Presidente do Flamengo prevê prejuízo de R$ 400 milhões para o clube sem o patrocínio das casas de apostas. (Flamengo/Divulgação) (Flamengo/Divulgação)
Redator na Exame
Publicado em 29 de setembro de 2026 às 15h15.
RESUMO | O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista (Bap), criticou severamente a Medida Provisória do Governo Federal que suspende a atividade de casas de apostas no Brasil, apontando um prejuízo anual de R$ 400 milhões para o clube e questionando a viabilidade de compromissos financeiros futuros, como a manutenção do elenco.
A decisão do Governo Federal de suspender a atuação de casas de apostas (bets) no Brasil gerou forte repercussão nos bastidores do futebol nacional. O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista (Bap), utilizou os canais oficiais do clube para disparar contra a Medida Provisória anunciada pela gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a poucos dias das eleições. Segundo o dirigente rubro-negro, o banimento repentino da atividade compromete gravemente o orçamento e a estabilidade contratual das equipes.
Estima-se que o clube carioca deixará de arrecadar cerca de R$ 400 milhões anuais com a paralisação do setor. O impacto financeiro direto afeta de imediato o planejamento para a próxima temporada, incluindo o cumprimento de acordos firmados no mercado da bola:
"Como eu vou pagar o Paquetá em janeiro? Eu assumi um compromisso importante para o Flamengo. Tudo que o Flamengo faz é dentro da lei. Mas essa medida compromete as receitas no futuro. Afeta a folha do futebol, as contratações que nós fizemos", declarou Bap.Para o mandatário rubro-negro, a interrupção abrupta da atividade — que prevê a retirada dos sites e aplicativos do ar a partir de 6 de outubro e a devolução de saldos aos apostadores até o dia 5 — fere a segurança jurídica dos contratos vigentes. Bap afirmou que o clube terá de redirecionar esforços financeiros para lidar com contenciosos jurídicos em vez de investir em reforços, além de prever uma desvalorização drástica em novas parcerias comerciais.
O dirigente fez um apelo público direto para que os poderes constituídos atuem para reverter o cenário:
"Espero sinceramente que, a partir da semana que vem, isso seja revisitado, ou pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Congresso Nacional, que têm todas as ferramentas e as possibilidades de rejeitar essa Medida Provisória".Bap concluiu alertando que a restrição não resolverá o endividamento do cidadão médio e servirá apenas para enfraquecer o ecossistema financeiro do futebol brasileiro, beneficiando indiretamente rivais continentais, como o futebol argentino.
A nova legislação veta por completo a exploração, a oferta e a intermediação de apostas de cota fixa, englobando tanto palpites esportivos em eventos reais quanto cassinos on-line (como o jogo do "tigrinho"), em formatos digitais ou físicos, estendendo-se a autorizações emitidas por estados e pelo Distrito Federal.
O impacto financeiro é profundo para o esporte e para as contas públicas:
Fim dos patrocínios no futebol: Com a determinação de remoção de qualquer sinal de publicidade e marketing do setor em até dez dias, os clubes perdem fontes vitais de receita (em 2026, 14 dos 20 times da Série A tinham uma bet como patrocinadora master, segundo a Sports Value).
A MP estabelece um cronograma rígido para a retirada das plataformas do mercado e a proteção dos saldos dos usuários:
Devolução automática: Quem não retirar o saldo a tempo não perderá o montante. Nos dias 7 e 8 de outubro, as empresas informarão os saldos por CPF aos bancos, que realizarão o reembolso integral entre 9 e 14 de outubro. Caso haja entraves, a Caixa Econômica Federal assumirá a intermediação a partir de 14 de outubro.
Como a medida foi introduzida via Medida Provisória, ela já se encontra em vigor, mas depende da aprovação do Congresso Nacional — Câmara e Senado — no prazo de até 120 dias para não perder a validade.
Como MPs não podem legislar sobre Direito Penal, o governo enviou em paralelo um projeto de lei ao Congresso para criminalizar a atividade: a exploração ou operação clandestina de apostas de quota fixa passará a prever pena de quatro a seis anos de prisão, somada a multas severas. A articulação, divulgada a poucos dias do primeiro turno das eleições de 2026, gerou debates sobre o timing político e o risco regulatório de uma aposta de governo tão repentina.
Bap criticou fortemente a proibição, classificando-a como um "banimento unilateral" que destrói a previsibilidade financeira e os contratos firmados pelos clubes.
O clube calcula que deixará de arrecadar aproximadamente R$ 400 milhões anuais em receitas decorrentes do mercado de apostas.
A MP suspende as atividades das casas de apostas no país, determinando a retirada de plataformas do ar e a devolução de valores aos usuários até o início de outubro.
Além da proibição das bets, foi enviado um Projeto de Lei ao Congresso para tipificar crimes de cota fixa e lançado um programa de renegociação de dívidas para famílias afetadas pelo vício em apostas.
O dirigente cobrou que o Congresso Nacional ou o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitem ou revisitem a Medida Provisória.