Bernardo Paz posa entre estruturas amarelas em Inhotim, com o parque ao fundo. Empresário planeja segundo museu vizinho ao complexo mineiro (Divulgação)
Jonalista colaborador
Publicado em 28 de julho de 2026 às 12h21.
Última atualização em 28 de julho de 2026 às 15h01.
O empresário Bernardo Paz, fundador do Instituto Inhotim, abriu um segundo parque de arte contemporânea encostado no próprio complexo de Brumadinho, em Minas Gerais.
O projeto reúne hoje uma coleção pessoal de cerca de três mil obras de artistas reconhecidos na cena contemporânea internacional, e já recebeu investimento de aproximadamente R$ 1 bilhão. Ao todo, quinze mil árvores já foram plantadas na área, parte de um plano que prevê a construção de até quarenta pavilhões dedicados a artistas individuais.
Em 2022, Paz havia doado todo o acervo, as galerias e o terreno do Inhotim para um instituto independente, num gesto que marcou a maior doação privada da história dos museus brasileiros. Desde então, seguiu adquirindo obras e reunindo um novo conjunto de peças, que agora ganha espaço próprio fora da estrutura pública que o Inhotim se tornou.
Anna Maria Maiolino cercada por suas esculturas de argila em formato de cordas. Artista é uma das três escolhidas para a primeira fase do novo museu
A primeira etapa do novo espaço, com abertura marcada para setembro de 2027, vai reunir obras de três artistas. A italiana radicada em São Paulo Anna Maria Maiolino apresentará uma versão de "De Vita Migrare", peça que já havia sido exibida na Bienal de São Paulo nos anos 1990. A instalação consiste em um túmulo cercado por água parada, imagem que a artista usa para tratar do desenraizamento causado pelos processos migratórios, tema que atravessa boa parte de sua trajetória.
O americano Michael Heizer, um dos nomes centrais da land art, vertente que trabalha a própria terra como material escultórico, vai ocupar um pavilhão exclusivo dentro do parque. Ao lado dele, a mineira Sonia Gomes recebe um espaço para suas esculturas feitas com tecidos costurados e remendados, trabalhos que variam de peças pequenas, próximas do bordado, a estruturas suspensas de grande escala.
A lógica por trás do novo empreendimento repete a fórmula que consolidou o Inhotim como um dos destinos mais visitados do circuito internacional de arte contemporânea: cada artista recebe um pavilhão próprio, projetado especificamente para sua obra, distribuído dentro de uma vegetação também planejada com cuidado curatorial. É essa combinação entre arquitetura individualizada e paisagismo extenso que diferencia o modelo de museus tradicionais, onde diferentes artistas costumam dividir o mesmo prédio institucional.
A escala do novo projeto, com previsão de chegar a quarenta pavilhões, coloca o empreendimento na mesma proporção do Inhotim original, hoje considerado o maior museu a céu aberto da América Latina. O Instituto Inhotim, criado por Paz em 2006, foi incluído recentemente na lista dos 52 lugares para conhecer em 2026 pelo jornal americano The New York Times, ocupando a 24ª posição entre os destinos recomendados no ranking global.