Lula: nas redes, bets dominaram o debate sobre o candidato petista (Ricardo Stuckert/Flickr)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 29 de setembro de 2026 às 15h10.
Última atualização em 29 de setembro de 2026 às 17h45.
Um estudo de monitoramento de redes sociais aponta que a discussão sobre as bets passou a ocupar o centro da conversa digital associada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva após a assinatura da Medida Provisória que alterou as regras do setor. Entre 18 e 27 de setembro, o tema gerou 2,63 milhões de publicações e 24,11 bilhões de interações, superando o STF em volume e engajamento. No recorte de imprensa, políticos e influenciadores após a MP, Lula concentrou a maior parte das menções, mas com saldo negativo de sentimento.
A discussão sobre as bets mudou a hierarquia dos temas associados ao presidente Lula nas redes sociais após a assinatura da Medida Provisória que alterou as regras para apostas online. Entre 18 e 27 de setembro, foram registradas 2,63 milhões de publicações sobre bets, contra 1,83 milhão relacionadas ao Supremo Tribunal Federal (STF), com 24,11 bilhões de interações diante de 6,3 bilhões de temas relacionados ao tribunal.
O levantamento da Datrix, adiantado com exclusividade a EXAME, mostra que o assunto ganhou força antes da assinatura da MP e atingiu o pico em 26 de setembro, quando foram contabilizadas 998.311 publicações em um único dia.
A partir da medida, as bets passaram a ocupar o principal espaço de conversa sobre Lula, substituindo o STF como tema predominante no debate digital relacionado ao presidente.
Até então, o Supremo concentrava parte relevante da atenção associada a Lula nas redes. Segundo o estudo, até 16 de setembro as bets representavam apenas 2% do volume de publicações do STF no recorte analisado. A partir de 17 de setembro, a diferença começou a diminuir, e, após a assinatura da MP, a relação se inverteu.
Em 26 de setembro, as publicações sobre bets associadas a Lula chegaram a um volume 18 vezes superior às publicações que relacionavam o presidente ao STF.
O levantamento aponta que a mudança de protagonismo ocorreu principalmente em volume de conteúdo e capacidade de gerar engajamento. Embora o tema das bets tenha ultrapassado o STF em publicações e interações, assuntos ligados ao tribunal ainda mantiveram maior número de impressões — uma métrica usada para estimar o alcance potencial das publicações.
No período analisado, o STF acumulou 66,4 bilhões de impressões, contra 46,2 bilhões das bets. Em contrapartida, o tema das apostas gerou quase quatro vezes mais interações: 24,11 bilhões contra 6,3 bilhões.
A diferença aparece também quando considerado o desempenho médio de cada publicação. Segundo o estudo, cada postagem sobre bets gerou cerca de 9,2 mil interações, enquanto conteúdos sobre o STF tiveram média de 3,4 mil.
O principal movimento identificado pelo estudo não é o desaparecimento do STF da conversa política, mas a mudança de prioridade da agenda digital: as bets passaram a ser o assunto com maior capacidade de mobilização no debate associado a Lula.
A pauta das bets teve forte associação com Lula. Das 2,63 milhões de publicações sobre o tema entre 18 e 27 de setembro, 1,02 milhão também mencionaram o presidente, equivalente a 38,7% do debate.
O estudo analisou ainda um recorte específico de três dias após a assinatura da MP, entre 25 e 27 de setembro, considerando publicações de imprensa, políticos e influenciadores — perfis que participam da interpretação e amplificação dos acontecimentos, segundo a pesquisa.
Nesse universo, Lula apareceu em 1.531 publicações de 1.023 perfis diferentes. O presidente concentrou 68,9% das menções entre os nomes analisados, mas o saldo de sentimento ficou negativo: 37,6% das publicações foram classificadas como positivas, 52,4% como negativas, resultando em saldo de -14,8.
Flávio Bolsonaro, citado em 690 publicações de 508 perfis, teve participação menor no debate, mas apresentou saldo positivo de sentimento no mesmo recorte. O senador concentrou 31,1% das publicações analisadas, com saldo de +27,7.
O estudo ressalta que o sentimento negativo associado a Lula mede o enquadramento das publicações nas redes e não representa uma medida de aprovação ou rejeição eleitoral à política de proibição das apostas.
A pesquisa também identificou que a recepção à medida não foi uniforme. A principal narrativa sobre Lula, relacionada ao mérito da MP, representou 61,5% das publicações analisadas e teve saldo próximo do equilíbrio, com resultado de -6,7.
As críticas mais fortes apareceram em grupos menores de publicações. Uma narrativa que associava a medida a uma suposta estratégia eleitoral teve saldo de -61,1, enquanto conteúdos que acusavam o governo de ter se beneficiado anteriormente da arrecadação com bets registraram saldo de -89,8.
Por outro lado, a narrativa que relacionava a medida à proteção social e ao combate ao endividamento teve saldo positivo de +32,1, mas representou apenas 5,1% da base analisada.
O estudo aponta que a repercussão das bets abriu uma janela de exposição para Flávio Bolsonaro, embora em volume menor que o de Lula.
Entre 25 e 27 de setembro, a principal narrativa associada ao senador foi a crítica à MP, responsável por 40% das publicações sobre ele e com saldo positivo de +58. O enquadramento foi impulsionado principalmente pelas próprias declarações de Flávio contra a medida.
Outro grupo de publicações relacionou o episódio à disputa eleitoral, representando 12,8% do debate associado ao senador, com saldo positivo de +54,5.
Segundo o levantamento, a conversa sobre Lula e Flávio teve características diferentes. Lula concentrou a maior parte da atenção e tornou-se o principal personagem da discussão sobre bets, enquanto Flávio apareceu em uma parcela menor, mas com uma narrativa mais concentrada em críticas ao governo.
O estudo conclui que a MP das bets reorganizou a agenda digital: o tema passou a ocupar o espaço que antes era concentrado pelo STF na conversa associada a Lula, mas produziu enquadramentos diferentes para os principais atores políticos envolvidos.
Sim, em número de publicações e interações. O STF, porém, ainda teve mais impressões, que representam o alcance potencial dos conteúdos.
Segundo o levantamento, após a assinatura da MP, as bets passaram a concentrar mais publicações associadas ao presidente do que o STF no período analisado.
Não necessariamente. O estudo afirma que o sentimento mede o enquadramento das publicações nas redes analisadas e não uma avaliação geral da população sobre a política.
Foram registradas 2.631.562 publicações entre 18 e 27 de setembro, segundo o levantamento.
O pico ocorreu em 26 de setembro, com 998.311 publicações sobre o tema nas redes sociais.
A análise combinou métricas de monitoramento de redes sociais, como publicações, impressões, interações e sentimento, a partir de conteúdos públicos de plataformas como X, Facebook, Instagram, Threads, TikTok e YouTube.