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O que é o deeptech? 

Entenda por que inovações baseadas em ciência profunda diferem do ciclo rápido de startups tradicionais e como elas transformam a sociedade

O tempo de desenvolvimento de novos produtos e soluções é principal aspecto do deeptech ( WHYFRAME/Shutterstock)

O tempo de desenvolvimento de novos produtos e soluções é principal aspecto do deeptech ( WHYFRAME/Shutterstock)

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Publicado em 3 de maio de 2026 às 07h00.

Por Fabiano Nagamatsu*

Quando falamos em inovações tecnológicas revolucionárias, nomes como CRISPR e DeepMind vêm imediatamente à mente. Elas representam o que há de mais avançado em áreas como biotecnologia e inteligência artificial.

No entanto, essas inovações, que estão remodelando indústrias inteiras, não surgiram da noite para o dia.

Elas são o produto de anos, senão décadas, de pesquisa, ciência e validação rigorosa. Deeptech, ao contrário das inovações rápidas e muitas vezes superficiais, exige tempo, paciência e um compromisso com o futuro.

Essa realidade é difícil de compreender para aqueles acostumados com os rápidos ciclos de inovação das startups tradicionais.

A diferença entre o hype e a transformação real

Quando um novo produto é lançado, frequentemente o hype de mercado o acompanha, com promessas de que ele mudará o mundo de maneira instantânea.

Mas a verdadeira transformação ocorre lentamente, por meio de avanços sólidos e sustentáveis que exigem uma base científica robusta e uma visão de longo prazo.

O diferencial de deeptech está na construção gradual de um futuro sustentável e inovador.

Essa tecnologia, ao contrário de outras inovações, não pode ser apressada. Cada passo, cada experimento, cada falha contribui para o progresso.

Exemplos de impacto: CRISPR e DeepMind

Por exemplo, CRISPR, a tecnologia de edição genética, começou como uma pesquisa básica em biologia molecular e agora está remodelando a medicina e a agricultura.

No entanto, essa revolução só foi possível após anos de estudos minuciosos e validações científicas.

O mesmo pode ser dito para a DeepMind, a famosa empresa de inteligência artificial adquirida pelo Google, responsável por avanços como o AlphaGo e, mais recentemente, pela construção de sistemas de IA capazes de prever a estrutura de proteínas.

Esses marcos não foram alcançados rapidamente, mas sim após décadas de pesquisa profunda e constante aperfeiçoamento de algoritmos e modelos de aprendizado.

O desafio do investimento e o retorno a longo prazo

A maior diferença entre a deeptech e outras inovações tecnológicas é o tempo necessário para alcançar resultados tangíveis.

Ao contrário de soluções rápidas, onde é possível alcançar lucro imediato, a deeptech exige paciência.

O tempo de desenvolvimento de novos produtos e soluções é longo, e muitas vezes as promessas iniciais podem parecer distantes.

Mas o impacto dessa tecnologia, quando finalmente concretizada, pode ser transformador em uma escala global.

Construindo novos paradigmas globais

Além disso, a deeptech não se limita apenas à criação de produtos inovadores, mas também à construção de novos paradigmas em diversas áreas do conhecimento.

Em biotecnologia, por exemplo, o CRISPR não é apenas uma tecnologia que modifica genes; ela abre portas para novos tratamentos médicos e novos modelos de produção alimentar.

Na área de inteligência artificial, DeepMind não está apenas desenvolvendo máquinas capazes de jogar jogos, mas está explorando como as IA podem ajudar a resolver problemas complexos, como a mudança climática e a otimização de processos industriais.

Investir em deeptech exige uma visão além do horizonte imediato.

Esses projetos não geram retorno rápido, e o ciclo de investimento é mais longo e, frequentemente, mais arriscado.

No entanto, os investidores que apostam nesses avanços estão construindo, de maneira silenciosa, as fundações de um futuro mais inovador e sustentável.

Portanto, a pergunta para quem investe ou busca participar desse ecossistema é: você está preparado para investir no futuro? 

A deeptech oferece uma oportunidade única de fazer parte da criação de soluções que podem não ser rentáveis agora, mas que têm o potencial de transformar sociedades e mercados nos próximos anos.

*Fabiano Nagamatsu é CEO da Moove Hub Technology, holding de impacto em educação, tecnologia e investimentos, criada para desenvolver pessoas, negócios e ecossistemas em um mundo em constante transformação. E-mail: moovehub@nbpress.com.br

 

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