6x1: Relator deve sugerir modelo gradual com possível semana de 40 horas (@leoprates/Arquivo Pessoal)
Colaboradora
Publicado em 29 de abril de 2026 às 15h42.
Uma comissão especial da Câmara dos Deputados para discutir as mudanças na escala de trabalho 6x1 foi instalada nesta quarta-feira, 29.
O relator das propostas de emenda à Constituição (PECs) é Leo Prates (Republicanos), que já sinalizou a possibilidade de uma regra de transição e soluções flexíveis.
Em entrevista ao jornal O Globo, Prates afirmou que pretende adotar uma abordagem gradual, cujo objetivo é construir um consenso entre patrões e funcionários.
A ideia é que a transição permita a adaptação geral às novas regras, evitando impactos abruptos na economia.
Como mostrou a EXAME, o impacto econômico estimado por estudos é de até 1% do PIB e as empresas, como restaurantes e shoppings centers, defendem a desoneração da folha de pagamento para que a medida não impacte a economia.
O relator também indicou que muitos pontos devem ser definidos por meio de acordos coletivos, o que abre espaço para soluções específicas por setor.
A proposta de redução da jornada para 40 horas semanais aparece como um dos eixos centrais do relatório. Atualmente, a Constituição prevê jornada de até 44 horas semanais.
O posicionamento do relator contrasta com o desejo do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tinha enviado um PL sobre o fim da escala 6x1 para imlementação imediata e com tramitação mais rápida.
Entre as propostas em discussão no Congresso, algumas PECs já estão mais avançadas. Duas delas foram aprovadas pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara em 22 de abril.
A primeira é a PEC 221/2019, que visa reduzir a jornada para 36 horas semanais, com implementação em até 10 anos. Ela também mantém a compensação por acordo coletivo.
A segunda é a PEC 8/2025, que estabelece jornada de até 36 horas semanais em 4 dias de trabalho e 3 de descanso. Essa proposta extingue a escala 6x1 e mantém a negociação coletiva.
O deputado federal Leo Prates é natural de Salvador, capital da Bahia, onde iniciou sua carreira política. Foi vereador, assessor parlamentar de ACM Neto (União) e presidente da Câmara Municipal.
Atuou como deputado estadual e secretário municipal de Saúde de Salvador, o que lhe deu projeção nacional, especialmente durante a pandemia de Covid-19.
No Congresso, o parlamentar tem atuação voltada a temas trabalhistas e de saúde pública.
O colegiado será composto por 38 membros titulares e igual número de suplentes e será presidido pelo deputado Alencar Santana (PT-SP).
A divisão das cadeiras deve seguir o peso das bancadas na Câmara. PT e PL terão as maiores representações, com seis titulares e seis suplentes cada. Entre os membros efetivos estão Erika Hilton (PSOL-SP) e Reginaldo Lopes (PT-MG), autores de propostas sobre a reorganização da jornada de trabalho que foram incorporadas ao texto em análise.