Richemont fechou o trimestre com R$ 36,6 bilhões em vendas, alta de 20% puxada pelas joias (Divulgação)
Jonalista colaborador
Publicado em 17 de julho de 2026 às 14h38.
A Richemont, controladora da Cartier, Van Cleef & Arpels e das marcas suíças de relógios Piaget e IWC, divulgou nesta semana um faturamento de € 6,33 bilhões (cerca de R$ 36,6 bilhões) no trimestre encerrado em 30 de junho. O valor representa um crescimento de 20% em moeda constante na comparação com o mesmo período do ano anterior e ficou acima da projeção de € 5,90 bilhões (R$ 34,1 bilhões) calculada por analistas consultados pela Visible Alpha.
O resultado agradou o mercado financeiro logo na abertura dos negócios. As ações da Richemont subiram 6% em Zurique, e o índice Stoxx European Luxury 10, que reúne companhias do setor como LVMH, Hermès e Kering, avançou 2,5%. Para o banco Vontobel, em avaliação citada pela Reuters, o desempenho foi surpreendente e superou até as expectativas mais otimistas do mercado.
Colar da Buccellati com rubis, esmeraldas e safiras. A marca integra a divisão de joalheria que cresceu 24% e liderou o resultado da Richemont (Reprodução/Instagram)
O principal motor dos resultados foi a divisão de joalheria, que inclui também as marcas Buccellati e Vhernier. As vendas do segmento cresceram 24% em moeda constante, somando € 4,73 bilhões (aproximadamente R$ 27,4 bilhões) no trimestre. O número ficou bem acima da expectativa de analistas, que previam um avanço de 13,5% para a categoria.
Em declaração à Reuters, o analista Luca Solca, do banco Bernstein, avalia que a Richemont vem se beneficiando de dois movimentos simultâneos dentro do mercado de luxo. De um lado, a demanda por peças de alto padrão entre consumidores de altíssima renda segue firme. De outro, produtos de entrada considerados de bom custo-benefício atraem um público mais aspiracional. Segundo ele, ao gastar entre US$ 3 mil e US$ 4 mil, um consumidor de classe média tende a preferir uma joia a uma bolsa, já que pode usá-la diariamente e enxerga nela um valor de uso mais duradouro.
O crescimento observado no trimestre não ficou restrito às peças mais caras da grife, que costumam ser exclusivas e podem custar entre US$ 40 mil e mais de US$ 1 milhão cada. O avanço foi distribuído entre diferentes faixas de preço dentro do portfólio de joalheria do grupo.
A companhia acelerou o ritmo de vendas nas regiões da Ásia e das Américas ao longo do período de abril a junho, com destaque para o desempenho em Hong Kong e Macau. O mercado europeu também registrou avanço nas vendas. Já no Oriente Médio, a companhia driblou os efeitos do conflito no Irã e voltou a crescer, já que a demanda de clientes locais compensou a queda no gasto de turistas na região.
Em entrevista à Reuters, o analista Jon Cox, da Kepler Cheuvreux, afirma que a Richemont ocupa hoje a liderança no segmento de joalheria de marca e de relógios de vestir, categorias em que a demanda no mercado de luxo segue aquecida. Cox também associa parte da força do consumo atual à valorização patrimonial impulsionada pela expansão de negócios ligados à inteligência artificial, fator que estaria sustentando o poder de compra de clientes de alta renda ao redor do mundo.
Além do avanço nas vendas, a Richemont encerrou o trimestre com uma posição de caixa líquido de € 9,1 bilhões (cerca de R$ 52,7 bilhões), ante € 7,4 bilhões no mesmo período do ano anterior. Parte desse aumento veio de um aporte de € 400 milhões (R$ 2,3 bilhões) proveniente da venda da participação que a companhia mantinha na Avolta.
Analistas do setor apontam que, apesar da força dos resultados da Richemont, o efeito sobre as demais companhias de luxo listadas na bolsa europeia pode ser limitado. Isso porque grande parte dos concorrentes tem exposição menor ao segmento de joalheria, categoria que respondeu pela maior parte do crescimento acima do esperado registrado pelo grupo suíço neste trimestre.