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Natura cria startup para conectar bioeconomia da Amazônia ao mundo

Iniciativa conecta mais de 11 mil famílias na Pan-Amazônia a novos mercados e mantém rastreabilidade de insumos usados em cadeias de cosméticos e outros setores

Empresa aposta em escala de bioeconomia com base em 25 anos de atuação na região e acordos já firmados com marcas internacionais (Leandro Fonseca /Exame)

Empresa aposta em escala de bioeconomia com base em 25 anos de atuação na região e acordos já firmados com marcas internacionais (Leandro Fonseca /Exame)

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 5 de julho de 2026 às 08h01.

01A fabricante de cosméticos Natura anunciou o lançamento da Natura Ingredientes, uma startup estruturada em modelo de Corporate Venture Building — formato de construção de novos negócios a partir de ativos internos — voltada à comercialização de bioingredientes da Amazônia para outras indústrias.

A iniciativa abre para empresas dos setores de alimentos, farma e cosméticos uma cadeia de suprimentos que a companhia construiu ao longo de 25 anos na região amazônica, mantendo o uso de insumos rastreáveis e padronizados.

Segundo a empresa, a operação busca combinar expansão de mercado com a manutenção da estrutura atual de abastecimento da Natura, sem comprometer o fornecimento interno.

José Manuel Silva, vice-presidente de Novos Negócios da Natura, afirmou que a Natura Ingredientes é uma startup que opera no formato B2B e representa uma aceleradora da resiliência e do impacto social e ambiental já gerado hoje.

"Fortalecemos nossas cadeias sustentáveis ao mesmo tempo em que facilitamos o acesso de empresas que querem estabelecer sua produção na Amazônia, mas não têm o conhecimento e a estrutura para tanto”, afirmou.

Estrutura baseada na operação na Amazônia

A startup foi incubada a partir da estrutura já existente da companhia na região, com base na Gerência de Relacionamento e Abastecimento da Sociobiodiversidade (GRAS). O modelo atua há mais de duas décadas em comunidades locais, com foco em cadeias produtivas, pesquisa e desenvolvimento.

O objetivo da Natura Ingredientes é conectar bioativos já utilizados pela companhia — além de novos potenciais insumos — a uma demanda global, mantendo rastreabilidade, manejo sustentável, segurança de fornecimento e padronização.

A empresa afirma que a abertura ao mercado externo não altera o abastecimento interno, que segue garantido por planejamento de safra, investimentos e articulação com comunidades fornecedoras.

Escala de cadeia e presença na sociobiodiversidade

Em 2025, 13,1% das matérias-primas utilizadas pela Natura tiveram origem na Amazônia. A operação envolve 43 comunidades no Brasil e mais de 11 mil famílias na Pan-Amazônia, integradas a cadeias de biocomércio ético que, segundo a companhia, contribuem para a conservação de 2,2 milhões de hectares de floresta.

No ano passado, os investimentos diretos nas comunidades fornecedoras chegaram a R$ 62,39 milhões, alta de 29% em relação ao período anterior.

A empresa afirma ainda que todas as suas cadeias amazônicas possuem certificação da União para o Biocomércio Ético (UEBT), certificação internacional que avalia práticas de manejo e rastreabilidade ao longo da cadeia produtiva.

Portfólio e operações iniciais

A Natura Ingredientes iniciou operação piloto há seis meses e já tem acordos firmados para entregas em 2026 com empresas como a britânica de cosméticos Lush e a brasileira alimentícia Mahta.

O portfólio inicial reúne mais de 20 espécies da sociobiodiversidade, já presentes em produtos da Natura. Entre os insumos citados estão Andiroba, Tucumã, Castanha-do-Pará, Murumuru, além de ativos olfativos como Priprioca e Ishpink.

Estratégia e metas de cadeia

A nova unidade integra a estratégia da companhia de ampliar o uso de insumos amazônicos. Entre as metas informadas estão quadruplicar a aquisição de matérias-primas da região até 2030 e substituir, sempre que possível, insumos por alternativas de origem amazônica.

A empresa também associa a iniciativa à busca por maior resiliência da cadeia de suprimentos e redução de riscos operacionais, além de ganhos de escala para comunidades fornecedoras.

Ao expandir o fornecimento desses bioingredientes para outras indústrias, a Natura afirma buscar também maior valorização da produção local e fortalecimento das cadeias já estruturadas na região.

Acompanhe tudo sobre:NaturabioeconomiaAmazôniaStartups

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