Bets: o setor, em expansão no Brasil, tem sido alvo de críticas da população e do Governo (Hirurg/Getty Images)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 23 de setembro de 2026 às 10h11.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é o mais responsabilizado pela opinião pública pela disseminação das casas de apostas online (bets) no Brasil.
Segundo dados da pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira, 23, 36% dos entrevistados atribuíram ao governo do petista a culpa pelo fenômeno, enquanto 25,4% afirmam que o governo de Jair Bolsonaro foi o responsável e 16,5% acreditam que o Congresso Nacional fortaleceu as Bets.
Quando uma pesquisa semelhante foi conduzida em abril deste ano, 35,3% das pessoas culparam o governo Lula, 26,2% o governo Bolsonaro e 11,8% o Congresso. Agora, próximo ao período eleitoral, a principal mudança é a parcela da população que atribui ao legislativo a responsabilidade pela disseminação das Bets.
O estudo também indica que a ampla maioria da população brasileira tem opiniões negativas sobre as Bets.
Perguntados se as casas de apostas trazem mais benefícios ou prejuízos à sociedade, 59,9% dos entrevistados afirmaram que as Bets apenas trazem prejuízos à sociedade, sendo que 28,6% acreditam que elas trazem mais prejuízos que benefícios. Juntando as duas respostas, 88,5% das pessoas acredita que as Bets são nocivas.
O levantamento também questionou algumas questões que atualmente circulam no governo brasileiro. Ao serem perguntadas sobre a maior taxação das Bets, 84% das pessoas concordaram com a proposta. Quanto às restrições à publicidade dessas plataformas, 79% foi favorável.
Já a proibição de fato das Bets foi apoiada por 75% dos entrevistados, o que mostra forte rejeição dessas empresas e serviços pelo brasileiro, apesar do crescente número de usuários das plataformas.
Além disso, 88% discordam de que as Bets possam ser uma forma de complemento de renda ou investimento, um dos principais pontos defendidos pelo setor.
O Lula voltou a defender neste sábado, 19, o fim das apostas online no Brasil. Durante um ato de campanha em Florianópolis, o candidato à reeleição afirmou que pretende consultar o Ministério da Fazenda e o Banco Central antes de avançar com a medida.
A declaração ocorre em meio à discussão sobre uma possível proibição das bets. O governo avalia uma Medida Provisória para tratar do mercado de apostas, mas ainda não definiu os detalhes da proposta.
“Eu tomei uma decisão, se depender da minha vontade, eu já fiz algumas reuniões, vou conversar com meu pessoal da Fazenda, vou conversar com meu pessoal do Banco Central, mas a verdade é que eu quero acabar com as bets”, declarou.
Lula relacionou sua posição aos efeitos das apostas sobre o endividamento das famílias. "Não vou permitir que as pessoas continuem se endividando", disse. Em outras declarações feitas durante o ato, o presidente afirmou que vem discutindo o tema há cerca de dois meses e que considera necessário enfrentar os impactos das apostas sobre a população.
Durante o discurso, Lula também respondeu às críticas feitas por clubes de futebol à possibilidade de proibição das bets. Na quinta-feira, 17, equipes haviam divulgado uma manifestação conjunta contra eventuais mudanças no mercado, citando riscos de insolvência, insegurança jurídica e possíveis impactos sobre o futebol brasileiro.
O presidente contestou a ideia de que o fim das apostas prejudicaria a modalidade e recorreu ao histórico da seleção brasileira para defender seu argumento.
“A seleção brasileira foi campeã em 1958 sem Bet, foi campeã do mundo em 1962 sem Bet, foi campeã do mundo em 1970 sem Bet, foi tetra em 1994 sem Bet e foi penta em 2002 sem Bet. Depois que começaram as bets, nós não ganhamos mais nenhuma Copa do Mundo. Então é mentira dizer que, se acabar com as bets, vai acabar com o futebol”, disse Lula.
O presidente também afirmou que “está determinado” e que, “se depender da vontade” dele, vai “acabar com as bets nesse país”.