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Super El Niño se aproxima e ameaça segurança energética no Brasil

Enquanto o Norte enfrenta secas, algumas áreas ao sul podem ter excesso de chuva, extremos que podem ameaçar o abastecimento de energia

El Niño: fenômeno climático deve impactar a geração de energia e pressionar as tarifas.

El Niño: fenômeno climático deve impactar a geração de energia e pressionar as tarifas.

Weslly Morais
Weslly Morais

Colunista

Publicado em 28 de julho de 2026 às 16h00.

Na primeira semana de junho, o INMET confirmou oficialmente o estabelecimento do fenômeno El Niño na América do sul. A última atualização da NOAA elevou para 81% a probabilidade de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro, possivelmente entre os mais intensos desde o início das medições sistemáticas, na década de 1950. Dois em cada três cenários projetados indicam um evento forte ou muito forte até o final do ano.

Na América do Sul, onde quase metade da eletricidade vem de hidrelétricas, isso representa um forte sinal de alerta para o setor, com diferentes impactos nos vários países. Em regiões como Colômbia, Venezuela, Norte/Nordeste/Sudeste do Brasil e na América Central, o El Niño tende a trazer meses de seca. Em regiões como Sul do Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina, o padrão se inverte, com aumento de precipitação em diversas bacias.

Efeitos já são notados na conta de luz

O El Niño é um evento com caráter amplificador, com capacidade de revelar e piorar vulnerabilidades estruturais preexistentes. Algumas regiões que tendem a sofrer um aumento de precipitação podem se beneficiar com maior geração, mas enfrentam riscos de enchentes que podem comprometer infraestrutura, seja ela associada ou não ao setor elétrico. Já em regiões em que o evento tende a causar secas nas bacias associadas às hidrelétricas, obras atrasadas e falta de investimentos na expansão da geração são problemas que tornam a administração da crise ainda mais desafiadora.

No Brasil, alertando para os impactos do fenômeno ao longo do segundo semestre. O diagnóstico muda conforme a região. Nas regiões Norte e Nordeste, a tendência é de que ocorra um déficit de chuvas, com menor afluência aos reservatórios e queda nos níveis dos rios — condições que pressionam diretamente a geração hidrelétrica e o abastecimento de comunidades remotas.

A nota aponta ainda que, em eventos de El Niño forte, a incidência de incêndios florestais na Amazônia pode crescer em torno de 36% em relação à média histórica. Na região Sul, a tendência é de que ocorram de chuvas acima da média, o que beneficia os reservatórios, mas eleva o risco de enchentes. Para o sistema elétrico como um todo, o resultado tende a ser menos geração no Norte, aumento da demanda puxado pela maior temperatura, maior acionamento de termelétricas e, consequentemente, pressão sobre as tarifas.

Os primeiros efeitos já chegaram à conta de luz. Segundo o Programa Mensal de Operação do ONS, as afluências ao subsistema Sudeste/Centro-Oeste ficaram abaixo da média histórica em todas as semanas de julho. Situação que colabora para a decisão da ANEEL de manter a bandeira amarela em julho (terceiro mês consecutivo no nível). Com a consolidação do fenômeno nos próximos meses, consumidores podem esperar a manutenção ou escalada da bandeira tarifária.

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