Repórter
Publicado em 2 de outubro de 2026 às 08h27.
A MP das bets, editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para proibir as apostas no Brasil, recebeu ao menos 26 emendas de deputados e senadores. As propostas tentam preservar apostas esportivas, contratos de patrocínio e licenças já pagas. Com vigência de 120 dias, a medida precisa da aprovação do Congresso para continuar válida.
A medida provisória que proíbe as bets no Brasil recebeu pelo menos 26 emendas de deputados e senadores. Entre as propostas apresentadas estão a exclusão das apostas esportivas da proibição, a manutenção de contratos de patrocínio já firmados com clubes de futebol e a criação de regras para empresas que pagaram pela licença para operar no país.
A MP foi editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e tem efeito imediato, mas precisa ser aprovada pelo Congresso para continuar valendo de forma permanente. O prazo de vigência é de 120 dias.
Deputados e senadores apresentaram propostas para retirar as apostas esportivas do alcance da proibição. Entre os autores estão Marcos Braz (PSDB-RJ), Júlio Lopes (PP-RJ), Pedro Aihara (PP-MG), Felipe Francischini (Podemos-PR), Marcos Pontes (PL-SP) e Jorge Kajuru (PSB-GO).
Uma das emendas, apresentada por Marcos Braz, mantém a proibição para cassinos on-line e para apostas sobre ações, eventos isolados ou lances individuais durante partidas esportivas. A proposta, porém, permite apostas de quota fixa relacionadas ao resultado final dos jogos, desde que as empresas sejam autorizadas pelo governo.
O texto também prevê a manutenção, por 24 meses, da exibição de marcas de empresas de apostas em uniformes e arenas quando houver contratos de patrocínio já vigentes.
Outra discussão no Congresso envolve as empresas que já pagaram pela autorização para operar. Desde o início da regulamentação, o governo federal arrecadou R$ 2,5 bilhões em taxas de outorga fixa, segundo os dados apresentados nas propostas. Cada licença custa R$ 30 milhões e tem validade de cinco anos.
Uma emenda apresentada por Jorge Kajuru propõe que a União devolva às empresas, de forma proporcional, a parcela da taxa correspondente ao período restante da licença.
O deputado Beto Preto (PSD-PR) apresentou uma alternativa: em vez de devolver os valores, permitir que as empresas mantenham suas autorizações até o fim do prazo originalmente concedido. A proposta, porém, impediria a renovação ou prorrogação dessas licenças.
O deputado também propõe um prazo de 180 dias para que valores não reivindicados sejam transferidos ao Fundo Nacional de Saúde.
Outra emenda, apresentada pelo deputado Bruno Ganem, propõe destinar valores perdidos em razão de tributos, multas e outras penalidades aplicadas à exploração irregular de apostas ao Fundo Nacional de Segurança Pública e ao Ministério da Saúde.
A proposta prevê que os recursos destinados à Saúde sejam usados em ações e serviços do SUS relacionados ao transtorno de jogo patológico.
Beto Preto também propõe a criação de um comitê interinstitucional para fiscalizar a exploração e a publicidade ilegais de apostas de quota fixa. O Ministério da Justiça e Segurança Pública seria responsável pela coordenação do grupo.
As emendas ainda não alteram a medida provisória. Elas precisam ser analisadas pelo relator, que poderá incorporá-las ou rejeitá-las em seu parecer.
O Congresso ainda não definiu os parlamentares que ocuparão a relatoria e a presidência da comissão mista responsável pela análise da MP. A comissão mista é a primeira etapa da tramitação. Depois, o texto precisa ser votado pelos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado.
O calendário também ainda não foi definido pelos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Desde a publicação da MP, as empresas de apostas não podem receber novos depósitos. Os sites permanecem disponíveis para que os usuários retirem o saldo restante até as 23h59 de 5 de outubro.
A partir de 6 de outubro, os sites deverão ser bloqueados. Para quem não fizer o saque voluntariamente até o prazo, a devolução dos valores será realizada pelas instituições financeiras que operam para as casas de apostas entre 9 e 14 de outubro.
A MP também impede a contratação de novas publicidades de empresas de apostas.
Além da medida provisória, o governo pretende aprovar no Congresso um projeto de lei para criminalizar a operação ilegal de bets e a atuação de seus operadores. A proposta prevê penas de dois a seis anos de prisão.
Diferentemente da MP, o projeto de lei ainda precisa ser aprovado pelo Congresso e entrar em vigor para produzir efeitos.
As emendas propõem retirar as apostas esportivas da proibição, preservar contratos de patrocínio já firmados e definir regras para empresas que pagaram pela licença. Também há propostas sobre fiscalização e destinação de recursos para segurança pública e saúde.
As apostas esportivas ainda podem ser excluídas da proibição caso o Congresso aprove alguma das emendas apresentadas. A proposta de Marcos Braz permite apostas autorizadas pelo governo sobre o resultado final dos jogos, mas mantém a proibição de cassinos on-line e apostas sobre lances individuais.
Jorge Kajuru propõe a devolução proporcional da taxa referente ao período restante da licença, enquanto Beto Preto defende a manutenção das autorizações até o prazo original, sem renovação. Segundo dados apresentados nas propostas, o governo federal arrecadou R$ 2,5 bilhões com taxas de outorga fixa, e cada licença custou R$ 30 milhões.
Os usuários podem sacar o saldo restante até as 23h59 de 5 de outubro. Os sites deverão ser bloqueados a partir de 6 de outubro, e as instituições financeiras responsáveis pelas casas devolverão os valores não retirados entre 9 e 14 de outubro.
As emendas ainda não alteraram a MP das bets, pois precisam ser avaliadas pelo relator. Depois da análise pela comissão mista, o texto deverá passar pelos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado.
O governo pretende aprovar um projeto de lei para criminalizar a operação ilegal de bets e a atuação de seus operadores, com penas de dois a seis anos de prisão. Diferentemente da medida provisória, o projeto ainda precisa ser aprovado pelo Congresso e entrar em vigor.
*Com O Globo