Revista Exame

Muito além do ChatGPT: as startups brasileiras que constroem IA própria

Uma safra renovada de startups brasileiras aposta em construir IA própria, com chance de levá-la para fora. Juntas, as dez desta lista já somam mais de 1 bilhão de reais em aportes e clientes em dezenas de países

Laura Camargo, cofundadora da Neofin: ex-Pátria e General Atlantic, levantou um dos maiores cheques seed já destinados a uma startup liderada por uma mulher no Brasil (Leandro Fonseca/Exame)

Laura Camargo, cofundadora da Neofin: ex-Pátria e General Atlantic, levantou um dos maiores cheques seed já destinados a uma startup liderada por uma mulher no Brasil (Leandro Fonseca/Exame)

Publicado em 25 de junho de 2026 às 06h00.

O Brasil é, com folga, a maior potência de capital de risco da América Latina: concentra o maior número de unicórnios da região, abriga mais de 300 fundos de venture capital, segundo a ABVCAP, e responde por metade das 100 startups latino-americanas com maior potencial de crescimento.

Mas 2025 foi um ano de freio. As startups do país captaram 4,5 bilhões de dólares, queda de 13% sobre o ano anterior, e, pela primeira vez desde 2012, chegaram a ser ultrapassadas pelo México como destino preferido dos investidores, segundo o CrunchBase.

Mais revelador: enquanto lá fora a inteligência artificial dominava as maiores rodadas do mundo, aqui ela mal aparecia — das 11 maiores captações de equity do ano, apenas duas foram de empresas com IA no centro do negócio. O dinheiro brasileiro ainda preferia o terreno conhecido das fintechs.

A virada começou a se desenhar no segundo semestre. No terceiro trimestre, o país voltou ao topo regional, com aportes 47% maiores do que um ano antes, e, em 2026, a América Latina ganhou seu primeiro unicórnio de inteligência artificial, a legaltech Enter, avaliada em 1,2 bilhão de dólares.

Por trás do número, uma mudança de natureza: uma geração de startups que nasceu para construir tecnologia própria, e não apenas empacotar modelos da OpenAI ou da ­Anthropic, passou a movimentar a contribuição brasileira ao setor. São empresas que tratam a IA como engenharia, não como verniz. Estas são dez delas para ficar de olho.


NeoSpace

Setor Dados financeiros

O que faz Cria modelos de IA para analisar grandes bases de dados empresariais

Ano de fundação 2024

Bruno Pierobon, cofundador da NeoSpace: já vendeu uma empresa ao Itaú e agora constrói modelos de IA próprios para as grandes bases de dados das companhias (NeoSpace/Divulgação)

Bruno Pierobon, Felipe Almeida e Gus­tavo Debs já tinham vendido uma empresa para o Itaú, a Zup, comprada em 2020, quando, em 2024, decidiram atacar um problema mais difícil.

Em vez de seguir a receita mais comum do mercado brasileiro de IA, que pega modelos prontos da OpenAI ou da Anthropic e os adapta a tarefas específicas, a NeoSpace foi construir tecnologia própria, e pesada. A aposta tem nome: Large Data Models (LDM), uma categoria de modelo fundacional voltada não para a linguagem, como os LLMs que popularizaram a IA generativa, mas para os dados estruturados e não estruturados das grandes empresas.

Na prática, a tecnologia cruza bilhões de registros, 24 meses de histórico de uma companhia, por exemplo, para reconhecer padrões e orientar decisões de negócio com precisão superior à dos modelos tradicionais de machine learning.

A tese rendeu à startup um lugar raro no mapa global: foi uma das poucas brasileiras citadas pela Nvidia numa conferência dominada por hyperscalers e fabricantes de chips do eixo Estados Unidos-Europa. Também atraiu dinheiro de peso. No início de 2025, o Itaú comprou 15% da empresa ao liderar uma rodada de 18 milhões de reais, com a participação de investidores-anjo como Micky Malka (Ribbit), Martin Escobari (General Atlantic) e Nigel Morris (QED).

