Startups impulsionam a modernização de sistemas críticos em grandes corporações (DC Studio/Shutterstock)
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Publicado em 3 de julho de 2026 às 15h00.
Por Philippe Rosa*
Durante muito tempo, a discussão sobre modernização de sistemas legados ficou concentrada dentro das áreas de infraestrutura e arquitetura corporativa.
Era um tema associado a grandes projetos internos, ciclos longos de implementação e decisões restritas aos times de tecnologia.
Nos últimos anos, porém, esse cenário começou a mudar com a entrada mais forte das startups no ecossistema de transformação tecnológica das grandes organizações.
O movimento acontece em um contexto em que essas organizações passaram a conviver simultaneamente com duas pressões.
De um lado, a necessidade de preservar ambientes críticos que sustentam operações financeiras, logísticas, industriais e de telecomunicações.
De outro, a demanda crescente por velocidade, integração com cloud, uso de dados em tempo real e adoção de inteligência artificial.
Nesse cenário, startups ganharam relevância por trazer modelos mais especializados e ciclos de desenvolvimento mais rápidos, atuando em áreas como automação, observabilidade, integração de sistemas, APIs, IA aplicada e modernização de arquitetura.
Em vez de substituir integralmente estruturas existentes, muitas dessas empresas passaram a ocupar um papel complementar dentro da evolução tecnológica das grandes companhia.
O avanço da inovação aberta ajuda a explicar esse movimento.
Segundo a pesquisa “Open Innovation Report Brasil 2024”, produzida pela Distrito, 94% das grandes empresas brasileiras já mantêm relacionamento com startups.
Entre os principais objetivos estão aceleração da transformação digital, ganho de eficiência operacional e acesso mais rápido a novas tecnologias.
A modernização de sistemas críticos aparece diretamente dentro dessa agenda.
Ambientes legados seguem sendo responsáveis por grande parte das operações de empresas em setores altamente regulados.
Dados de mercado indicam que uma parcela relevante das aplicações de missão crítica ainda opera em ambientes de mainframe, refletindo a dependência dessas plataformas em setores como o financeiro.
A convivência entre sistemas históricos e novas demandas digitais criou espaço para soluções mais modulares e especializadas.
A modernização de sistemas legados passou a exigir maior capacidade de adaptação, velocidade de execução e integração entre diferentes modelos de inovação.
O desafio das grandes organizações já não se limita à adoção de novas tecnologias, mas envolve também a capacidade de integrá-las sem comprometer estruturas que continuam sustentando operações críticas.
Ao contrário do que acontecia há alguns anos, grandes organizações passaram a enxergar inovação aberta menos como um laboratório paralelo e mais como um mecanismo de aceleração tecnológica.
Isso alterou a relação entre corporações e startups, principalmente em setores como financeiro, seguros, saúde e logística. Parte importante desse avanço está ligada à mudança de abordagem na modernização de sistemas.
Em vez de projetos extensos de substituição completa, muitas empresas passaram a trabalhar com jornadas progressivas de transformação, incorporando soluções externas para resolver problemas específicos de integração, monitoramento, eficiência operacional e uso de dados.
Esse modelo também reduz riscos. Estruturas críticas continuam operando enquanto novos componentes digitais são integrados gradualmente ao ambiente corporativo.
A estratégia permite acelerar ganhos de eficiência sem comprometer continuidade operacional.
Outro fator relevante é a evolução da própria maturidade das startups B2B no Brasil. Nos últimos anos, o ecossistema evoluiu para oferecer soluções mais aderentes às necessidades de grandes corporações, com foco em segurança, compliance, escalabilidade e integração com ambientes complexos.
A tendência é que essa aproximação continue avançando nos próximos anos, principalmente porque a pressão por modernização tecnológica se intensificou.
O uso crescente de IA, aplicações em nuvem e modelos orientados a dados exige arquiteturas mais flexíveis e conectadas.
Ao mesmo tempo, poucas empresas podem interromper operações críticas para promover mudanças radicais em seus ambientes de TI.
Nesse contexto, startups passaram a ocupar um espaço relevante na modernização de sistemas legados, apoiando grandes organizações na aceleração de entregas, na redução do tempo de implementação e na incorporação de novas capacidades tecnológicas em ambientes que precisam operar com estabilidade.
Essa dinâmica reflete uma mudança mais ampla no desafio enfrentado pelas corporações, que hoje envolve não apenas a adoção de novas tecnologias, mas a capacidade de integrá-las de forma eficiente a estruturas críticas já existentes, conciliando adaptação, velocidade de execução e continuidade operacional.
*Philippe Rosa é Diretor de Inovação e Novos Negócios da TQI e líder do TQI Ventures, projeto de inovação aberta da companhia.