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Os próximos passos da Insider com roupas essenciais e não básicas

A marca que inovou a moda brasileira com tecidos tecnológicos fatura mais de R$ 500 milhões por ano. O desafio é agora é deixar de ser conhecida apenas pelas camisetass

Yuri Gricheno: CEO e cofundador da Insider (Marlos Bakker/Exame)

Yuri Gricheno: CEO e cofundador da Insider (Marlos Bakker/Exame)

Ivan Padilla
Ivan Padilla

Editor de Casual e Especiais

Publicado em 20 de julho de 2026 às 10h28.

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A Insider ficou conhecida por transformar uma camiseta em um produto de tecnologia. O uso de materiais inovadores está presente desde o começo da empresa, nove anos atrás. Na pandemia, por exemplo, a marca brasileira lançou roupas antivirais, com tecido com íons de prata e nanopartículas.

Não é exagero dizer que a Insider antecipou por aqui a tendência do athleisure e influenciou as marcas de moda nacionais. A ideia, agora, é ampliar esse posicionamento. A empresa, que faturou mais de R$ 500 milhões no ano passado e se aproxima de 2 milhões de clientes, trabalha para deixar de ser conhecida apenas pelas camisetas e se consolidar como uma marca de roupas essenciais – que, na definição do cofundador Yuri Gricheno, é diferente de roupas básicas.

Entre as novidades apresentadas pela Insider está o lançamento de um tecido produzido a partir de borra de café, ainda em fase de patente, expansão do varejo físico e investimento contínuo em tecnologia. Acompanhe a entrevista.

A Insider virou uma referência em camisetas tecnológicas. O desafio agora é outro?

Acho que dominamos bem essa categoria. Hoje, o desafio é deixar de ser a marca das camisetas para nos posicionarmos como a marca das roupas essenciais, tanto para o público masculino quanto para o feminino. Fizemos um trabalho muito forte em performance e agora entramos em uma etapa mais voltada para construção de marca e ampliação de portfólio. A lógica continua sendo trazer itens essenciais, mas sempre com um diferencial. Estamos desenvolvendo um fleece com um tecido tecnológico que remete ao cashmere, feito de poliamida biodegradável. A proposta é sempre pegar um produto essencial e acrescentar um elemento de inovação.

O uso de tecidos tecnológicos continuará sendo o principal diferencial da Insider?

Sem dúvida. O desenvolvimento de novos materiais continuará sendo nossa principal aposta. Recentemente conseguimos desenvolver a primeira fibra feita com borra de café. Nosso time de pesquisa e desenvolvimento criou um processo que transforma esse resíduo em tecido de forma sustentável.

Nossa filosofia é que o essencial é inimigo do básico. Básico é o mínimo necessário. Essencial é aquilo que é indispensável. Então buscamos inovar tanto nos materiais quanto em modelagem, caimento e pequenos detalhes que o consumidor percebe no segundo ou terceiro uso.

Insider: lançamento de um tecido produzido a partir de borra de café, ainda em fase de patente (Marlos Bakker/Exame)

Vocês acompanham tendências da moda ou se propõem a fazer somente algo atemporal?

Sim, mas sempre filtrando tudo pela essência da marca. As cores recebem um trabalho enorme de pesquisa. Como nosso desenvolvimento é mais lento, cada coleção exige semanas de discussão para entender o momento do consumidor e como cada novidade conversa com o restante do portfólio. Também acompanhamos tendências quando elas fazem sentido funcionalmente. Se uma legging com pezinho passa a ser desejada porque entrega um benefício real, podemos desenvolver esse produto. Mas nunca seguimos tendências apenas por seguir.

Vocês foram pioneiros no uso de tecidos tecnológicos. Como enxergam a entrada de concorrentes?

Vemos isso como uma validação. Nosso propósito é transformar a indústria da moda para melhor. Somos um contraponto ao fast fashion, que normalmente trabalha com tendências passageiras e produtos desenvolvidos prioritariamente pelo menor custo. Quando outras empresas passam a falar sobre tecidos tecnológicos, ajudam a educar o consumidor. Hoje as pessoas olham a composição da roupa, entendem fibras como modal, poliamida e lyocell. Esse conhecimento não existia anos atrás. Isso também fortalece a indústria têxtil brasileira. Em vez de competir apenas por preço, ela passa a desenvolver materiais mais sofisticados.

