Lula, Flávio e Cury: parcela do eleitor de Lula migra para senador e escritor
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 9 de setembro de 2026 às 06h00.
Um recorte inédito da nova rodada da pesquisa BTG/Nexus, divulgado em primeiro mão à EXAME, mostra como se distribui a intenção de voto de uma parcela específica do eleitorado: os brasileiros que afirmam ter votado em Lula no segundo turno das eleições de 2022, mas que hoje admitem "virar casaca" em 2026.
Entre esse grupo, que representa 10% dos eleitores que declararam voto em Lula no segundo turno de 2022 dentro da amostra analisada, 6% dizem hoje ter intenção de votar no senador Flávio Bolsonaro (PL), enquanto 4% indicam Augusto Cury como opção eleitoral.
O levantamento não representa uma mudança de todo o eleitorado que elegeu Lula em 2022, mas um recorte dos entrevistados que migraram para outras opções ou deixaram de apoiar o atual presidente. Os dados mostram perfis distintos entre os dois segmentos identificados pela pesquisa.
Para Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, os dados indicam dois perfis diferentes dentro da parcela de eleitores que deixou de declarar voto em Lula.
"A perda de votos da base que elegeu Lula em 2022 ocorre em duas frentes de insatisfação completamente distintas", afirma Tokarski.
Segundo ele, Flávio Bolsonaro atrai uma parcela de baixa renda e mais madura, enquanto Augusto Cury reúne um perfil mais feminino, jovem e de classe média.
Entre os ex-eleitores de Lula que, neste recorte da pesquisa, indicam voto em Flávio Bolsonaro, há predominância de pessoas mais velhas, de menor renda e menor escolaridade.
O grupo é formado principalmente por adultos de 41 a 59 anos (49%) e idosos com mais de 60 anos (28%). Mais da metade possui apenas o Ensino Fundamental (53%) e 51% declararam renda de até um salário mínimo.
Segundo o levantamento, esse segmento está concentrado entre moradores do Interior (54%), com maior presença no Nordeste (40%) e no Sudeste (33%).
No recorte religioso, 53% afirmam ser católicos e 30% evangélicos. O grupo também apresenta uma divisão próxima entre homens e mulheres, com leve maioria masculina: 52% dos entrevistados são homens e 48%, mulheres.
O segundo movimento identificado pela pesquisa envolve ex-eleitores de Lula que passaram a declarar intenção de voto em Augusto Cury. Nesse segmento, há predominância feminina, maior escolaridade e presença mais forte entre trabalhadores formais.
As mulheres representam 64% desse grupo, enquanto 54% estão na faixa etária entre 25 e 40 anos. Em relação à renda, 45% pertencem à faixa de dois a cinco salários mínimos.
A pesquisa aponta ainda que 54% desse grupo fazem parte da população economicamente ativa com vínculo formal, enquanto 53% têm Ensino Médio e 31% possuem Ensino Superior.
A maior concentração aparece no Interior (63%), principalmente nas regiões Sudeste (40%) e Nordeste (35%).
A Nexus entrevistou 2.002 pessoas por telefone entre os dias 4 e 7 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.