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CEO da Ford diz que 'não abre mão' de seu carro elétrico da Xiaomi

Em visita ao país, executivo chegou a dizer que indústria automobilística chinesa era 'ameaça existencial'

CEO comanda uma empresa que teve US$ 1,14 bilhão em perdas no segmento de elétricos (Ford/Divulgação)

CEO comanda uma empresa que teve US$ 1,14 bilhão em perdas no segmento de elétricos (Ford/Divulgação)

Luiz Anversa
Luiz Anversa

Repórter

Publicado em 24 de outubro de 2024 às 06h35.

O CEO da Ford, Jim Farley, mostrou-se um entusiasta dos carros elétricos. Tanto que declarou "não abrir mão" de seu Xiaomi Speed ​​Ultra 7 que dirige há seis meses.

"Não gosto muito de falar sobre a concorrência, mas dirijo o Xiaomi", disse Farley ao apresentador britânico Robert Llewellyn no "The Fully Charged Podcast".

"Voamos de Xangai para Chicago, e eu o dirijo há seis meses, e não quero abrir mão dele", continuou Farley, em entrevista divulgada pelo Business Insider.

O SU7 é o primeiro veículo elétrico da Xiaomi. A gigante chinesa de tecnologia produz três versões do carro: SU7, SU7 Pro e SU7 Max. Farley não especificou qual versão ele estava dirigindo.

"É fantástico. Eles vendem 10.000, 20.000 por mês. Eles estão sem estoque por seis meses", disse Farley sobre o sucesso da Xiaomi com o SU7 no início da entrevista. "Você sabe, esse é um rolo compressor da indústria", ele acrescentou.

A popularidade do SU7 teve um custo para a Xiaomi. Quando a Xiaomi relatou seus lucros do segundo trimestre em agosto, seu braço de veículos elétricos registrou um prejuízo ajustado de US$ 252 milhões. Isso significa que a Xiaomi perdeu cerca de US$ 9.200 para cada um dos 27.307 SU7s que enviou naquele trimestre.

'Ameaça existencial'

Essa "lua de mel" entre o CEO da Ford e os carros elétricos do país asiático já teve momentos ruins. Depois de visitar a China em maio, Farley disse a um membro do conselho da Ford que a indústria automobilística da China era uma "ameaça existencial", segundo informou o The Wall Street Journal.

No início de 2023, Farley e seu diretor financeiro, John Lawler, estavam na China quando testaram um SUV elétrico feito pela montadora estatal Changan Automobile. A reportagem do WSJ disse que a dupla ficou impressionada com a qualidade dos veículos elétricos feitos na China. "Jim, isso não é nada como antes", disse Lawler a Farley. "Esses caras estão à nossa frente", concluiu.

China domina alguns mercados

Segundo estudo publicado pelo Business Insider, as montadoras chinesas foram responsáveis ​​por 88% do mercado de veículos elétricos no Brasil e 70% na Tailândia no primeiro trimestre deste ano.

Já a Ford registrou uma grande perda de lucros no segundo trimestre do ano, fazendo as ações da empresa despencarem. Os lucros por ação da empresa chegaram a US$ 0,47, abaixo das estimativas dos analistas de US$ 0,68. Sua lucratividade no trimestre foi prejudicada pelo seu segmento de elétricos, que viu uma perda de US$ 1,14 bilhão em meio à desaceleração da demanda. Os lucros do terceiro trimestre da Ford devem ser divulgados em 28 de outubro.

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