Para 2026, a NeoSpace projeta faturar 300 milhões de reais e iniciar a expansão internacional, com os Estados Unidos como primeiro mercado fora do país. “Em um setor em que a maior parte das iniciativas ainda orbita consultoria e automação de atendimento, queremos construir infraestrutura de IA de verdade”, afirma Felipe Almeida, cofundador da NeoSpace.


Tako

Setor HRtech

O que faz Automatiza folha de pagamento e rotinas de RH com agentes de IA

Ano de fundação 2022

“Tako” é “polvo” na tradução em japonês, e a escolha é proposital: como o animal de muitos tentáculos, a startup­ quer coordenar de uma vez só as tarefas dispersas de um departamento de RH.

Fundada no fim de 2022 por Fernando Gadotti, criador do marketplace pet DogHero (vendido à Petlove em 2020), e pelo colombiano Sebastián Mejía, cofundador do unicórnio Rappi, a Tako passou dois anos em modo stealth, desenvolvendo a tecnologia antes de chegar ao mercado, em novembro de 2024.

O alvo é um dos processos mais ingratos das empresas brasileiras: fechar a folha de pagamento, tarefa que pode consumir duas semanas por mês num dos sistemas trabalhistas mais complexos do mundo.

A plataforma usa agentes de inteligência artificial treinados na legislação nacional para automatizar o cálculo e evitar multas, de lançamentos incorretos a guias mal preenchidas, centralizando todo o ciclo do funcionário, da admissão à demissão, passando por férias, benefícios e jornada.

Como tudo é registrado em tempo real, o gestor ainda pode perguntar em linguagem natural, por exemplo: “Qual é o custo do time de vendas?” E obter a resposta na hora.

A empresa diz já ter processado mais de 1 bilhão de reais em folhas, economizado mais de 5.000 dias úteis de trabalho a seus clientes e elevado em mais de 60% a eficiência do processo.

Atende companhias de médio porte, entre 100 e 500 funcionários, como Warren, ­SouSmile, Daki, Azos e StarkBank. Em pouco mais de dois anos, somou mais de 175 milhões de reais em aportes: uma rodada inicial de 75 milhões no fim de 2024 e uma Série A de 100 milhões em julho de 2025, liderada pela Ribbit Capital, com a americana a16z, a ONEVC e os fundadores da fintech Ramp.

Para ficar perto da fronteira da IA, abriu um escritório em São Francisco — se preparando para o próximo movimento. A ambição declarada é maior do que a folha: virar a infraestrutura central de dados confiáveis da empresa, o “cérebro” capaz de integrar e automatizar decisões em todas as áreas.


Tractian

Setor Deeptech

O que faz Usa sensores e IA para prever falhas em máquinas industriais

Ano de fundação 2019

Igor Marinelli: fez da “escuta” das vibrações das máquinas uma deeptech de referência mundial (Leandro Fonseca/Exame)

Igor Marinelli cresceu ouvindo o pai, engenheiro de manutenção, contar que encostava uma chave de fenda nas máquinas para “escutar” os defeitos pelas vibrações.

A pergunta que daria origem a um negócio de 4 bilhões de reais veio anos depois: e se desse para fazer o mesmo com inteligência artificial?

Em 2019, ainda na engenharia da USP de São Carlos, Marinelli largou a faculdade com os colegas Gabriel Lameirinhas e Leonardo Vieira — todos com pais ou irmãos no chão de fábrica — para fundar a Tractian.

Deu certo. Clientes como Ambev, ­Embraer, John Deere e Bosch adotaram a tecnologia, e o dinheiro acompanhou: da rodada pré-seed de 2 milhões de reais, com a própria Y Combinator, a startup chegou, no fim de 2024, a uma Série C de 700 milhões de reais liderada pela americana Sapphire Ventures, com General Catalyst e Next47.

O cheque elevou o valor de mercado a 4 bilhões de reais e bancou um AI Center de 10.000 metros quadrados em São Paulo, de onde a empresa monitora mais de 1.000 plantas industriais.

Entre uma ponta e outra dessa escalada, uma seed de 17 milhões de reais em 2021, uma Série A de 80 milhões de reais em 2022, a Tractian foi afinando uma tecnologia que, segundo os fundadores, acerta três em cada quatro alertas de falha.

