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Agenda cultural: 11 exposições e espetáculos gratuitos para ver em outubro

Seleção reúne individuais em galerias de São Paulo, a itinerância da Bienal em Belém e as últimas sessões de dois espetáculos de dança com entrada gratuita

Galeria Raquel Arnaud: obra de Wolfram Ullrich, que joga com a percepção entre plano e volume (Divulgação)

Galeria Raquel Arnaud: obra de Wolfram Ullrich, que joga com a percepção entre plano e volume (Divulgação)

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 2 de outubro de 2026 às 08h22.

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A agenda cultural de outubro inclui exposições em galerias, casas convertidas em espaço expositivo e teatros de São Paulo, além de endereços no Rio de Janeiro, em Belém e no litoral paulista. Boa parte das mostras abriu em setembro e segue em cartaz ao longo do mês, como a individual do alemão Wolfram Ullrich na Galeria Raquel Arnaud e a 6ª Mostra Contemporâneas Vivara, que ocupa uma residência no Jardim Europa com obras de 16 artistas mulheres. Na dança, o calendário concentra as últimas apresentações de Em Revoada, do grupo Flying Low, e a reta final da circulação de Sementeira, do Núcleo Menos 1 Invisível.

Fortes D'Aloia & Gabriel

Fortes D'Aloia & Gabriel: detalhe de uma das InsePás, esculturas em crochê e madeira de Ernesto Neto (Divulgação)

Ernesto Neto ocupa ao mesmo tempo, as duas sedes paulistanas da Fortes D'Aloia & Gabriel com Vonta de vi dada dada, individual que reúne instalações escultóricas, trabalhos sobre papel e intervenções textuais. O artista carioca integra o grupo representado pela galeria desde a fundação, em 2001. Nesta mostra, ele segue investigando a relação entre corpos, materiais e sistemas vivos, com esculturas em crochê de algodão, cordas trançadas, bambu, aço corten e argila que lembram insetos, raízes, montanhas e florestas.

O núcleo central é uma nova série de esculturas murais que Neto chama de InsePás, estruturas tensionadas e celulares que avançam por paredes, tetos e cantos da arquitetura. Na Barra Funda, essas peças dividem o espaço com Canto para terra montanha ferro (2025), uma escultura de grande escala em aço patinável, de estrutura ramificada, que remete a uma paisagem montanhosa. Nos Jardins, o crochê aparece combinado com pedras, como em lagárvore penta fru, que leva quartzo verde e granito, e em trabalhos com ametista, jaspe e quartzo rosa. A exposição vem acompanhada de uma conversa entre Neto e o artista Rirkrit Tiravanija, disponível no site da galeria. No Galpão da Barra Funda, Efrain Almeida apresenta a individual O homem nu no mesmo período.

Serviço: Exposição Vonta de vi dada dada. Local: Fortes D'Aloia & Gabriel. Até 17 de outubro de 2026 (Jardins) e até 24 de outubro de 2026 (Barra Funda). Endereços: Rua Barão de Capanema, 343, Jardins; e Rua James Holland, 71, Barra Funda. Horário de visitação: terça a sexta, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 18h

Casa Seva

Casa Seva: escultura em vidro soprado de Jeane Terra sobre molde de cerâmica feito a partir de escombros (Filipe Berndt/Divulgação)

A mineira Jeane Terra teve sua individual Invenção da Paisagem-Memória prorrogada até 9 de outubro na Casa Seva, espaço da Vila Modernista dedicado à sustentabilidade, à arte e à cultura. Feita em parceria com a Janaina Torres Galeria e com curadoria de Heloísa Amaral Peixoto, a mostra reúne cerca de 12 obras e apresenta pela primeira vez a pesquisa Memória da Ecologia, voltada a espécies que rebrotam depois de queimadas ou se multiplicam em áreas alagadas. "É a regeneração da natureza através da memória da destruição", resume a artista.

