Casual

Semana de Moda de Paris tenta reacender o desejo pelo luxo

Com vendas em queda e estilistas em troca de cadeiras, Balenciaga, The Row, Chloé e Rick Owens apresentaram suas coleções de primavera-verão 2027

Na Place de la République, a Matières Fécales apresentou 99 looks em 99 modelos não brancos na coleção "The Ninety-Nine Percent" (Reprodução/Instagram)

Na Place de la République, a Matières Fécales apresentou 99 looks em 99 modelos não brancos na coleção "The Ninety-Nine Percent" (Reprodução/Instagram)

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 6 de outubro de 2026 às 13h50.

Priorizar nos meus resultados Google
Tudo sobreModa
Saiba mais

Na noite de 28 de setembro, a Place de la République, conhecida por abrigar manifestações em Paris, foi fechada para receber um desfile de moda pela primeira vez. A Matières Fécales levou ao local 99 modelos não brancos, de idades e corpos variados, para apresentar The Ninety-Nine Percent, coleção que responde à anterior da marca, dedicada ao 1% mais rico do mundo. O tema de imigração e desigualdade escolhido por Hannah Rose Dalton e Steven Raj Bhaskaran repercutiu nas redes sociais, enquanto parte da crítica apontou a contradição de tratar do assunto com roupas acessíveis a poucos.

A temporada de primavera-verão 2027 acontece num período de pressão para o luxo. Segundo o Financial Times, a maioria das contratações de estilistas feitas pelas grandes maisons há cerca de um ano ainda não trouxe o retorno em vendas esperado, os orçamentos encolheram e a desaceleração do consumo na China preocupa as empresas, que buscam fazer o cliente voltar a desejar e comprar.

Alta-costura de uso diário

Balenciaga e Schaiparelli PFW

À esquerda, a Balenciaga de Pierpaolo Piccioli aplica técnicas de alta-costura a peças do dia a dia; à direita, a Schiaparelli recebe clientes em cenário de casa noturna (Reprodução/Instagram)

Há cerca de um ano à frente da Balenciaga, Pierpaolo Piccioli levou para o prêt-à-porter técnicas da 55ª coleção de alta-costura da casa. O desfile de 1º de outubro aplicou esses recursos em camisetas com cauda, jeans cortado em viés, camisas com peplum e calças cargo amplas. No centro da passarela ficava Les Coraux de la Liberté, escultura em linho da artista francesa Aude Franjou inspirada em corais, referência aos colares que o estilista italiano usa todos os dias.

Na Schiaparelli, Daniel Roseberry apresentou Going Clear no mesmo dia, com 52 looks no subsolo do Carrousel du Louvre. A coleção desmontou vestidos de gala da maison em peças separadas e trouxe oito versões da Schiap jacket, criada por Elsa Schiaparelli nos anos 1930. O cenário remetia a uma casa noturna, e muitas clientes de alta-costura assistiram ao desfile sentadas em mesas, com taças de champanhe.

Glamour de cinema e boemia de luxo

Comandada por Julian Klausner desde 2024, a Dries Van Noten mostrou 60 looks no Palais Garnier a partir da imagem de uma atriz deixando o set de filmagem. "Um batom vermelho, um broche deslumbrante, um cinto marcado, é preciso tão pouco para despertar essa sensação", escreveu o estilista no Instagram. Klausner criou cartazes de filmes fictícios, com títulos como "Vipère" e "Ruffle Her Feathers", estampados em vestidos, saias e trench coats e combinados a jaquetas curtas e saias na altura do joelho bordadas com cristais.

Mary-Kate e Ashley Olsen mantiveram na The Row o hábito de recolher os celulares dos convidados, mas divulgaram as imagens cerca de um dia depois, mais rápido do que de costume. Conhecida pelo minimalismo sem logotipo, a marca vende a bolsa Margaux por cerca de 5.000 euros (R$ 29,3 mil) e chinelos de borracha por 1.000 euros (R$ 5,9 mil). Inspirada na antiga rota hippie entre a Europa e a Ásia, a coleção somou à alfaiataria neutra tecidos florais e xadrez madras, materiais de ar vintage em vermelho e turquesa, crochê, franjas, colares de contas e cintos de fita.

Despedidas e trocas de comando

A Chloé desfilou em 1º de outubro sob rumores de que seria a última coleção de Chemena Kamali, cotada para substituir Anthony Vaccarello na Saint Laurent, do grupo Kering. Nenhuma das empresas confirmou a mudança. Kamali trabalhou na Saint Laurent entre 2016 e 2023, quando assumiu a Chloé. Se a saída se concretizar, a Richemont, dona da marca, terá duas vagas de direção criativa, já que a Alaïa segue sem substituto para Pieter Mulier, na Versace desde julho. Aplaudida de pé, The Obsession Collection revisitou códigos da casa, como a broderie anglaise usada pela fundadora Gaby Aghion, capas em cores sólidas e lingeries em tons pastel.

Também no dia 1º, Rick Owens voltou à esplanada do Palais de Tokyo com uma rampa de grade metálica sobre o espelho d'água. A coleção Stone teve vestidos-coluna em tons de pedra, alguns rígidos como armaduras e outros em seda leve, além de saias jeans tingidas com enxofre, jaquetas de motociclista e arneses que o estilista chamou de sua versão de négligée. Nas notas do desfile, Owens associou o tema ao estoicismo, à pedra removida na ressurreição de Cristo e ao hábito de atirar pedras, prática que diz combater.

Rick Owens

Rick Owens levou a coleção "Stone" para a rampa de grade metálica montada sobre o espelho d'água do Palais de Tokyo (Reprodução/Instagram)

Na Anrealage, o japonês Kunihiko Morinaga apresentou saias e vestidos que mudam de cor com escamas impressas em 3D, luzes de LED e papel eletrônico E Ink.

Acompanhe tudo sobre:Moda

Mais de Casual

Melissa e Estúdio Campana: a parceria de milhões de pares ganha um novo capítulo

Dior inaugura spa no Copacabana Palace, o primeiro da marca na América Latina

Bollinger olha para seus vinhedos para escrever os próximos 200 anos

Geração Z cobre tudo de strass — e marcas entram na onda