Hoje a empresa opera com um CEO para o Brasil, um para o México e Marinelli à frente da operação global, de olho na expansão nos Estados Unidos. Uma deeptech brasileira que virou referência mundial em manutenção preditiva.


Pier

Setor Insurtech

O que faz Vende seguros digitais com IA para análise rápida de sinistros

Ano de fundação 2018

Camila Kataguiri, CEO da Pier: comanda a primeira insurtech a virar seguradora no Brasil, com IA que analisa sinistros em menos de 1 segundo (Rafael Merino/Divulgação)

Igor Mascarenhas, Lucas Prado e Rafael Oliveira se conheceram na Unicamp em 2006, mas somente uma década depois transformaram a amizade em negócio.

Em 2018, fundaram a Pier movidos por uma irritação em comum: o seguro tradicional, caro, burocrático e desenhado para afastar o cliente justamente na hora do sinistro.

A insurtech começou pequena, vendendo seguro de celular, e logo avançou para o automóvel, um mercado em que cerca de 70% da frota brasileira roda sem proteção.

“O trunfo está nos bastidores; usamos inteligência artificial para analisar pedidos de reembolso em menos de 1 segundo, o oposto da via-crúcis que o setor acostumou o consumidor a esperar”, diz a CEO Camila Kataguiri. Não por acaso, a maioria dos clientes da Pier, que ela chama de “membros”,  nunca tinha tido seguro antes.

A tecnologia rendeu um feito regulatório inédito: a Pier foi a primeira insurtech a virar seguradora no Brasil, depois de passar pelo sandbox da Susep, o ambiente de testes do regulador, e a primeira do programa a pedir a licença definitiva. O crescimento acompanhou: em menos de um ano, a empresa tri­plicou a receita .

Em 2025, faturou 250 milhões de reais atendendo 200.000 clientes. E rendeu também o apetite dos investidores. Ao longo dos anos, a empresa acumulou mais de 222 milhões de reais em aportes de fundos como Monashees e Canary, do MELI Fund (do Mercado Livre) e do BTG ­Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME), tornando-se a insurtech que mais levantou rodadas no país.

Eleita uma das 100 melhores do mundo pela plataforma britânica Sønr, a Pier virou a prova de que dá para usar dados e IA para democratizar um produto que, no Brasil, sempre foi privilégio de poucos.


BemAgro

Setor Agtech

O que faz Usa IA e visão computacional para analisar lavouras por drones e satélites

Ano de fundação 2018

Quando fundou a BemAgro em 2018, em Ribeirão Preto, Johann Coelho mirou um problema antigo do agronegócio: transformar a enxurrada de imagens captadas por drones e satélites em decisões úteis para o produtor.

A plataforma da agtech usa inteligência artificial e visão computacional para gerar mais de 20 relatórios agronômicos, de contagem de plantas e detecção de ervas daninhas a modelos de relevo, acompanhando a lavoura do planejamento à colheita.

Começou na cana-de-açúcar, ganhou a parceria da Embrapa e da fabricante de máquinas CNH, com quem criou uma solução que roda em tratores Case IH e New Holland — e foi se espalhando por grãos, fibras e florestas, já com mais de 150.000 mapeamentos em 11 países e 7 milhões de hectares processados.

O primeiro cheque relevante veio de fora, da israelense Israel Agro Tech, em 2019; depois entraram na própria CNH e fundos como a Rural Ventures.

Somando esses aportes aos de gigantes do agro, como Suzano e Atvos, e a uma Série A de 30,3 milhões de reais fechada no início de 2026 e liderada pelo fundo The Yield Lab Latam, a empresa já ultrapassou 50 milhões de reais captados, triplicou o faturamento em pouco mais de um ano e quer dobrá-lo a cada ano.


RadarFit

Setor Healthtech

O que faz Gamifica hábitos saudáveis com IA para empresas

Ano de fundação 2018

A ideia da RadarFit nasceu de uma dificuldade que as próprias fundadoras viviam: achar tempo para cuidar da saúde enquanto tocavam um negócio.

Em 2018, as mineiras Jade Utsch (CEO), Jennifer de Faria (CFO) e Tatiany Ribeiro (CTO) criaram, em Belo Horizonte, um aplicativo que transforma hábitos saudáveis em jogo.