Entre os trabalhos inéditos estão três pinturas pixeladas sobre o aguapé e o mangue, feitas em "pele de tinta", técnica patenteada por Jeane que mistura tinta acrílica, aglutinante e pó de mármore e recebe bordado em ponto cruz, aprendido com a avó. A instalação Floresta de peles usa moldes de látex tirados diretamente da casca de árvores. A exposição também traz obras de séries anteriores, como uma pintura em grande formato de uma igreja do século XVIII que ficou submersa com a construção da barragem de Sobradinho, na Bahia, e esculturas em vidro soprado da série Cápsulas de Memória, algumas com água do Rio São Francisco e moldes de cerâmica feitos com escombros recolhidos em Remanso e Sento Sé.

Serviço: Exposição Invenção da Paisagem-Memória. Local: Casa Seva. Até 9 de outubro de 2026. Endereço: Alameda Lorena, 1257, Vila Modernista, Casa 1. Horário de visitação: terça a sexta, das 11h às 18h; sábados, das 11h às 15h. Entrada gratuita

Vazio Criativo

Vazio Criativo: Série Água, Reflexos da Luz Dentro da Água (2015), de Alessandra Stona, em ROXO em TONS (Divulgação)

O Tons Coletivo faz sua estreia no circuito com ROXO em TONS, que fica em cartaz por apenas uma semana, de 3 a 9 de outubro, no Vazio Criativo, na Barra Funda. Com curadoria de Audrey Barbosa, a coletiva reúne oito artistas em torno das simbologias da cor roxa, com fotografia, pintura, desenho, escultura e arte têxtil distribuídos em quatro núcleos: Memória; Corpo e Afeto; Mistério e Espiritualidade; e Ruptura e Transformação.

O fotógrafo Luiz Queiroz, que trabalhou em Londres e Milão ao lado de nomes como Oliviero Toscani, apresenta a série Feminicídio, com retratos de mulheres manipulados digitalmente sem uso de inteligência artificial. Alessandra Stona leva tecelagens, esculturas e aquarelas, entre elas a série Glifo, criada durante um tratamento de saúde. Eduardo Rondon encapsula resíduos industriais em resina acrílica, enquanto Helder Alves parte de autorretratos para falar da trajetória das lutas queer. Completam o grupo Fabienne Lodomez, com cerâmicas inéditas, Luiz Maymone, Paulo H Vieira e Rosane Viegas. Segundo a curadora, o roxo permitiu aproximar pesquisas muito diferentes sem uniformizá-las.

Serviço: Exposição ROXO em TONS. Local: Vazio Criativo. De 3 a 9 de outubro de 2026. Endereço: Rua Lavradio, 573, Barra Funda. Abertura: 3 de outubro, das 13h às 17h. Horário de visitação: segunda a domingo, das 10h às 17h. Entrada gratuita

Galeria Raquel Arnaud

Galeria Raquel Arnaud: relevos em aço pintado de Wolfram Ullrich na mostra Ambiguidade construtiva e ativação do espaço

Representado pela galeria desde 2013, quando fez ali sua primeira individual no Brasil, o alemão Wolfram Ullrich ocupa o espaço da Vila Madalena com Ambiguidade construtiva e ativação do espaço, acompanhada de texto crítico do arquiteto e curador Guilherme Wisnik. Nascido em 1961 e formado em pintura, Ullrich produz peças em aço pintado com tinta acrílica que fazem o olhar oscilar entre plano e volume, uma pesquisa ligada à tradição construtiva que a galeria acompanha há cinco décadas.

Serviço: Exposição Ambiguidade construtiva e ativação do espaço. Local: Galeria Raquel Arnaud. Até 30 de outubro de 2026. Endereço: Rua Fidalga, 125, Vila Madalena. Horário de visitação: segunda a sexta, das 11h às 19h; sábados, das 11h às 15h. Entrada gratuita

Casa Conteúdo

Casa Conteúdo: vista de Que afeto é esse?, 6ª Mostra Contemporâneas Vivara, que reúne 16 artistas mulheres em uma residência do Jardim Europa (Divulgação)

Em sua 6ª edição, a Mostra Contemporâneas Vivara deixou o formato de sala expositiva e passou a ocupar uma residência na Rua Groenlândia. Sob o título Que afeto é esse?, a exposição idealizada e produzida por Stefania Dzwigalska reúne trabalhos de 16 artistas mulheres de diferentes gerações, distribuídos pelos cômodos da casa.

