Fim da 6x1: Defensores da proposta afirmam que a mudança também visa melhorar a saúde mental e a produtividade dos trabalhadores (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
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Publicado em 28 de maio de 2026 às 14h23.
Foi aprovada na noite da última quarta-feira, 28, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que dá ao trabalhador o direito a duas folgas na semana e a redução da jornada máxima de trabalho: o fim da escala 6x1. O texto foi votado em dois turnos na Câmara dos Deputados e agora segue para análise no Senado.
Em meio à pressa da corrida eleitoral, a proposta estabelece uma mudança gradual nas regras trabalhistas, com período de transição para empresas e trabalhadores.
A principal alteração é o fim do modelo de seis dias de trabalho para um de descanso, que será substituído pela escala 5x2, com dois dias de folga remunerada por semana. A jornada máxima de trabalho também será reduzida de 44 para 40 horas semanais.
Hoje, a Constituição permite jornada de até 44 horas semanais, normalmente distribuídas em seis dias de trabalho e um de descanso. A PEC aprovada muda esse modelo e fixa dois pilares principais:
Na prática, a escala 6x1 deixa de existir como padrão constitucional de trabalho no país.
O texto aprovado também contraria propostas apresentadas pela oposição, de reduzir o salário proporcionalmente à redução da jornada. Segundo a Genial/Quaest, divulgada em 18 de maio, 56% da população é contra a mudança na escala acompanhada do corte de salário.
A mesma pesquisa apontou que 68% dos brasileiros aprovam o fim da escala 6x1 da forma que foi aprovada na Câmara, sem redução proporcional da remuneração dos trabalhadores.
A mudança não será imediata. A PEC cria uma transição em duas etapas após a promulgação da emenda constitucional. O cronograma previsto é:
60 dias após a promulgação
12 meses após a primeira redução
Segundo o relator da proposta, deputado Leo Prates (Republicanos), o objetivo da transição é dar tempo para adaptação dos setores econômicos.
Na outra ponta, o imediatismo para colocar a proposta na prática vem do ano eleitoral, para que os eleitores votem sentindo os efeitos da mudança de escala.
Não. Apesar da aprovação na Câmara, a PEC ainda precisa passar pelo Senado Federal. Como se trata de uma mudança na Constituição, o texto precisa:
Somente depois da promulgação começam a contar os prazos de transição.
A proposta atinge trabalhadores contratados pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), especialmente setores em que a escala 6x1 é mais comum, como:
O texto aprovado também prevê que categorias específicas poderão ter regras complementares definidas por legislação própria, acordos coletivos ou convenções trabalhistas.
Segundo o Ministério do Trabalho, 14,8 milhões de trabalhadores celetistas que atuam no modelo 6x1 serão afetados. Há ainda 1,4 milhão de trabalhadoras domésticas em escala 6x1.
Durante as negociações da proposta, governo e Câmara fecharam acordo para flexibilizar o controle de jornada de trabalhadores CLT com salários elevados.
A medida cria uma categoria semelhante à do “superempregado”, aqueles que têm diploma de Ensino Superior e renda mensal superior a duas vezes e meia o teto dos benefícios pagos pelo INSS (equivalente, hoje, a R$ 21.188,88).
Segundo a proposta, esses profissionais não terão limite de jornada nem controle de ponto, a menos que convenção ou acordo coletivo barre a flexibilização prevista na norma.
A discussão sobre o fim da escala 6x1 ganhou força nos últimos meses com pressão de movimentos trabalhistas e campanhas nas redes sociais em defesa de melhor qualidade de vida.
Defensores da proposta afirmam que a mudança também visa melhorar a saúde mental e a produtividade dos trabalhadores. Segundo relatos de representantes populares na própria Câmara, esses profissionais usam o único dia de folga para resolver questões médicas, burocráticas e cuidar da casa e da família, sem realmente descansar.
Além disso, alegam que o tempo gasto com o emprego vai além das horas passadas no local, especialmente para residentes das periferias. Nesta conta também entra o tempo gasto no transporte e a administração da vida pessoal e familiar para conseguir trabalhar.
Já críticos argumentam que a redução da jornada pode elevar custos para empresas e afetar setores com grande necessidade de mão de obra.
Por outro lado, enquanto varejo e serviços enfrentam um problema de falta de profissionais, a melhor qualidade de vida oferecida pela nova escala pode devolver mão de obra ao mercado de trabalho formal.
A proposta aprovada pela Câmara acabou ficando em um meio-termo entre projetos mais amplos que defendiam redução para 36 horas semanais ou adoção da escala 4x3.