Com inteligência artificial generativa — rodando sobre o Azure OpenAI, da Microsoft, que chega a validar por foto se a refeição ou o treino foram cumpridos —, a plataforma personaliza treinos, planos alimentares, metas de hidratação e até meditações, e recompensa cada conquista com “fitcoins”, moedas virtuais trocáveis por produtos, vouchers ou doações.

Depois de começar no consumidor final, a healthtech migrou para o modelo corporativo após uma aceleração do Banco do Brasil, e hoje soma mais de 1 milhão de funcionários em 60 grandes empresas, como Ambev, Petrobras, Basf e Coabriel — onde chegou a reduzir o absenteísmo pela metade.

O reconhecimento veio de fora: tocada só por mulheres, foi destacada por Microsoft e Forbes como caso de inovação em saúde corporativa. Em 2023, levantou 5 milhões de reais com o WE Ventures, fundo de empreendedorismo feminino ligado à Microsoft, e a Hiker.


Beconfident

Setor Edtech

O que faz Oferece tutor de inglês por IA em chamadas de voz e vídeo

Ano de fundação 2023

Robson Amorim, CEO da BeConfident: aficionado por robótica na infância, hoje lidera um tutor de inglês com IA que enfrenta o Duolingo (Cristina Carrizosa/Divulgação)

A história da BeConfident começa com quatro amigos da periferia de São Paulo que se conheceram aos 10 anos, em competições de robótica, uma das quais venceram em nível mundial.

Programadores desde a infância, Robson Amorim (CEO), Felipe Tiozo (CTO), Luan Cavallaro (CMO) e Felipe Silva (CPO) compartilhavam uma frustração: aprender inglês no Brasil, onde apenas 1% da população fala o idioma com fluência, custa caro e quase sempre depende de um intercâmbio inacessível.

A virada veio em 2022, quando Silva fez um intercâmbio na Flórida e percebeu que aprendia mais conversando fora da sala de aula do que dentro dela. Meses depois, o ChatGPT era lançado.

Os quatro juntaram suas habilidades em hardware e software e, em 2023, criaram um tutor de inglês que funciona por chamadas de voz e vídeo no WhatsApp e que, em vez de exercícios de repetição, puxa conversa sobre o dia a dia do aluno e guarda o que aprendeu para os próximos papos. “Ele não vai ser apenas o professor do estudante, mas o melhor amigo”, resume Amorim.

A proposta a colocou em rota de colisão com gigantes como o Duolingo, mas por um caminho oposto ao da gamificação. E funcionou: em 2025, a edtech passou de 200.000 assinantes pagantes e faturou 60 milhões de reais no último ano.

Com uma rodada pré-seed de 2,5 milhões de reais que reuniu a aceleradora ­Latitud e André Penha (do ­QuintoAndar), a ­BeConfident fechou no início de 2026 uma Série A de 85 milhões de reais liderada pela Prosus, holandesa dona do iFood na América Latina, que avaliou a empresa em 530 milhões de reais.

A meta para o ano é ambiciosa — 300 milhões de reais de receita — e internacional. Não é pouco para quatro garotos que começaram montando robôs.


Blip

Setor Atendimento conversacional

O que faz Automatiza conversas entre empresas e clientes em canais como WhatsApp e Instagram

Ano de fundação 1999

A Blip é a prova de que estar onde o consumidor vive vale mais que qualquer tecnologia.

O mineiro Roberto Oliveira a fundou em 1999, em Belo Horizonte, num quiosque de shopping prestando assistência técnica antes de a internet móvel ser um negócio. A virada veio quando apostou que a conversa — não o site nem o aplicativo — seria a principal interface entre marcas e clientes, e construiu uma plataforma para orquestrar esses diálogos em escala.

Hoje a Blip se descreve como a casa dos “contatos inteligentes”: conecta empresas e consumidores no WhatsApp, Instagram, Messenger e afins, cada vez mais, com agentes de IA que vendem, atendem e resolvem no lugar do humano.

A companhia já reuniu cerca de 230 milhões de dólares de Warburg Pincus, SoftBank e Microsoft — incluindo uma Série C de 60 milhões em 2024 —, atende perto de 4.000 empresas em mais de 30 países, de Itaú e GM a Coca-Cola e Claro, e abriu escritórios no México e na Espanha.

