Relógio da linha Ebel 1911 com luneta cravejada de diamantes e os parafusos aparentes que marcam o design da marca desde a Sport Classique (Reprodução/Instagram)
Jonalista colaborador
Publicado em 8 de outubro de 2026 às 13h20.
A Ebel, relojoaria fundada em 1911 em La Chaux-de-Fonds e conhecida pelo bracelete em formato de onda da linha Sport Classique, tem novos donos. Um consórcio liderado pela Montres Journe, empresa do relojoeiro François-Paul Journe, e formado também pela Chanel e por Pierre Jacques, ex-CEO da De Bethune, comprou 95% da marca do americano Grupo Movado por US$ 66,5 milhões, cerca de R$ 347 milhões. O Movado mantém os 5% restantes, e Jacques assume o comando da Ebel como CEO.
Divulgada nesta quinta-feira, 8, pelo site especializado SJX Watches, a operação junta a capacidade financeira da Chanel, o conhecimento técnico de um dos nomes mais respeitados da relojoaria independente e a experiência de gestão de Jacques, que passou mais de uma década à frente de marcas de alta relojoaria.
A Chanel e a Montres Journe já são sócias desde 2018, quando a maison francesa adquiriu 20% da empresa de François-Paul Journe. O movimento seguiu uma estratégia de investimentos em relojoarias independentes que incluiu a Bell & Ross, em 1998, e a Romain Gauthier, em 2011.
Eugène Blum e Alice Lévy, que fundaram a Ebel em 1911 em La Chaux-de-Fonds; o nome da marca vem das iniciais do casal (Reprodução/Ebel)
Criada por Eugène Blum e Alice Lévy, cujas iniciais deram origem ao nome da marca, a Ebel viveu sua fase mais próspera sob o comando de Pierre-Alain Blum, neto dos fundadores. Em 1972, ele firmou um contrato para produzir relógios de quartzo para a Cartier, incluindo modelos da linha Must de Cartier, e cinco anos depois lançou a Sport Classique, coleção que se tornou o símbolo da marca.
Nos anos 1980, Blum comprou o estoque de movimentos El Primero que a Zenith mantinha parado desde a crise do quartzo para equipar o cronógrafo da linha. A Ebel apareceu em Miami Vice, no pulso de Don Johnson, e patrocinou esportistas como Boris Becker e Alain Prost. O número de funcionários da empresa cresceu 15 vezes no período e o faturamento chegou à casa das centenas de milhões de dólares. Em 1986, a marca adquiriu a Villa Turque, casa projetada por Le Corbusier em La Chaux-de-Fonds, que passou a abrigar suas atividades de relações públicas.
Diversificações financeiras malsucedidas levaram Blum a vender a empresa em 1994 para a Investcorp, gestora de private equity do Bahrein que também teve participações em Gucci, Tiffany & Co. e Breguet. Em 1999, a Ebel passou para o grupo LVMH, que a vendeu ao Movado no fim de 2003 por US$ 47,3 milhões, o equivalente a 61,5 milhões de francos suíços na época. Quando a transação foi concluída, em março de 2004, a marca faturava cerca de US$ 65 milhões por ano e estava presente em aproximadamente 1.800 pontos de venda.
Comandado por Efraim Grinberg, o Movado tratava a Ebel como seu passo de volta ao luxo, e a compra foi a primeira aquisição do grupo desde 1983. De acordo com o SJX Watches, as tentativas de revitalizar a marca ao longo dos mais de 20 anos sob o grupo americano não trouxeram de volta o tamanho alcançado nas décadas de 1980 e 1990.
Francês formado em relações internacionais em Genebra, Pierre Jacques cofundou a revista especializada GMT em 2000, dirigiu a filial genebrina da varejista Les Ambassadeurs e esteve à frente da organização do Grand Prix d'Horlogerie de Genève antes de assumir a De Bethune, em 2011. Ele deixou a marca em 2015 para comandar a MCT e voltou em 2017, quando liderou, ao lado de investidores, a compra de uma participação majoritária na empresa. Após se afastar da gestão executiva, permaneceu como presidente honorário da De Bethune.