Como foi esse trabalho com fornecedores desde o início da empresa?

Quando começamos, em 2018, tínhamos poucos recursos. Precisávamos apostar em uma fibra por vez. Nossa primeira aposta foi o modal produzido pela Lenzing. Fizemos muita pesquisa até entender que aquele material entregava exatamente o que precisávamos para nossas primeiras camisetas. Essa parceria cresceu tanto que hoje somos o principal cliente da Lenzing entre as marcas brasileiras. Depois vieram outros projetos pioneiros, como a poliamida 6.6 biodegradável desenvolvida pela Rhodia, tecidos com tecnologia Outlast, criada originalmente para a NASA, e agora desenvolvimentos proprietários. Também somos a primeira empresa da América do Sul a desenvolver produtos em parceria com a Spinova, da Finlândia, que criou uma nova fibra produzida a partir de material reciclado por um processo praticamente sem resíduos químicos.

Quando veremos os produtos feitos com borra de café?

Hoje temos protótipos prontos e o pedido de patente foi realizado. O desafio agora é escalar a produção. Desenvolver o tecido foi uma etapa. Produzir em larga escala é outra completamente diferente. Provavelmente será um tecido mais estruturado, indicado para peças de tecido plano, e não para malhas.

O mercado costuma comparar a Insider à Uniqlo, em uma escala menor, claro, mas pelo uso de tecidos tecnológicos. Faz sentido?

Em alguns aspectos, sim. A proposta de oferecer roupas essenciais tem semelhanças. Mas existe uma diferença importante. Nós buscamos trabalhar sempre com os melhores tecidos disponíveis para cada categoria, e não necessariamente com os mais baratos. Muitas marcas utilizam poliéster principalmente para reduzir custos. Nós evitamos esse caminho. O poliéster tem funções importantes e faz sentido em roupas esportivas ou quando melhora desempenho e durabilidade. O problema é utilizá-lo apenas para baratear produtos. Nossa prioridade é encontrar o melhor material para cada uso.

Como equilibrar qualidade e preço com o uso de materiais inovadores?

Nossa intenção nunca foi ser a marca mais barata. Também não queremos trabalhar com margens típicas do luxo. Queremos democratizar o acesso a tecidos premium e tecnológicos, oferecendo produtos superiores pelo menor preço possível dentro desse posicionamento.

A Insider continua sendo essencialmente digital?

Sim. Mais de 80% da receita ainda vem do nosso site próprio. Abrimos nossa primeira loja física no Shopping Morumbi, em São Paulo, inicialmente como pop-up. O resultado foi tão bom que fomos convidados a abrir uma loja definitiva, maior. O varejo físico é importante porque permite que as pessoas conheçam os tecidos e entendam a proposta da marca. Estamos negociando novas lojas, mas nossa expansão continuará sendo gradual.

Além dos tecidos, onde mais a tecnologia aparece dentro da empresa?

Hoje temos cerca de 240 colaboradores. Uma parcela importante trabalha com tecnologia. Desenvolvemos mais de 50 soluções próprias de software que ajudam desde previsão de demanda até atendimento ao consumidor. Mais da metade dos atendimentos já é feita por inteligência artificial, mantendo um índice de satisfação semelhante ao atendimento humano. Nosso objetivo não é substituir pessoas, mas liberar a equipe para oferecer um atendimento mais consultivo e personalizado. Também usamos tecnologia para prever vendas, reduzir rupturas de estoque e garantir maior disponibilidade de tamanhos e cores. Além do site, desenvolvemos uma plataforma própria de commerce via WhatsApp, na qual o cliente consegue conhecer produtos, tirar dúvidas e concluir toda a compra sem precisar acessar o e-commerce. Tecnologia sempre será nossa espinha dorsal.

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