Gustavo Werneck, CEO da Gerdau (Repcast / YouTube/Reprodução)
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Publicado em 23 de maio de 2026 às 07h00.
Em uma empresa que carrega 124 anos de história, mudar a cultura interna começa necessariamente pela quebra de paradigmas na linguagem. Quando assumiu o comando da Gerdau, Gustavo Werneck tomou uma decisão tão simbólica quanto profunda: baniu uma palavra que definia o setor há mais de um século. Ele queria afastar o peso do passado para acelerar o passo em direção ao futuro.
Werneck entende que a longevidade exige desapego de velhos conceitos. Para o executivo, o foco absoluto no cliente deve se sobrepor aos termos técnicos que engessam a inovação e distanciam a liderança do mercado.
"Sem o aço a gente não teria chegado até aqui. As pessoas não conseguiam enxergar isso. Até a própria palavra ‘siderurgia’, que eu descontinuei aqui dentro, ela remete à Segunda Guerra. E a sociedade tinha uma visão ruim do setor por causa disso", revela o executivo.
Segundo Gustavo, a mudança, acima de tudo, tinha o objetivo de criar uma visão moderna do aço. A extinção do termo abriu espaço para uma mentalidade ágil, focada em resolver as dores reais de quem consome o portfólio da companhia.
"Desenvolvemos novas capacidades e bem para os nossos clientes que hoje consegue comprar uma solução integrada uma solução mais rápida uma solução mais simples. Sempre foi a capacidade de ouvir os clientes que nos permite fazer essas transformações."
Essa escuta atenta se reflete diretamente na forma como a companhia encara a sustentabilidade e o reaproveitamento de materiais. Em vez de enxergar apenas a mineração tradicional, a empresa aprendeu a olhar para o descarte urbano como matéria-prima essencial, engajando-se na lógica da reciclagem em larga escala.
"Percebemos, muitos anos atrás, que não dava para conviver no mundo onde tudo que se descarta fosse simplesmente jogado na natureza. Então a gente coleta aquela bicicleta velha aquele fogão velho. recicla e traz para dentro das nossas fábricas", explica Werneck.
Para ele, o potencial da indústria nacional nesse novo cenário global é imenso, contanto que o ambiente de negócios dê trégua às forças produtivas do país.
"Desburocratizando criando condições de fato da gente competir, a indústria brasileira tem tudo para finalmente poder entrar nesse jogo global e se destacar porque como eu disse internamente a indústria brasileira é bastante competitiva."
Por trás de toda essa engrenagem operacional, de inovação e de sustentabilidade, reside um ativo intangível que Werneck considera o pilar de sustentação para qualquer tempestade econômica ou mercadológica: a solidez da marca construída ao longo do tempo.
"Para mim, reputação é previsibilidade. É construir uma história que fale por si só em qualquer momento. É possibilitar que, em momento de crise ou dificuldade, nos teus piores momentos, as pessoas e outras organizações da sociedade olhem para você e saibam exatamente como vai ser."