Repórter
Publicado em 24 de fevereiro de 2026 às 14h47.
Última atualização em 24 de fevereiro de 2026 às 14h50.
Por muito tempo, ser desenvolvedor especializado em COBOL foi sinônimo de estabilidade quase vitalícia no setor de tecnologia. A lógica era simples: enquanto bancos, seguradoras e governos mantivessem sistemas escritos na linguagem criada nos anos 1950, sempre haveria orçamento para mantê-los funcionando. O anúncio da Anthropic, no início da semana, colocou essa percepção em xeque e derrubou 10% das ações da IBM no mesmo dia.
A Anthropic apresentou novas ferramentas de IA baseadas no Claude Code, seu modelo voltado a desenvolvimento de software. A proposta é acelerar a modernização de sistemas corporativos escritos em COBOL, automatizando etapas que tradicionalmente exigem grandes equipes de consultoria.
A reação do mercado foi imediata. A IBM, que mantém divisões lucrativas dedicadas à atualização de sistemas legados, viu investidores precificarem um risco direto ao seu modelo de negócios.
Segundo o portal Investing.com, o impacto se espalhou pelo setor. As ações da Accenture recuaram 6,58%, enquanto a Cognizant caiu 6,00% no mesmo pregão. O mercado interpretou que a automação pode reduzir o tempo e o custo da modernização, pressionando o valor das consultorias tradicionais.
O movimento expõe uma dinâmica mais ampla. A inteligência artificial avança sobre nichos historicamente protegidos pela escassez de mão de obra especializada. No caso do COBOL, essa escassez sempre funcionou como barreira de entrada e como justificativa para projetos que se estendiam por anos.
O Common Business Oriented Language, conhecido pela sigla COBOL, foi criado no fim da década de 1950 para processar grandes volumes de dados administrativos e financeiros. Apesar da migração da indústria para arquiteturas modernas, a linguagem segue operando na infraestrutura econômica global.
Dados do Investing.com indicam que sistemas baseados em COBOL ainda gerenciam cerca de 95% das transações de caixas eletrônicos nos Estados Unidos. Centenas de bilhões de linhas de código permanecem ativas em bancos, companhias aéreas e órgãos governamentais.
Boa parte desses sistemas foi implementada antes da era da internet. A integração com plataformas atuais exige mapeamento detalhado de dependências e riscos operacionais. Além disso, muitos dos profissionais que planejaram essas arquiteturas já se aposentaram, reduzindo o contingente de especialistas disponíveis.
A Anthropic afirma que seu modelo consegue analisar grandes volumes de código simultaneamente, documentar fluxos de trabalho e identificar pontos críticos com menor intervenção humana. A promessa é encurtar projetos que tradicionalmente levariam meses ou anos.