Estão na lista nomes como Marina Abramović, Maria Martins, Regina Silveira, Sonia Gomes, a holandesa Janet Vollebregt e a argentina Graciela Sacco, além de um retrato de Tarsila do Amaral datado de 1921. A edição também estreia o Vivara Café, espaço gastronômico com intervenções da ilustradora Chica Capeto. A entrada é gratuita, mas as vagas são limitadas e exigem reserva prévia.

Serviço: Exposição Que afeto é esse?. Local: Casa Conteúdo. Até 25 de outubro de 2026. Endereço: Rua Groenlândia, 1089, Jardim Europa. Horário de visitação: terça a sexta, das 11h às 19h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h. Entrada gratuita, com reserva antecipada pelo site

Simões de Assis

Simões de Assis: vista de O meu quintal é maior do que o mundo, individual de Zéh Palito com 15 obras inéditas (Divulgação)

Zéh Palito apresenta na Simões de Assis O meu quintal é maior do que o mundo, sua terceira exposição na galeria, com 15 obras inéditas. A mostra marca a estreia do artista no azulejo, técnica que divide espaço com as pinturas, e traz personagens inspirados na família, em Limeira, e na capital paulista.

No texto crítico Zéh Palito: refação e desidealização, Renato Menezes situa a obra do artista na tradição retratística afro-atlântica, ao lado de nomes como Amoako Boafo, Antônio Obá e Kehinde Wiley, e também a aproxima de José Antônio da Silva e Ranchinho, pintores do cotidiano caipira. Nas telas, as figuras costumam aparecer em momentos de pausa, convivência e descanso. "Penso muito na construção de imagens que celebram a vida", diz Zéh Palito, que tem obras em acervos como o do Instituto Inhotim e do Pérez Art Museum Miami.

Serviço: Exposição O meu quintal é maior do que o mundo. Local: Simões de Assis. Até 7 de novembro de 2026. Endereço: Alameda Lorena, 2050 A, Jardins. Horário de visitação: segunda a sexta, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 15h. Entrada gratuita

Teatro Galpão do Folias

Teatro Galpão do Folias: o grupo Flying Low, que faz até 4 de outubro as últimas sessões de Em Revoada (Divulgação)

O grupo Flying Low faz entre 1º e 4 de outubro as últimas sessões de Em Revoada, espetáculo que cruza o mito de Ícaro com a cultura das batalhas de breaking, linguagem que está na origem do coletivo, formado em 2016 no Núcleo Luz. Em cena, 12 artistas, sete deles convidados para a montagem, constroem a ideia de um voo coletivo, com música ao vivo de Tiago Penalva e Jorge Boog.

A direção artística é dividida entre Marina Esteves, Emerson Silva, Manuel Victor e Ricardo Ura. Para Marina, que também assina a direção musical, a montagem busca no corpo um território de escuta e criação, entre o blues e o breaking. O projeto foi contemplado pela 38ª edição do Programa Municipal de Fomento à Dança.

Serviço: Espetáculo Em Revoada. Local: Teatro Galpão do Folias, Espaço Reinaldo Maia. Até 4 de outubro de 2026. Endereço: Rua Ana Cintra, 213, Campos Elíseos. Horários: quinta a sábado, às 20h; domingo, às 18h. Entrada gratuita, com contribuição voluntária sugerida e retirada de ingressos pelo Sympla. Classificação livre

Centro de Referência da Dança e Funarte SP

CRD e Funarte SP: cena de Sementeira, espetáculo do Núcleo Menos 1 Invisível inspirado em hortas urbanas da zona Leste (Divulgação)

Após passar pelo Teatro Flávio Império e pela Fábrica de Cultura Parque Belém, Sementeira, do Núcleo Menos 1 Invisível, encerra sua circulação em outubro no Centro de Referência da Dança e no Complexo Cultural Funarte SP. Com concepção e direção artística de Cléia Plácido, o espetáculo nasceu da convivência com as Hortas da Jô, em Ermelino Matarazzo, e com o Viveiro Escola das Mulheres do Gaú, ambos na zona Leste, onde parte do elenco mora.

