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Como John Galliano voltou ao centro da moda mundial

Museu Metropolitano dedica retrospectiva de 2027 ao estilista britânico, celebrando sua carreira sem esconder os episódios mais controversos de sua história

John Galliano será celebrado pelo Met em 2027, numa exposição que revisita sua obra sem deixar de lado os episódios mais controversos de sua carreira (szilveszter mako/Divulgação)

John Galliano será celebrado pelo Met em 2027, numa exposição que revisita sua obra sem deixar de lado os episódios mais controversos de sua carreira (szilveszter mako/Divulgação)

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 3 de agosto de 2026 às 15h33.

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O Metropolitan Museum of Art, em Nova York, anunciou que John Galliano será o tema da exposição principal do Costume Institute em 2027. A mostra, batizada de John Galliano: Horizons, ficará em cartaz de 9 de maio de 2027 a 9 de janeiro de 2028 e servirá também como inspiração para o Met Gala daquele ano, marcado para o dia 3 de maio.

A escolha faz de Galliano apenas o terceiro estilista vivo a receber uma exposição individual no museu, posição ocupada antes por Yves Saint Laurent, em 1983, e por Rei Kawakubo, da Comme des Garçons, em 2017.

Anna Wintour, diretora editorial global da Vogue e curadora por trás da iniciativa, afirmou em comunicado que não existe hoje ninguém que mereça uma exposição desta escala mais do que Galliano, cuja obra em Dior, Givenchy, Margiela e em sua própria grife combina erudição, criatividade e contrastes entre luz e escuridão.

Uma retrospectiva de quatro décadas

Galliano

John Galliano encerra desfile cercado por modelos, em imagem de arquivo de sua trajetória à frente de grandes maisons (Reprodução/Instagram)

O projeto vai reunir peças, acessórios, esboços, cadernos de pesquisa e materiais de arquivo que cobrem toda a carreira do designer, com início na coleção de graduação em Central Saint Martins, em 1984. A trajetória passa por sua entrada em Givenchy, os anos de Christian Dior e a mais recente passagem pela Maison Margiela, incluindo os últimos desfiles de Alta Costura, que se tornaram um dos capítulos mais comentados da moda contemporânea nos últimos anos.

O curador do Costume Institute, Andrew Bolton, descreveu a exposição como uma cartografia da criação de Galliano, na qual imagens se transformam em ideias, ideias em material e material em emoção. Segundo ele, a mostra também vai abordar como a conduta do estilista e as consequências dela mudaram, ao longo do tempo, a forma como sua obra passou a ser interpretada pelo público e pela crítica.

O peso do episódio de 2011

A trajetória de Galliano é indissociável do episódio ocorrido em Paris em 2011, quando ele foi filmado proferindo insultos antissemitas em um bar, o que resultou em sua demissão da Dior e no afastamento temporário da indústria da moda. Segundo reportagem do New York Times, a decisão de dedicar uma exposição ao estilista passou por meses de conversas entre Wintour, Bolton, o próprio Galliano e um grupo de rabinos e lideranças judaicas de Nova York, reunidos em maio para discutir a viabilidade do projeto.

Wintour declarou à Vogue que a mostra não vai evitar os aspectos mais sombrios da história de Galliano, já que fazem parte de quem ele se tornou. Segundo ela, a exposição vai abarcar todo o arco de sua carreira, incluindo os momentos mais difíceis.

Legado que ultrapassa a controvérsia

Zendaya no Met Gala vestindo Galliano

Zendaya no tapete vermelho do Met Gala com criação assinada por Galliano, um dos looks mais comentados da noite (Reprodução/Instagram)

Ao longo dos anos, criações de Galliano seguiram aparecendo no tapete vermelho do Met Gala, mesmo durante o período em que ele estava afastado dos holofotes. Sua influência sobre gerações de designers e sobre a estética teatral que marcou desfiles das décadas de 1990 e 2000 é um dos pontos centrais do discurso construído em torno da exposição.

Bolton resumiu o conceito da mostra, afirmando que um horizonte revela não apenas o que está à frente, mas também o lugar em que se está. Para o curador, "Horizons" propõe justamente esse exercício: olhar para o percurso de Galliano ao mesmo tempo em que se reconhece o ponto em que a moda e a cultura se encontram hoje diante de sua obra.

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