo em circulação, que o efeito começa a aparecer com mais clareza nos números.

A diretora financeira, Cécile Cabanis, detalhou o desempenho por marca em teleconferência com analistas, segundo apuração da Vogue Business. Todas as clientelas da Dior cresceram no primeiro semestre, com destaque para o público americano e o japonês, que tiveram alta de dois dígitos no segundo trimestre. Os segmentos de couro e de prêt-à-porter feminino foram os que mais se destacaram dentro da divisão de moda. A Louis Vuitton também teve resultado positivo, em linha com a média do segmento, enquanto Loro Piana e Rimowa seguiram com desempenho acima do restante do grupo. Celine e Fendi mostraram avanço gradual de um trimestre para o outro.

O restante do portfólio

Fora da moda, o segmento de relógios e joias cresceu 11% no trimestre, puxado por marcas como Tiffany e Bvlgari. O varejo seletivo, que inclui a rede de perfumarias Sephora, avançou 6%, e vinhos e destilados subiram 5%. Perfumes e cosméticos foram a única categoria em queda, com recuo de 1%.

A concorrente Richemont, dona de Cartier e Van Cleef & Arpels, já havia mostrado a força do setor de joalheria ao anunciar, em 15 de julho, alta de 20% nas vendas do primeiro trimestre fiscal, a R$ 36,54 bilhões (€6,3 bilhões).

A Louis Vuitton também segue trabalhando com produtos para diferentes perfis de cliente dentro de uma mesma marca. A bolsa Speedy P9, lançada recentemente, foi pensada para o público de alto patrimônio, enquanto os modelos Squire e Multipass têm preços mais acessíveis e miram um consumidor mais jovem, em fase de entrada no universo do luxo.

Ásia, Japão e o efeito do conflito no Oriente Médio

Por região, as vendas do grupo cresceram 4% na Ásia, sem contar o Japão, ritmo mais lento que os 6% do início do ano. O Japão foi destaque, com alta de 14%, revertendo a queda registrada no primeiro trimestre. A Europa ficou estável e os Estados Unidos cresceram 6%.

O grupo estimou, na mesma teleconferência, que o conflito no Oriente Médio segue retirando cerca de 1 ponto percentual do crescimento das vendas, efeito parecido com o do primeiro trimestre, mas distribuído por um período mais longo.

Acompanhe tudo sobre:LuxoModaLVMHBulgariLouis VuittonChristian Dior

Mais de Casual

6 exposições de arte em São Paulo para visitar em agosto

Novo Inhotim? Bernardo Paz abrirá museu de arte contemporânea em Brumadinho

Veneza 2026 reúne filmes sobre Musk, Oasis e Rupert Murdoch

O acessório mais antigo do tapete vermelho tem 3 mil anos