Pelo caminho, cresceu comprando inteligência: levou a STILINGUE, de monitoramento de conversas, em 2022, e a mexicana GUS, em 2023. A aposta final é transformar cada conversa de atendimento em venda: fazer o Whats­App das marcas deixar de ser canal de suporte para virar a principal vitrine de negócios do país.


Neofin

Setor Fintech

O que faz Automatiza cobranças e contas a receber com IA

Ano de fundação 2023

Laura Camargo, cofundadora da Neofin: ex-Pátria e General Atlantic, levantou um dos maiores cheques seed já destinados a uma startup liderada por uma mulher no Brasil

Cobrar é uma das tarefas mais ingratas de qualquer empresa — e, no Brasil, ainda costuma morar em planilhas, telefonemas constrangedores e clientes que desaparecem. Foi essa dor, vivida de perto em mais de uma década no mercado financeiro, que levou Laura Camargo (ex-Pátria e General Atlantic), Arthur Cunha (ex-Credit Suisse e iFood) e Leandro Sarmento (ex-IBM e Empiricus) a fundar a Neofin em janeiro de 2023.

A fintech automatiza o processo de contas a receber com inteligência artificial: uma “régua de cobrança” que segmenta os devedores por perfil e dispara mensagens personalizadas por e-mail, WhatsApp e SMS, com direito a um agente de IA capaz de conduzir negociações sozinho pelo aplicativo de mensagens. Integrada aos principais ERPs e bancos, e com parceria firmada com a Serasa, a plataforma promete trocar o esforço manual por previsibilidade de caixa.

A tese convenceu rapidamente o mercado.

Em fevereiro de 2025, a ­Neofin captou 35 milhões de reais numa rodada seed liderada pelos fundos Quona e Upload, um dos maiores cheques do tipo já destinados a uma startup comandada por uma mulher no Brasil.

Entre os investidores-anjo estão César Carvalho, fundador do Wellhub (ex-Gympass), e Patrick Sigrist, do iFood, ao lado de fundos como 17-Sigma, Norte e Canaan. Com o capital, a empresa partiu para construir novos módulos, de um portal de renegociação automática a um CRM de cobranças, mirando médias e grandes companhias.

A própria Neofin trata esse momento como o primeiro de pelo menos três capítulos planejados, começa pela cobrança para depois avançar por todo o ciclo financeiro das empresas. Num país de inadimplência alta e fluxo de caixa apertado, ela aposta que a parte mais chata das finanças é também uma das mais fáceis de entregar para a IA.


Zoox Smart Data

Setor Banco de dados

O que faz Coleta e analisa dados de ambientes físicos para gerar inteligência de negócios

Ano de fundação 2010

A Zoox é a maior prova de que uma boa tese só precisa de tempo. O carioca Rafael de Albuquerque a fundou em 2010, sozinho, vendendo gestão de Wi-Fi para um hotel na orla do Rio de Janeiro.

Em 2016, antes de “dados” e “IA” virarem palavras de ordem, fez a aposta que definiria a empresa: deixar de vender conectividade para oferecer inteligência de dados.

A Zoox passou a capturar e enriquecer, com consentimento, as informações de quem se conecta ao Wi-Fi de hotéis, aeroportos e shoppings, transformando o comportamento do mundo físico em algo que, até então, só existia no digital. Hoje a datatech se descreve como o “-Booking.com dos dados”. “Nós reunimos mais de 1 bilhão de conexões. Temos informação de praticamente todas as pessoas físicas e jurídicas do país”, conta Albuquerque.

Hoje a empresa atende cerca de 1.700 clientes em quase 30 países, de Accor e Nestlé a Globo, McDonald’s e Fórmula 1. Um de seus produtos de IA, o Zoox Eye, faz prova de vida por reconhecimento de imagem e já é usado pela Rede D’Or.

Lucrativa desde o fim de 2023 e crescendo cerca de 50% ao ano, a empresa que começou com um roteador na praia mira 1 bilhão de reais de faturamento até 2031 — com uma vantagem rara: dados de verdade, e a tese certa anos antes de qualquer onda se confirmar. 


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