Human Made: marca de Pharrell Williams chega a São Paulo (Dimitrios Kambouris/Getty Images for Billionaire Boys Club )
Repórter de Casual
Publicado em 8 de setembro de 2026 às 19h03.
Última atualização em 9 de setembro de 2026 às 12h09.
A Human Made, marca de streetwear de Pharrell Williams, criada em parceria com o designer japonês NIGO (criador da A Bathing Ape nos anos 1990), acaba de chegar oficialmente ao Brasil. Na estreia na América do Sul, a grife será vendida na loja Metro, uma loja conceitual do mesmo grupo da Maze, recém-inaugurada na esquina da Rua dos Pinheiros, em São Paulo.
A informação foi enviada com exclusividade à Casual EXAME. As peças da marca chegam à Metro no dia 12 de setembro.
Famosa pelas jaquetas varsity, alfaiataria de inspiração militar, acessórios e coleções com gráficos retrô disputadas por colecionadores em Tóquio, Paris e Nova York, a marca traz a São Paulo o estilo combinado dos dois fundadores — NIGO na direção criativa e Williams, atual diretor de moda masculina da Louis Vuitton, como cofundador e principal conselheiro. Na Metro, serão comercializados itens como jaquetas, camisetas, bolsas, acessórios, calças jeans, entre outros.
"Pedimos os melhores itens da nova coleção que está sendo lançada agora pela marca no Japão e receberemos o primeiro lote, com todos os itens exclusivos, em estoque limitado", afirma Persio Tagawa, fundador da Maze, em entrevista à Casual EXAME. “O mercado da moda e do luxo é fechado, inclusive para streetwear. Existe uma barreira para trazer esse tipo de marca, que depende de relacionamento, credibilidade e indicação. Não vou mentir, foi uma negociação bastante longa."
A chegada da Human Made é um dos vários atrativos que a Metro quer oferecer dentro de seu ecossistema multicultural. Com projeto arquitetônico do escritório A77, a loja ocupa duas frentes que somam 320 metros quadrados, com pé-direito amplo e espaço de convivência na entrada. Concebido em 2019, o projeto tomou forma ao longo de seis anos até encontrar o lugar capaz de traduzir sua visão: um ambiente onde marcas internacionais, produção cultural e vida urbana se encontram de maneira natural.
As araras com a coleção da grife japonesa vão dividir espaço de vendas, a princípio, com um portfólio de grifes internacionais como BAPE, Off-White, C.P. Company, Amiri e os colecionáveis da Medicom Toy.
"As marcas globais sabem que o produto vende por si só. A escolha do parceiro, então, depende da capacidade de entender o posicionamento, a comunicação e o momento certo de lançar cada coleção. Na Maze, já trabalhávamos com marcas exclusivas internacionais há anos. Na Metro, veio a ideia de unir a moda com cultura, e isso se tornou um atrativo importante”, completa Tagawa.
A ideia é que a Metro funcione como galeria artística, loja de roupas, complexo gastronômico e curadoria de design e cultura. Para arte, o espaço abriga exposições de arte contemporânea, com trocas a cada três meses. A estreia veio com obras do artista Aaron Rose e do coletivo norte-americano Beautiful Losers. No campo do design, a curadoria do local reúne móveis premiados do design brasileiro, e todas as peças utilizadas na decoração — de poltronas a um banco de inox desenhado por Tagawa — estão disponíveis para compra na própria loja.
O plano para gastronomia inclui um café interno com menu exclusivo para os frequentadores. O projeto prevê ainda a criação de um parklet na calçada da Rua dos Pinheiros, além de jantares com chefs convidados e apresentações de jazz às sextas-feiras.
“Criamos a Metro como ponto de encontro e experiência física de arte, design e gastronomia que não existe no ambiente digital”, afirma Tagawa. “A meta é manter em São Paulo um endereço capaz de receber marcas exclusivas do mercado internacional no mesmo nível de outras capitais do mundo.”
A Human Made é, ao mesmo tempo, uma das marcas mais desejadas do streetwear global e um raro caso de sucesso financeiro no setor de moda. Em cinco anos, de 2021 para cá, multiplicou a receita por seis — de 1,85 bilhão de ienes (dados de 2021) para 14,27 bilhões em 2026. O crescimento é fruto de um estranho modelo de vendas: a grife opera sem promoções, com preços cheios nas etiquetas, e com uma rígida restrição de gastos em publicidade a 1% do faturamento.
Arriscada ou não, a estratégia deu resultado. No último ano fiscal, a marca teve receita de 14,27 bilhões de ienes (R$ 474 milhões). Em novembro de 2025, listou as ações na Tokyo Stock Exchange Growth Market e tornou-se a primeira marca de streetwear a abrir capital na Bolsa de Tóquio. Na época do IPO, Pharrell Williams era o segundo maior acionista, com 25,7% das ações.
Na América do Sul, a ideia é expandir o negócio. A Metro, conta Tagawa, é o primeiro ponto de contato. "Vai ser o destino oficial para quem procura streetwear de luxo, não só pela Human Made, mas também pelas outras grifes que temos no portfólio", finaliza.