Os mutirões agroecológicos da Rede Permaperifa orientaram o processo, que dialoga com autores como Malcom Ferdinand, Nêgo Bispo e Denetèm Touam Bona e homenageia a queniana Wangari Maathai, Nobel da Paz. Durante a temporada na Funarte, o grupo lança uma exposição virtual com registros fotográficos do processo criativo.

Serviço: Espetáculo Sementeira. Locais: Centro de Referência da Dança (CRD), em 14 e 15 de outubro de 2026, às 19h, na Praça Ramos de Azevedo, s/nº, Galeria Formosa, Baixos do Viaduto do Chá, Centro; e Complexo Cultural Funarte SP, de 21 a 24 de outubro de 2026, às 19h, na Alameda Nothmann, 1058, Campos Elíseos

Palácio das Artes

Palácio das Artes, Praia Grande: obra com cordas de Renan Alves em Estado Transiente, individual que fica em cartaz até 12 de outubro (Divulgação)

No litoral paulista, Renan Alves fica até 12 de outubro em cartaz com Estado Transiente, sua primeira individual na Galeria Nilton Zanotti, instalada no Palácio das Artes de Praia Grande. Com curadoria de Marina Bortoluzzi, a mostra reúne 11 obras entre desenhos, pinturas, estruturas metálicas e trabalhos com cordas, boa parte inédita e pensada para a arquitetura do espaço.

O artista, que passou mais de uma década na engenharia mecânica e assina mais de 200 murais pelo país, parte de princípios da mecânica dos fluidos para falar de transformação. O destaque é des-ÁGUA, peça com cerca de 10 metros de extensão, montada em oito módulos com cordas azuis. A exposição tem patrocínio da Eucatex.

Serviço: Exposição Estado Transiente. Local: Galeria Nilton Zanotti, Palácio das Artes. Até 12 de outubro de 2026. Endereço: Avenida Presidente Costa e Silva, 1600, Praia Grande (SP). Horário de visitação: terça a sexta e domingos, das 14h às 17h; sábados, das 14h às 19h. Entrada gratuita

Carpintaria, no Rio de Janeiro

Carpintaria: obra de Tadáskía em espírito jardim humana, em cartaz no Rio de Janeiro até 31 de outubro (Divulgação)

No espaço carioca da Fortes D'Aloia & Gabriel, em frente ao Jardim Botânico, a artista Tadáskía apresenta espírito jardim humana, aberta durante a semana da ArtRio. Nascida no Rio em 1993, ela trabalha com desenho, escultura, vídeo e o que chama de "aparições", e teve sua primeira individual em museu no MoMA, em Nova York, em 2024.

Serviço: Exposição espírito jardim humana. Local: Carpintaria. Até 31 de outubro de 2026. Endereço: Rua Jardim Botânico, 971, Jardim Botânico, Rio de Janeiro. Horário de visitação: terça a sexta, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 18h. Entrada gratuita

Museu de Arte de Belém

Museu de Arte de Belém: vista da itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Palácio Antônio Lemos (Divulgação)

Belém recebe pela terceira vez uma itinerância da Bienal de São Paulo. O recorte da 36ª edição, Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática, ocupa as salas Theodoro Braga e Antonieta Santos Feio do MABE, no Palácio Antônio Lemos, com curadoria de Anna Roberta Goetz e cocuradoria de Leonardo Matsuhei. A seleção tem a água como um dos eixos e reúne trabalhos de Aline Baiana, Ernest Cole, Forensic Architecture/Forensis, Hamedine Kane, Leila Alaoui, Mao Ishikawa, Ming Smith, Sérgio Soarez, Thania Petersen e Wolfgang Tillmans. Em sua edição principal, no Ibirapuera, a 36ª Bienal recebeu 784.399 visitantes.

Serviço: Exposição 36ª Bienal de São Paulo, Itinerância Belém. Local: Museu de Arte de Belém (MABE), Palácio Antônio Lemos. Até 29 de novembro de 2026. Endereço: Praça Dom Pedro II, s/nº, Cidade Velha, Belém (PA). Horário de visitação: terça a sexta, das 9h às 16h30; sábados e domingos, das 9h às 13h. Entrada gratuita

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