Repórter
Publicado em 15 de junho de 2026 às 07h07.
O julgamento da ação contra o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), marcado para a próxima terça-feira no Supremo Tribunal Federal (STF), deve servir para que ministros reforcem críticas à atuação de integrantes da família Bolsonaro nos Estados Unidos.
A expectativa, segundo interlocutores da Corte ouvidos pelo Globo, é que a sessão tenha manifestações em defesa da independência do Judiciário brasileiro.
Eduardo é acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de atuar junto ao governo do presidente Donald Trump para incentivar sanções contra autoridades brasileiras, incluindo ministros do STF.
O caso será analisado pela Primeira Turma do Supremo, colegiado que também condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. Nos bastidores, ministros avaliam que o julgamento ocorre em um momento de renovada tensão entre a Corte e aliados do ex-presidente.
Segundo a denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, Eduardo Bolsonaro teria articulado medidas como a suspensão de vistos de autoridades brasileiras e a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes.
Para a PGR, as iniciativas buscavam pressionar o STF e influenciar processos envolvendo Jair Bolsonaro e seus aliados.
A análise do caso ocorre enquanto Moraes aguarda manifestação da Procuradoria sobre um pedido para investigar também o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por fatos relacionados ao financiamento do filme "Dark Horse", que retrata a trajetória política do ex-presidente.
Fora do Brasil desde o ano passado, Eduardo não constituiu advogado no processo e foi representado pela Defensoria Pública da União (DPU), que questiona a atuação de Moraes como relator e sustenta que o ex-deputado não tinha poder para determinar ações do governo americano.
*Com O Globo